{"id":839746,"date":"2021-09-17T12:04:49","date_gmt":"2021-09-17T15:04:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=839746"},"modified":"2021-09-17T12:44:27","modified_gmt":"2021-09-17T15:44:27","slug":"a-educacao-a-partir-do-simbolo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-educacao-a-partir-do-simbolo\/","title":{"rendered":"A educa\u00e7\u00e3o a partir do s\u00edmbolo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Benedito Ara\u00fajo<\/strong><br \/>\n<b>Guajar\u00e1-Mirim-RO<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de s\u00edmbolo integra-se no mais geral de sinal, que pode ser definido como um meio de conhecimento indireto, ou seja, como uma realidade que, ao ser conhecida, conduz ao conhecimento de outra. Essa realidade de sinal pode ser compreendida como a\u00e7\u00e3o, objeto ou situa\u00e7\u00e3o. Portanto dentro da categoria sinal, podemos distinguir os sinais e os s\u00edmbolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 um sinal? \u00c9 um signo de primeiro grau ou indicador, isto \u00e9, funda-se na associa\u00e7\u00e3o de dois conceitos unidos por um nexo natural ou convencional. (fogo\/queima e Vermelho\/pare).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 um s\u00edmbolo? \u00c9 um sinal de segundo grau. Na Gr\u00e9cia antiga, sym-bolon significava a reuni\u00e3o de dois fraguimentos de um objeto, cada um em poder de um indiv\u00edduo, a quem servia de contra-senha. A partir desta etnologia, o s\u00edmbolo caracterizava-se como um sinal que combina dois aspectos da realidade: um objetivo; outro, subjetivo. A sua finalidade \u00e9 formular uma experi\u00eancia. Poderia definir-se como representa\u00e7\u00e3o de uma aus\u00eancia; de alguma coisa a qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chegar por outro caminho. Conforme a experi\u00eancia, o s\u00edmbolo pode evocar uma recorda\u00e7\u00e3o (anamnese), produzir um desabafo (cat\u00e1rtico), incarnar um anseio (prof\u00e9tico) ou revelar uma presen\u00e7a (epif\u00e2nico)1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo religioso, o termo s\u00edmbolo aplica-se tanto as formas concretas mediante as quais determinadas religi\u00e3o se explicita, quanto ao modo de conhecer, de intuir e de representar dados pr\u00f3prios da experi\u00eancia religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma particularidade importante do s\u00edmbolo religioso \u00e9 o rito, que pode ser definido como a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, constitu\u00edda de gesto ou palavra interpretativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00edmbolo exerce, pois n\u00e3o apenas um papel matricial que o situa na origem de toda linguagem, mas ele interv\u00e9m tamb\u00e9m como elemento mediador em todas em todas as rela\u00e7\u00f5es que o homem entret\u00e9m com o mundo que o cerca e com o outro, bem como naquelas rela\u00e7\u00f5es que ele estabelece com o divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confrontando essa concep\u00e7\u00e3o com as preocupa\u00e7\u00f5es levantadas em torno da import\u00e2ncia do s\u00edmbolo no processo educacional, deparamos com tamanha complexidade, sobretudo vivendo num tempo em que o s\u00edmbolo \u00e9 visto como uma amea\u00e7a, retrocesso, algo desnecess\u00e1rio e portanto banalizado. A cultura da banaliza\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das maiores cr\u00edticas que se pode fazer ao nosso modo de celebrar, \u00e9 n\u00e3o ser verdadeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a nossa realidade crist\u00e3-formativa-presbiteral, alguns desafios s\u00e3o prementes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A. Como articular na celebra\u00e7\u00e3o o rito e o s\u00edmbolo para que ambos n\u00e3o percam a finalidade e a experi\u00eancia dos envolvidos?