{"id":7951,"date":"2017-10-13T00:00:00","date_gmt":"2017-10-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ainda-ha-lugar\/"},"modified":"2017-10-13T00:00:00","modified_gmt":"2017-10-13T03:00:00","slug":"ainda-ha-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ainda-ha-lugar\/","title":{"rendered":"Ainda h\u00e1 lugar!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>\u00a0Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos mais uma vez o C\u00edrio de Nazar\u00e9, com o mar de gente que se estendeu sobre nossas ruas e pra\u00e7as. Mais uma vez ressoou por nossa terra uma can\u00e7\u00e3o que tenta dizer o que vivemos:<\/p>\n<p>&#8220;Eu sou de l\u00e1, onde o Brasil verdeja a alma e o rio \u00e9 mar. Eu sou de l\u00e1! Terra morena que eu amo tanto, meu Par\u00e1. Eu sou de l\u00e1, onde as Marias s\u00e3o Marias pelo c\u00e9u, e as Nazar\u00e9s s\u00e3o germinadas pela f\u00e9, que ir\u00e1 gravada em cada filho que nascer. Eu sou de l\u00e1! Se me permites, j\u00e1 te digo quem sou eu: filha de tribos, \u00edndia, negra, luz e breu, marajoara, sou cabloca, assim sou eu. Eu sou de l\u00e1, onde o Menino Deus se apressa pra chegar, dois meses antes j\u00e1 nasceu, fica por l\u00e1, tomando chuva, se sujando de a\u00e7a\u00ed. Eu sou de l\u00e1, terra onde o outubro se desdobra sem ter fim, onde um s\u00f3 dia vale a vida que eu vivi, domingo santo que n\u00e3o posso descrever. Pois h\u00e1 de ser mist\u00e9rio agora e sempre, nenhuma explica\u00e7\u00e3o sabe explicar! \u00c9 muito mais que ver um mar de gente, nas ruas de Bel\u00e9m a festejar! \u00c9 fato que a palavra n\u00e3o alcan\u00e7a, n\u00e3o cabe perguntar o que ele \u00e9! O C\u00edrio \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do paraense, \u00e9 coisa que n\u00e3o sei dizer&#8230; Deixa pra l\u00e1! Ter\u00e1 que vir pra ver com a alma o que o olhar n\u00e3o pode ver. Ter\u00e1 que ter simplicidade pra chorar sem entender! Quem sabe assim ver\u00e1 que a corda entrela\u00e7a todos n\u00f3s, sem diferen\u00e7as, costurados num s\u00f3 n\u00f3, amarra feita pelas m\u00e3os da M\u00e3e de Deus. Estranho, eu sei, juntar o santo e o pecador num mesmo C\u00e9u puro e profano, dor e riso, livre e r\u00e9u. Seja bem vindo ao C\u00edrio de Nazar\u00e9, pois h\u00e1 de ser mist\u00e9rio agora e sempre, nenhuma explica\u00e7\u00e3o sabe explicar, \u00e9 muito mais que ver um mar de gente nas ruas de Bel\u00e9m a festejar \u00c9 fato que a palavra n\u00e3o alcan\u00e7a, n\u00e3o cabe perguntar o que ele \u00e9. O C\u00edrio \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do paraense, \u00e9 coisa que n\u00e3o sei dizer, pois h\u00e1 de ser mist\u00e9rio agora e sempre, nenhuma explica\u00e7\u00e3o sabe explicar. \u00c9 muito mais que ver um mar de gente, nas ruas de Bel\u00e9m a festejar. \u00c9 fato que a palavra n\u00e3o alcan\u00e7a, n\u00e3o cabe perguntar o que ele \u00e9. O C\u00edrio \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do paraense, \u00e9 coisa que n\u00e3o sei dizer&#8230; Deixa pra l\u00e1!&#8221; (Letra de Padre F\u00e1bio de Melo, interpretada por Faf\u00e1 de Bel\u00e9m, grava\u00e7\u00e3o com os direitos doados \u00e0 Arquidiocese de Bel\u00e9m)<\/p>\n<p>&#8220;Juntar num mesmo C\u00e9u puro e profano, dor e riso, livre e r\u00e9u&#8221;. De fato, nenhuma explica\u00e7\u00e3o sabe explicar o que \u00e9. Um fen\u00f4meno religioso cat\u00f3lico e mariano inigual\u00e1vel no mundo, que atrai misteriosamente multid\u00f5es e pode expressar o chamado de Deus, que quer acolher no seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o a todos os povos. De fato, o Senhor quer dizer, com a for\u00e7a de sua Palavra e a a\u00e7\u00e3o da Igreja, que todos s\u00e3o chamados! &#8220;Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois h\u00e1 um s\u00f3 Deus e um s\u00f3 mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus, que se entregou como resgate por todos&#8221; (1 Tm 2,3-5). Jesus expressa o convite e a consequente responsabilidade atrav\u00e9s da par\u00e1bola dos convidados para uma festa de casamento (Mt 22,1-14). O Rei que casa o seu filho mandou seus emiss\u00e1rios e uma e mais vezes avisarem: &#8220;Vinde para a festa&#8230; A festa de casamento est\u00e1 pronta, mas os convidados n\u00e3o foram dignos dela. Portanto, ide \u00e0s encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes\u2019. Os servos sa\u00edram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons&#8221; (Mt 22,4.8-10).