{"id":837029,"date":"2021-09-15T14:33:23","date_gmt":"2021-09-15T17:33:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=837029"},"modified":"2021-09-20T12:22:16","modified_gmt":"2021-09-20T15:22:16","slug":"cardeal-orani-mae-das-dores-mae-de-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cardeal-orani-mae-das-dores-mae-de-todos-nos\/","title":{"rendered":"M\u00e3e das Dores \u2013 M\u00e3e de todos n\u00f3s!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte \u00e0 Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, no dia 15 de setembro, anualmente, celebra-se com grande devo\u00e7\u00e3o a Festa de Nossa Senhora das Dores, t\u00e3o querida e t\u00e3o intimamente ligada \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es religiosas brasileiras. Essa mem\u00f3ria tem outros nomes, como, por exemplo, o de Nossa Senhora da Piedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Narra o disc\u00edpulo amado: \u201cJunto \u00e0 cruz de Jesus estavam de p\u00e9 sua m\u00e3e, a irm\u00e3 de sua m\u00e3e, Maria, mulher de Cl\u00e9ofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua m\u00e3e e perto dela o disc\u00edpulo que amava, disse \u00e0 sua m\u00e3e: Mulher, eis a\u00ed teu filho. Depois disse ao disc\u00edpulo: Eis a\u00ed tua m\u00e3e. E dessa hora em diante o disc\u00edpulo a levou para a sua casa\u201d (Jo 19,25-27). Junto de Maria Sant\u00edssima e de S\u00e3o Jo\u00e3o estavam Maria Madalena, Maria, m\u00e3e de Tiago e Jos\u00e9 e Salom\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa em\u00e9rito Bento XVI resumiu bem o sentido dessa mem\u00f3ria: \u201cHoje, ao celebrarmos a mem\u00f3ria de Nossa Senhora das Dores, contemplamos Maria, que partilha a compaix\u00e3o do Filho pelos pecadores\u201d. Como afirmava S\u00e3o Bernardo, a M\u00e3e de Cristo entrou na Paix\u00e3o do Filho atrav\u00e9s da sua compaix\u00e3o (Homilia do Domingo na Oitava da Assun\u00e7\u00e3o). Ao p\u00e9 da Cruz, cumpre-se a profecia de Sime\u00e3o: o seu cora\u00e7\u00e3o de M\u00e3e \u00e9 transpassado (Lc 2, 35) pelo supl\u00edcio infligido ao Inocente, nascido da sua carne. Tal como Jesus chorou (Jo 11, 35), tamb\u00e9m Maria ter\u00e1 certamente chorado diante do corpo torturado do Filho. Todavia, a sua discri\u00e7\u00e3o impede-nos de medir o abismo da sua dor; a profundidade desta afli\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas sugerida pelo tradicional s\u00edmbolo das sete espadas. Como sucedeu com seu Filho Jesus, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que este sofrimento a levou, tamb\u00e9m, \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o (Hb 2, 10), de modo a torn\u00e1-La capaz de acolher a nova miss\u00e3o espiritual que o Filho Lhe confia imediatamente antes de \u201centregar o esp\u00edrito\u201d (Jo 19, 30): tornar-Se a M\u00e3e de Cristo nos seus membros. Naquela hora, atrav\u00e9s da figura do disc\u00edpulo amado, Jesus apresenta cada um dos seus disc\u00edpulos \u00e0 M\u00e3e, dizendo-Lhe: \u201cEis o teu filho\u201d (Jo 19, 26-27). (Homilia de 15 de setembro de 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria sofredora. Nossa Senhora \u00e9 a \u201cMater Dolorosa\u201d. A morte de Jesus, sempre unida \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, significa a passagem para o Pai, o julgamento definitivo de Jesus sobre o mundo e suas for\u00e7as destruidoras, o instante da glorifica\u00e7\u00e3o plena de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria, m\u00e3e dos crist\u00e3os, em que fala da maternidade espiritual de Maria. Na Cruz, Jesus a entrega como m\u00e3e de todos os crist\u00e3os e m\u00e3e da Igreja. Maria, modelo de f\u00e9: Nossa Senhora \u00e9 inquebrant\u00e1vel e modelar por sua fidelidade. Se sua ades\u00e3o a Jesus se manifesta no sinal protot\u00edpico de Can\u00e1, ela encontra seu \u00e1pice no momento da cruz, quando desaparece todo sinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria \u00e9 m\u00e3e dos viventes: Maria, a mulher nova, marcada pela obedi\u00eancia radical at\u00e9 o sofrimento na cruz, resgata a desobedi\u00eancia de Eva. Nossa Senhora representa a nova Eva, m\u00e3e da nova humanidade redimida, correlata a Cristo, o novo Ad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria \u00e9 disc\u00edpula-m\u00e3e e imagem do povo de Deus: ao p\u00e9 da Cruz, Maria representa o povo messi\u00e2nico que d\u00e1 \u00e0 luz os seus filhos, a comunidade do disc\u00edpulo-amado que continua a miss\u00e3o