{"id":8167,"date":"2017-11-08T00:00:00","date_gmt":"2017-11-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-reforma-500-anos\/"},"modified":"2017-11-08T00:00:00","modified_gmt":"2017-11-08T02:00:00","slug":"a-reforma-500-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-reforma-500-anos\/","title":{"rendered":"A &#8220;reforma&#8221;: 500 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Fernando Ar\u00eaas Rifan*<\/strong><br \/>\n<strong>*Bispo da Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Pessoal S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ano de 2017, especialmente no findo m\u00eas de outubro, teve a comemora\u00e7\u00e3o de importantes anivers\u00e1rios, uns de grata mem\u00f3ria, outros de triste recorda\u00e7\u00e3o. Celebramos o tricenten\u00e1rio da descoberta milagrosa da imagem de Nossa Senhora Aparecida e os cem anos das apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora de F\u00e1tima. Tamb\u00e9m em 2017 fez 100 anos a implanta\u00e7\u00e3o do comunismo na R\u00fassia e 500 anos da chamada reforma protestante, com Martinho Lutero pregando suas 95 teses contestat\u00e1rias na porta da Igreja em Wittemberg.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Pio XII resume assim as tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es dos tempos modernos, concatenadas e consequentes uma da outra: \u201cCristo sim, a Igreja n\u00e3o [a revolu\u00e7\u00e3o protestante]. Depois: Deus sim, Cristo n\u00e3o [a revolu\u00e7\u00e3o francesa]. Finalmente o grito \u00edmpio: Deus est\u00e1 morto, ou mesmo: Deus nunca existiu [a revolu\u00e7\u00e3o comunista]\u201d (Discurso de 12\/10\/1952).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2012, j\u00e1 preparando essa efem\u00e9ride, declarara o Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os, que a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o poderia comemorar os 500 anos da \u2018Reforma\u2019, porque \u201cn\u00e3o podemos celebrar um pecado\u201d. Sim, a Igreja n\u00e3o celebra a divis\u00e3o, mas, recordando esse anivers\u00e1rio, procura vias para restaurar a unidade. \u00c9 o que o Papa Francisco, indo al\u00e9m do conflito, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o, tem procurado fazer, na linha j\u00e1 come\u00e7ada pelos Papas S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II e Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Cardeal Gerard M\u00fcller, prefeito em\u00e9rito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, explica que \u201cj\u00e1 se passaram 500 anos. N\u00e3o \u00e9 mais tempo de pol\u00eamica, mas de entendimento e reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 o que desejamos para os nossos irm\u00e3os luteranos: a reconcilia\u00e7\u00e3o com a Igreja cat\u00f3lica. Reconcilia\u00e7\u00e3o sim, \u201cmas\u201d, continua o mesmo Cardeal M\u00fcller, \u201cn\u00e3o \u00e0 custa da verdade. N\u00e3o se deve agravar a confus\u00e3o. Ora, se devemos, por um lado, reconhecer a efic\u00e1cia do Esp\u00edrito Santo nos crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos de boa vontade, que n\u00e3o cometeram pessoalmente esse pecado de ruptura com a Igreja, n\u00e3o podemos, por outro, alterar a hist\u00f3ria do que se passou h\u00e1 500 anos. Uma coisa \u00e9 o desejo de manter boas rela\u00e7\u00f5es com os crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos de hoje, a fim de aproxima-los da plena comunh\u00e3o com a hierarquia cat\u00f3lica e com a aceita\u00e7\u00e3o da Tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica segundo a doutrina da Igreja; outra coisa \u00e9 a incompreens\u00e3o ou a falsifica\u00e7\u00e3o do que ocorreu 500 anos atr\u00e1s e do impacto desastroso que se lhe seguiu. Impacto, ali\u00e1s, contr\u00e1rio \u00e0 vontade de Deus: \u2018Para que todos sejam um, como tu, Pai, est\u00e1s em mim e eu em ti, para que tamb\u00e9m eles estejam em n\u00f3s e o mundo creia que tu me enviaste\u2019 (Jo 17, 21)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E a verdadeira reforma, talvez vislumbrada por Lutero, n\u00e3o a pseudo-reforma entendida e perpetrada por ele, foi realizada, no mesmo s\u00e9culo XVI, pelo Conc\u00edlio de Trento e pelos santos contempor\u00e2neos do monge alem\u00e3o, como Santa Teresa de Jesus e S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, S\u00e3o Filipe Nery e, sobretudo, Santo In\u00e1cio de Loyola com a Companhia de Jesus, concretizando assim o que dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u201cA Igreja n\u00e3o precisa de reformadores, mas de santos!\u201d Os Santos, reformando a si mesmos, foram os verdadeiros reformadores do mundo e da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Fernando Ar\u00eaas Rifan* *Bispo da Administra\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Pessoal S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney O ano de 2017, especialmente no findo m\u00eas de outubro, teve a comemora\u00e7\u00e3o de importantes anivers\u00e1rios, uns de grata mem\u00f3ria, outros de triste recorda\u00e7\u00e3o. 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