<\/p>\n<p>Na B\u00edblia, para anunciar os bens da salva\u00e7\u00e3o, com frequ\u00eancia se usa a imagem de um banquete (Cf. Is 25,6-10). At\u00e9 nisso nossa festa tem algo semelhante, pois \u00e9 dia da fam\u00edlia, no &#8220;almo\u00e7o do C\u00edrio&#8221;, preparado e participado com esmero, acolhendo parentes e amigos. E festa \u00e9 coisa s\u00e9ria! Deixa marcas profundas no cora\u00e7\u00e3o, convida para o ano seguinte, atrai outras pessoas!<\/p>\n<p>No entanto, a par\u00e1bola contada por Jesus acrescenta um detalhe. \u00c9 preciso ter a veste pr\u00f3pria. Tratando-se de reino de Deus, a veste \u00e9 um nome para a convers\u00e3o. Na linguagem b\u00edblica, mudar de roupa quer dizer mudar o estilo de vida! (Cf. Rm 13,14; Gl 3,37; Ef 4,20-24). \u00c9 necess\u00e1rio corresponder \u00e0 generosidade do Rei que chama para a festa e tamb\u00e9m levar a s\u00e9rio as exig\u00eancias do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00f5es do C\u00edrio! \u00a0A festa foi preparada! Desde o m\u00eas de agosto, as peregrina\u00e7\u00f5es realizadas em mais de sem mil fam\u00edlias espalharam a mensagem do C\u00edrio, olhando para Maria, &#8220;Estrela da Evangeliza\u00e7\u00e3o&#8221;. E a Imagem peregrina visitou mais de quatrocentos lugares diferentes, com prega\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus e ora\u00e7\u00e3o. Percorremos par\u00f3quias, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, escolas e universidades e pres\u00eddios, para indicar, junto com a Virgem de Nazar\u00e9, aquele que \u00e9 Caminho, Verdade e Vida.<\/p>\n<p>No dia do C\u00edrio, rostos molhados de suor, o sorriso, o aperto de m\u00e3o, a vit\u00f3ria da meta alcan\u00e7ada ao final de tanto esfor\u00e7o. Ra\u00e7as, situa\u00e7\u00f5es sociais, diferentes idades e mentalidades, todos s\u00e3o acolhidos. Trata-se de trazer para o dia a dia da vida crist\u00e3 o mesmo empenho. Quem dera este mar de gente acolhesse o convite para ser fermento de uma humanidade reconciliada e pacificada! A solidariedade tantas vez testemunhada pode ensinar muito e deve traduzir-se em gestos fraternos que se multipliquem durante o ano!<\/p>\n<p>Uma preciosa experi\u00eancia feita pelos Bispos no C\u00edrio \u00e9 a acolhida e a b\u00ean\u00e7\u00e3o, com a aspers\u00e3o da \u00e1gua benta, num relacionamento maravilhoso, feito de olhares agradecidos, sorriso, aperto de m\u00e3o. N\u00f3s aprendemos a valorizar tal encontro, para muitas pessoas o \u00fanico durante o ano com um Bispo. N\u00e3o podemos jogar fora instantes t\u00e3o preciosos!<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as grandes prociss\u00f5es do final de semana do C\u00edrio, a Igreja de Bel\u00e9m se dedica a duas semanas de prega\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, celebra\u00e7\u00f5es da Santa Missa, momentos fortes de ora\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a de Bispos de v\u00e1rias partes do Brasil, al\u00e9m das sucessivas prociss\u00f5es, que desdobram a mesma mensagem do C\u00edrio. No entanto, trata-se para n\u00f3s da colheita do C\u00edrio, especialmente atrav\u00e9s do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, celebrado por pessoas que acorrem \u00e0 Bas\u00edlica de Nazar\u00e9 em longas e piedosas filas. \u00c9 que desejamos lavar nossas vestes no Sangue do Cordeiro (Ap 7,14) na gra\u00e7a da reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 lugar, pois o C\u00edrio de Nazar\u00e9 volta sempre e deixa marcas indel\u00e9veis! Nele, ressoa de novo o convite para a festa da vida verdadeira, promovida pelo Pai do C\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1 Vivemos mais uma vez o C\u00edrio de Nazar\u00e9, com o mar de gente que se estendeu sobre nossas ruas e pra\u00e7as. 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