{"id":8059,"date":"2017-10-27T00:00:00","date_gmt":"2017-10-27T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fomos-criados-no-tempo-para-sermos-eternos\/"},"modified":"2017-10-27T00:00:00","modified_gmt":"2017-10-27T02:00:00","slug":"fomos-criados-no-tempo-para-sermos-eternos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fomos-criados-no-tempo-para-sermos-eternos\/","title":{"rendered":"Fomos criados no tempo para sermos eternos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<br \/>\n<\/em><em>Bispo auxiliar de Porto Alegre\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O feriado de 2 de novembro chama a aten\u00e7\u00e3o de todos para algumas realidades nem sempre presentes em nosso cotidiano: a saudade de quem partiu, a consci\u00eancia de nossa finitude, a elabora\u00e7\u00e3o do luto. Enfim, o tema da morte e do morrer emergem do calend\u00e1rio para uma retomada de consci\u00eancia sobre a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s humanos temos uma \u00fanica certeza sobre o futuro: sabemos que iremos morrer. Viver e morrer est\u00e3o intimamente conectados. Presente e futuro nos fascinam, porque queremos vislumbrar as conquistas e realiza\u00e7\u00f5es, tanto quanto nos atemorizam a frustra\u00e7\u00e3o, o limite e o fim. Em nossos dias muitos tabus, preconceitos e mitos foram vencidos. Infelizmente, por\u00e9m, cresceu o tabu a respeito do morrer. Esse assunto \u00e9 indesejado e at\u00e9 camuflado nas conversas di\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte traz consigo novas interroga\u00e7\u00f5es e discuss\u00f5es. Cada \u00e1rea do conhecimento humano tem sua percep\u00e7\u00e3o sobre essa dimens\u00e3o. Algumas respostas s\u00e3o mais positivas que outras. Biologicamente estamos sempre findando: c\u00e9lulas morrem, s\u00e3o eliminadas e outras surgem. A morte n\u00e3o \u00e9 um instante, mas um processo biol\u00f3gico e espiritual. O ser humano \u00e9 essencialmente um ser para a morte: aprender a viver \u00e9 aprender a morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As religi\u00f5es s\u00e3o deposit\u00e1rias dessa sabedoria. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel perceber a morte apenas como uma finitude fisiol\u00f3gica, como se fosse a nega\u00e7\u00e3o da vida ou o fim do sujeito que vive no tempo e no espa\u00e7o. O ser humano, diferente dos demais seres, sabe que vai morrer, tem consci\u00eancia dessa limita\u00e7\u00e3o e por isso n\u00e3o nasce determinado e nem se move apenas por impulsos biol\u00f3gicos, mas vai construindo sua vida e se construindo. \u00c9 morrendo que se vive para o eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Toda pessoa que morre \u00e9 parte deste mundo vis\u00edvel. A hist\u00f3ria, as experi\u00eancias, as alegrias e os sofrimentos marcam definitivamente cada um de n\u00f3s. O que mais determina nosso ser, entretanto, s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es. Durante a vida conhecemos uma fam\u00edlia, crescemos entre amigos, temos colegas de trabalho, escolhemos pessoas mais \u00edntimas, formamos nova fam\u00edlia e experimentamos a amizade, o amor e a comunh\u00e3o. Dificilmente algu\u00e9m \u00e9 feliz na solid\u00e3o e no isolamento. Somos seres essencialmente relacion\u00e1veis.\u00a0 O tempo passa e com ele passamos tamb\u00e9m n\u00f3s. Nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e morremos. Este percurso da exist\u00eancia humana \u00e9 uma realidade fascinante. H\u00e1 quem sofra o horror desse princ\u00edpio de imperman\u00eancia de tudo o que vive. H\u00e1, contudo, quem encontre a raz\u00e3o de ser neste movimento de nascer, viver e morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os crist\u00e3os definem a morte como p\u00e1scoa, isso \u00e9, passagem. N\u00e3o passagem de uma realidade para outra totalmente diferente, mas de uma situa\u00e7\u00e3o limitada para outra, continuada, mas descont\u00ednua. O morrer \u00e9 um adormecer para este mundo limitado pelo tempo e pelo espa\u00e7o e acordar nas pot\u00eancias infinitas do Criador. Trata-se do encontro que d\u00e1 significado a toda experi\u00eancia humana. Ensina o cristianismo que em Jesus Cristo, apesar de vivermos na conting\u00eancia do tempo, j\u00e1 somos eternos, porque somos filhos da Luz. \u00c9 por isso que os crist\u00e3os j\u00e1 sabem ser ressuscitados e a morte n\u00e3o pode lhes separar de Cristo, como escreve Paulo Ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Oxal\u00e1 todos pudessem perceber, al\u00e9m das cren\u00e7as e religi\u00f5es, esse elemento comum a todo ser humano: h\u00e1 algo em n\u00f3s que n\u00e3o morre. Quem consegue fazer essa experi\u00eancia durante a vida, percebe a morte de outra forma. O melhor sinalizador de tudo isso \u00e9 que homens e mulheres edificaram cren\u00e7as e religi\u00f5es que afirmaram essa realidade profunda: fomos criados no tempo para sermos eternos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Bispo auxiliar de Porto Alegre\u00a0 &nbsp; O feriado de 2 de novembro chama a aten\u00e7\u00e3o de todos para algumas realidades nem sempre presentes em nosso cotidiano: a saudade de quem partiu, a consci\u00eancia de nossa finitude, a elabora\u00e7\u00e3o do luto. 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