{"id":839626,"date":"2021-09-17T10:20:07","date_gmt":"2021-09-17T13:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=839626"},"modified":"2021-09-17T10:20:35","modified_gmt":"2021-09-17T13:20:35","slug":"uma-cena-intrigante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/uma-cena-intrigante\/","title":{"rendered":"Uma cena intrigante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jacinto Bergmann<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Pelotas (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 estava com o meu artigo semanal praticamente elaborado, quando hoje (quinta-feira, 16 de setembro) deparei-me com o trecho do Evangelho que a Igreja oferece para a Liturgia Eucar\u00edstica da Mem\u00f3ria hodierna dos m\u00e1rtires S\u00e3o Corn\u00e9lio (viveu de 211 a 253 e foi Pont\u00edfice) e S\u00e3o Cipriano (viveu de 210 a 258 e foi Bispo). Deixei-me intrigar pela cena descrita no trecho do Evangelho e o resultado dessa cena intrigante \u00e9 a minha reflex\u00e3o que ora partilho nesse artigo. (Uso o significado de intrigante como adjetivo \u2013 \u201cque desperta curiosidade\u201d, \u201cque surpreende\u201d, \u201cque faz querer entender&#8230;\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena inicia com um fariseu que convida Jesus para uma refei\u00e7\u00e3o em sua casa. Jesus entra na casa do fariseu e p\u00f5e-se \u00e0 mesa. J\u00e1 come\u00e7a intrigante o convite desse fariseu a Jesus para uma refei\u00e7\u00e3o e ele aceitando o convite, marcando presen\u00e7a e colocando-se \u00e0 mesa. Como \u00e9 poss\u00edvel um convite de um fariseu a Jesus e como \u00e9 poss\u00edvel a aceita\u00e7\u00e3o da parte de Jesus ao convite? Como podem sentar-se junto \u00e0 mesa um fariseu e Jesus, uma vez que os fariseus n\u00e3o aceitavam a ele e ele tantas vezes os criticando fortemente pela sua hipocrisia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena cresce intrigantemente quando certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, sabendo que Jesus estava \u00e0 mesa na casa do fariseu, porta um alabastro de perfume e entra na casa, fica por detr\u00e1s de Jesus e provocando uma \u201ccena\u201d deveras intrigante: chora aos p\u00e9s de Jesus, com as l\u00e1grimas come\u00e7a a banh\u00e1-los, enxuga-os com os cabelos, cobre-os de beijos e os unge com o perfume. Como \u00e9 poss\u00edvel uma mulher pecadora invadir uma refei\u00e7\u00e3o familiar, intrometendo-se na intimidade da refei\u00e7\u00e3o? Como explicar seus atos t\u00e3o estranhos para o momento e ambiente: Entrar na casa, postar-se por detr\u00e1s do convidado, chorar aos seus p\u00e9s, enxug\u00e1-los com os cabelos e ungi-los com o perfume que tinha levado consigo? Tudo da mulher n\u00e3o estava fora do lugar e da hora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A surpresa toma conta do fariseu, quando ele v\u00ea o espet\u00e1culo proporcionado pela mulher e com raz\u00e3o fica pensando: \u201cSe este homem fosse profeta, saberia que tipo de mulher est\u00e1 tocando nele, pois \u00e9 pecadora\u201d. Como \u00e9 poss\u00edvel esses dois extremos se encontrarem: o profeta, \u201co certo e puro\u201d e a mulher, \u201co errado e impuro\u201d, e isso em sua casa como anfitri\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, com af\u00e3 de explicar algo deste espet\u00e1culo, conta a par\u00e1bola dos dois devedores de um credor: um foi perdoado pela d\u00edvida de quinhentas moedas de prata e outro pela d\u00edvida de cinquenta. E Jesus, ent\u00e3o, lan\u00e7a a pergunta intrigante: \u201cQual dos dois devedores amar\u00e1 mais o credor?\u201d Diante da resposta do fariseu: \u201cAcho que \u00e9 aquele ao qual perdoou mais\u201d, Jesus deixa o seu coment\u00e1rio: \u201cTu julgaste corretamente!\u201d N\u00e3o \u00e9 intrigante esse coment\u00e1rio de Jesus? Como \u00e9 poss\u00edvel julgar corretamente e n\u00e3o agir corretamente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ent\u00e3o que Jesus, na casa do fariseu sentado \u00e0 mesa com ele, simplesmente (aparentemente mal agradecido pelo convite e respons\u00e1vel por permitir o espet\u00e1culo feito pela mulher) ainda \u201ccritica\u201d o fariseu. Tudo o que a mulher fez, ele n\u00e3o fez: Nada de \u00e1gua para lavar os p\u00e9s, nada do beijo de sauda\u00e7\u00e3o e nada de \u00f3leo derramado na cabe\u00e7a. E conclui categoricamente: \u201cOs muitos pecados que ela cometeu est\u00e3o perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor\u201d. Como \u00e9 poss\u00edvel Jesus ser t\u00e3o transparente e honesto a tal ponto de colocar o fariseu anfitri\u00e3o em \u201cmaus len\u00e7\u00f3is\u201d? Arranca dele a verdade do amor e do perd\u00e3o e a verdade do perd\u00e3o e do amor, e isso, com uma cr\u00edtica a uma certa hipocrisia do pr\u00f3prio anfitri\u00e3o: \u201cJulgas corretamente, mas n\u00e3o ages corretamente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena acima \u00e9 deveras intrigante. N\u00e3o pretendo tirar o seu car\u00e1ter intrigante. Ao contr\u00e1rio, deixo-a intrigar a minha vida e miss\u00e3o. Por que tamb\u00e9m n\u00e3o ousar pedir aos leitores de se deixarem envolver no \u201cintrigante\u201d desta cena?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann Arcebispo de Pelotas (RS) J\u00e1 estava com o meu artigo semanal praticamente elaborado, quando hoje (quinta-feira, 16 de setembro) deparei-me com o trecho do Evangelho que a Igreja oferece para a Liturgia Eucar\u00edstica da Mem\u00f3ria hodierna dos m\u00e1rtires S\u00e3o Corn\u00e9lio (viveu de 211 a 253 e foi Pont\u00edfice) e S\u00e3o Cipriano (viveu &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/uma-cena-intrigante\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Uma cena intrigante<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/839626"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=839626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/839626\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=839626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=839626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=839626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}