<br \/>\nB. Que linguagem usar?<br \/>\nC. Como apresent\u00e1-lo?<br \/>\nD. O que transmitir?<br \/>\nE. Como viver para chegar a ser significativos?<br \/>\nF. Onde est\u00e1 a autenticidade dos ritos nos s\u00edmbolos e dos s\u00edmbolos nos ritos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 not\u00e1vel a media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica na religi\u00e3o e ao mesmo tempo a percebemos como um sistema de s\u00edmbolos. A f\u00e9 para encontrar sua corporifica\u00e7\u00e3o na vida necessita dos s\u00edmbolos, com isso a religi\u00e3o \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No congresso internacional para a vida consagrada, quando trata da capacidade simb\u00f3lica com base na autencidade de nossa vida, afirma que: \u201ccomo passar do tempo, perdemos a nossa capacidade simb\u00f3lica. O mundo dos s\u00edmbolos no qual vivemos pede-nos uma adapta\u00e7\u00e3o s\u00e9ria no \u00e2mbito da significa\u00e7\u00e3o. A falta de imagina\u00e7\u00e3o ou o medo transforma-nos em meros conservadores de sinais j\u00e1 insignificantes ou de mero valor museol\u00f3gico ou folcl\u00f3rico. Faltam express\u00f5es apropriadas dos aut\u00eanticos valores encarnados e vividos na vida consagrada\u201d (n\u00ba 105)2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o intrumentum laboris do s\u00ednodo sobre a vida consagrada j\u00e1 alertava que \u201ca nossa vida desempenha no interior da sociedade uma fun\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, simb\u00f3lica e transformadora\u201d (IL 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que a ritualidade \u00e9 a linguagem pr\u00f3pria da liturgia. Ela \u00e9 a\u00e7\u00e3o feita de palavras, sinais, gestos, s\u00edmbolos e movimentos impulsionados por uma for\u00e7a interior. Dessa forma, a gra\u00e7a de Deus e a atitude interior de f\u00e9 se transformam em rito e em sinal sacramental. logo educar-se para uma ritualidade digna e expressiva, pressup\u00f5e mais do que limitar-se \u201cao m\u00ednimo necess\u00e1rio\u201d em vista da realidade exterior com a atitude interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale recordar que \u201cnormalmente, as novas gera\u00e7\u00f5es recebem a tradi\u00e7\u00e3o ritual dos \u2018velhos\u2019, \u2018anci\u00e3os e anci\u00e3s\u2019, da gera\u00e7\u00e3o anterior. O problema \u00e9 que s\u00e9culos de racionalismo e tecnicismo \u2018vacinaram\u2019 contra os s\u00edmbolos, os mitos e os ritos, por consider\u00e1-los ultrapassados, n\u00e3o \u2018cient\u00edficos\u2019. E agora, s\u00e3o poucas as pessoas capazes de realizar e \u2018curtir\u2019 um rito, sentir prazer, viv\u00ea-lo em profundidade, deixando-se atingir por inteiro. Sobrou um frio ritualismo: liturgias realizadas de modo formal, sem alma, sem cora\u00e7\u00e3o, sem prazer e at\u00e9 sem entendimento. Da\u00ed a necessidade de reaprender, de educar para a \u2018ritualidade\u2019 da liturgia, para a capacidade de viver as a\u00e7\u00f5es rituais \u2018na inteireza do ser\u201d3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos aprender com quem n\u00e3o perdeu ou recuperou a sensibilidade ritual: povos ind\u00edgenas, grupos de afro-descendentes, devotos da religi\u00e3o popular e at\u00e9 com atitudes espont\u00e2neas da vida cotidiana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Benedito Ara\u00fajo Guajar\u00e1-Mirim-RO O conceito de s\u00edmbolo integra-se no mais geral de sinal, que pode ser definido como um meio de conhecimento indireto, ou seja, como uma realidade que, ao ser conhecida, conduz ao conhecimento de outra. Essa realidade de sinal pode ser compreendida como a\u00e7\u00e3o, objeto ou situa\u00e7\u00e3o. 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