{"id":839776,"date":"2018-12-27T07:01:12","date_gmt":"2018-12-27T09:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=839776"},"modified":"2021-09-17T12:20:26","modified_gmt":"2021-09-17T15:20:26","slug":"comunidades-quilombolas-na-diocese-de-guajara-mirim-importancia-referencias-e-conquistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/comunidades-quilombolas-na-diocese-de-guajara-mirim-importancia-referencias-e-conquistas\/","title":{"rendered":"Comunidades Quilombolas na Diocese de Guajar\u00e1 Mirim: Import\u00e2ncia Referencias e Conquistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Dom Benedito Ara\u00fajo<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Bispo da Diocese de Guajar\u00e1-Mirim-RO<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A historia das comunidades quilombolas est\u00e1 intimamente ligadas a historia do Brasil quando, no come\u00e7o da sua estrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica seguiu a op\u00e7\u00e3o pelo processo escravagista que levou ao cativeiro primeiramente os povos ind\u00edgenas e posteriormente os povos africanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais tr\u00e1gico em tudo isso \u00e9 \u201ca novidade perversa implementada nas Am\u00e9ricas e no continente africano, que reverte \u00e0 forma cl\u00e1ssica e medieval da escravid\u00e3o, est\u00e1 no fato de que o escravo \u00e9 despossu\u00eddo da sua humanidade. Ou seja, mais do que propriedade do \u201csenhor\u201d, o escravo n\u00e3o \u00e9 dotado de natureza humana &#8211; ou possui de modo inferior, pr\u00f3ximo \u00e0 animalidade \u201d (Cf. Estudos da CNBB 105 n\u00ba 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na historiografia brasileira nos seus per\u00edodos hist\u00f3ricos da col\u00f4nia, imp\u00e9rio e republica \u00e9 marcada pela escravid\u00e3o; e uma das formas originais de rea\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o t\u00edpica da parte dos negros foram os agrupamentos quilombolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quilombos eram espa\u00e7os de liberdade onde negros, \u00edndios e brancos pobres, juntos gestavam, sonhavam o amanh\u00e3 do Brasil, motivando assim a troca de experi\u00eancias religiosas diferenciadas que caracterizavam a religiosidade popular brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso \u00e9 importante considerar a resist\u00eancia das comunidades quilombolas, a riqueza dos valores que elas vivenciam e nos transmite e a vivencia indenit\u00e1ria cultural e aberta ao di\u00e1logo com as outras culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Estado de Rond\u00f4nia, a maioria das comunidades quilombolas est\u00e3o concentradas na jurisdi\u00e7\u00e3o territorial da Diocese de Guajar\u00e1 Mirim. Entre elas destaco: Pedras Negras, Seu Jesus, Forte Pr\u00edncipe da Beira, Santo Ant\u00f4nio, Santa F\u00e9 etc. S\u00e3o comunidades quilombolas formadas por escravos fugitivos e procedentes de outros quilombos, de outros estados, que chegaram e se instalaram nas margens do Vale do Guapor\u00e9 e firmes e resistentes ainda hoje s\u00e3o incans\u00e1veis na luta pelos seus direitos, principalmente o direito da titulariza\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A devo\u00e7\u00e3o- religiosa tipicamente quilombola, e tamb\u00e9m a maior festa da Diocese de Guajar\u00e1 Mirim \u00e9 a tradicional Festa do Divino Espirito Santo sob os cuidados da Irmandade do Divino Espirito Santo; esta festa teve sua comemora\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria em 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em dezembro de 2018 a Comunidade Quilombola de Santa F\u00e9 no Munic\u00edpio de Costa Marques, vivenciou um tempo memor\u00e1vel! Finalmente depois de um processo longo e doloroso receberam o titulo definitivo de suas terras, 1.452 Hectares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma comunidade quilombola de 41 fam\u00edlias localizada na margem direita do Rio Guapor\u00e9, na divisa do Brasil e da Bol\u00edvia, pr\u00f3xima ao munic\u00edpio de Costa Marques, \u00e0 713 km de Porto Velho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comunidade quase desapareceu em 1987 quando um fazendeiro a \u00e1rea, obrigando a vender as posses, expulsando os resistentes com pistoleiros e queimando as casas. Por\u00e9m conseguiram corajosa defesa dos irm\u00e3os dom Geraldo Verdier \u2013 saudosa memoria &#8211; Bispo da Diocese de Guajar\u00e1 Mirim e Pe Paulo Verdier, P\u00e1roco de Costa Marques, que sofreram amea\u00e7as de morte. Mas com o apoio da comunidade e dos defensores da causa conseguiram recuperar parte do seu territ\u00f3rio tradicional, retornando ao mesmo as fam\u00edlias com possibilidade de reconstru\u00edrem suas casas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quilombolas nas suas comunidades tem uma identidade conquistada, n\u00e3o podemos esquecer que nossa \u201caproxima\u00e7\u00e3o desta cultura rica e diversa na perspectiva evangelizadora \u00e9 uma tarefa urgente. Compreende os princ\u00edpios do cuidado diante das situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social; do di\u00e1logo frente a uma forma de vida diferenciada, compromisso evang\u00e9lico, pois o anuncio do Reino \u00e9 o horizonte \u00faltimo\u201d (Idem 183. D).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Benedito Ara\u00fajo Bispo da Diocese de Guajar\u00e1-Mirim-RO A historia das comunidades quilombolas est\u00e1 intimamente ligadas a historia do Brasil quando, no come\u00e7o da sua estrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica seguiu a op\u00e7\u00e3o pelo processo escravagista que levou ao cativeiro primeiramente os povos ind\u00edgenas e posteriormente os povos africanos. 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