de Jesus. Maria simboliza a Igreja que gera novos filhos na f\u00e9. No quarto Evangelho, Maria seria, simultaneamente, personagem hist\u00f3rica que representa toda a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a Venera\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, ensina o Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II que: \u201cExaltada por gra\u00e7a do Senhor e colocada logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como m\u00e3e sant\u00edssima de Deus, tomou parte nos mist\u00e9rios de Cristo, \u00e9 com raz\u00e3o venerada pela Igreja com culto especial. E, na verdade, a Sant\u00edssima Virgem \u00e9, desde os tempos mais antigos, honrada com o t\u00edtulo de \u201cM\u00e3e de Deus\u201d, e sob a sua prote\u00e7\u00e3o se acolhem os fi\u00e9is, em todos os perigos e necessidades. Foi, sobretudo, a partir do Conc\u00edlio do \u00c9feso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiravelmente, na venera\u00e7\u00e3o e no amor, na invoca\u00e7\u00e3o e na imita\u00e7\u00e3o, segundo as suas prof\u00e9ticas palavras: \u201cTodas as gera\u00e7\u00f5es me proclamar\u00e3o bem-aventurada, porque realizou em mim grandes coisas Aquele que \u00e9 poderoso\u201d (Lc 1,48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adora\u00e7\u00e3o, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Esp\u00edrito Santo, e favorece-o poderosamente. Na verdade, as v\u00e1rias formas de piedade para com a M\u00e3e de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de s\u00e3 e reta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a \u00edndole e modo de ser dos fi\u00e9is, t\u00eam a virtude de fazer com que, honrando a m\u00e3e, melhor se conhe\u00e7a, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe (Col. 1, 15-16) e no qual \u201caprouve a Deus que residisse toda a plenitude\u201d (Col. 1,19), e\u00a0tamb\u00e9m melhor se cumpram os seus mandamentos\u201d. (Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Lumen Gentium, 66).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 15 de setembro torna-se c\u00e2ndida quadra em que nossos olhares se voltam para a Virgem das Dores, transformando-se em ocasi\u00e3o prop\u00edcia para se reviver um momento decisivo da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, e para venerar, juntamente com o Filho \u201cexaltado na cruz, a M\u00e3e que com Ele compartilha o sofrimento\u201d. (Ora\u00e7\u00e3o da coleta da Mem\u00f3ria de Nossa Senhora das Dores).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procuremos contemplar nas dores de Maria Sant\u00edssima o que Seu Amado Filho Jesus sempre fez, que deve ser parte da nossa vida di\u00e1ria: se comover com os pobres e necessitados, como a vi\u00fava de Naim, acolher os doentes, como os dez leprosos e o cego, todas estas pessoas que Jesus teve compaix\u00e3o. Jesus, no serm\u00e3o da plan\u00edcie, pede que os disc\u00edpulos sejam misericordiosos como o Pai (Lc 6,36). Nisso reside a perfei\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus. A bondade absoluta do Pai, que na par\u00e1bola do bom samaritano, o protagonista move-se de compaix\u00e3o (Lc 10,33) pelo homem ferido na estrada. Ele se fez pr\u00f3ximo dele, porque \u201cusa de miseric\u00f3rdia\u201d (Lc 10,37). Toda a miseric\u00f3rdia deve vir acompanhada da convers\u00e3o, que prov\u00e9m da bondade radical de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Jesus \u00e9 cheio de amor para com o perdido, o fraco, o pobre, seu amor recria, perdoando e dando nova vida, como Jesus faz com tantos homens e mulheres, como a pecadora (Lc 7,36-50) e o paral\u00edtico (Lc 5,17-25). O perd\u00e3o e a remiss\u00e3o dos pecados, incondicional da parte de Deus, tem seu reverso no pedido de convers\u00e3o: \u201cEu n\u00e3o vim chamar os justos, mas os pecadores, \u00e0 convers\u00e3o\u201d (Lc 5,32). Pe\u00e7amos \u00e0 Virgem Maria, Mater Dolorosa, que sejamos anunciadores da Miseric\u00f3rdia Divina e que, mesmo no sofrimento, encontremos a luz de Cristo para caminharmos na conc\u00f3rdia e na caridade!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) &nbsp; No dia seguinte \u00e0 Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, no dia 15 de setembro, anualmente, celebra-se com grande devo\u00e7\u00e3o a Festa de Nossa Senhora das Dores, t\u00e3o querida e t\u00e3o intimamente ligada \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es religiosas brasileiras. 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