{"id":858561,"date":"2021-10-27T12:15:33","date_gmt":"2021-10-27T15:15:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=858561"},"modified":"2021-10-27T14:05:45","modified_gmt":"2021-10-27T17:05:45","slug":"defuntos-na-terra-mas-cidadaos-do-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/defuntos-na-terra-mas-cidadaos-do-ceu\/","title":{"rendered":"Defuntos na terra, mas cidad\u00e3os do c\u00e9u!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Ant\u00f4nio de Assis<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos a Igreja Cat\u00f3lica, movida pela f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, nos convida a aprofundar o sentido da morte, bem como, a fazer mem\u00f3ria daqueles que nos deixaram. O amor tem mem\u00f3ria e, por isso, n\u00e3o podemos esquecer aqueles que amamos. Visto que o amor \u00e9 infinito, aqueles que amamos nesta vida, ao partirem para a eternidade, permanecem vivos em nossos cora\u00e7\u00f5es. Por isso, falamos de vida eterna!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque estamos certos de quem amou a Deus e aos irm\u00e3os nesta vida, ap\u00f3s a morte viver\u00e1 na eternidade, ent\u00e3o continuaremos a am\u00e1-los, a record\u00e1-los, a imitar suas virtudes! A mesma f\u00e9 que os animou a viver com dignidade neste mundo, tamb\u00e9m nos estimula a fazer o bem para um dia nos reencontrarmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 \u00e9 gr\u00e1vida de esperan\u00e7a e nos projeta para a vida eterna, onde toda limita\u00e7\u00e3o \u00e9 superada! A morte \u00e9 o fim das limita\u00e7\u00f5es terrenas. A Palavra de Deus nos consola<strong>: <\/strong>ap\u00f3s a morte n\u00e3o haver\u00e1 mais morte; n\u00e3o haver\u00e1 mais choro, nem grito, nem dor&#8230; Tudo passou e passamos para uma nova vida (cf. Ap 21,4). Tudo passa! Passam os problemas, as doen\u00e7as, os defeitos, as crises, os conflitos, as dores, a vergonha, as ang\u00fastias, as preocupa\u00e7\u00f5es desta vida terrena.<\/p>\n<p>O sentido da mem\u00f3ria dos finados<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar o dia dos finados \u00e9 renovar a esperan\u00e7a na vida eterna. No dia de \u201cfinados\u201d somos chamados a refletir sobre o sentido da vida e da morte! A morte, sem d\u00favida, \u00e9 o fen\u00f4meno mais misterioso que tanto nos chama a aten\u00e7\u00e3o, nos instiga, provoca, amedronta e entristece. Todavia, aos olhos da f\u00e9, a morte \u00e9 transforma\u00e7\u00e3o: \u201cn\u00e3o morreremos todos, mas todos seremos transformados\u201c (1Cor 15,51). Aos olhos da f\u00e9 a morte \u00e9 passagem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte \u00e9 advert\u00eancia sobre o sentido da vida! \u201cN\u00e3o se esque\u00e7a: da morte n\u00e3o h\u00e1 retorno\u201d (Eclo 38,21). Isso significa que s\u00f3 h\u00e1 uma edi\u00e7\u00e3o da vida terrena; n\u00e3o podemos \u201cbrincar de viver!\u201d, n\u00e3o nos foi permitido ter tempo para ensaiar a vida! Desde o momento em que nascemos j\u00e1 entramos no palco da apresenta\u00e7\u00e3o da vida contracenando com muitos sujeitos, sendo assistidos por uns, acompanhados por outros, servindo e amando a todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sentido da vida est\u00e1 na experi\u00eancia do amor, na sa\u00edda de si, na experi\u00eancia da amizade, na benefic\u00eancia gratuita. Quem se apega a si mesmo se esvazia na idolatria materialista e acaba na desgra\u00e7a da solid\u00e3o (cf. Lc 16). O desejo de vida eterna faz a gente dar sentido para tudo aquilo que somos, temos, fazemos e nos estimula a qualificar nossos projetos e op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os finados e o sentido da vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia da medita\u00e7\u00e3o a respeito dos \u201cfinados\u201d nos oportuniza aprofundar a qualidade da nossa vida terrena. Para S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, a reflex\u00e3o sobre a morte era vista como uma necessidade pedag\u00f3gica em vista do bem viver. Para ele, que gastou sua vida entregue \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o de adolescentes e jovens pobres, a reflex\u00e3o sobre a morte era de fundamental import\u00e2ncia para que a vida pudesse ser mais valorizada e bem vivida. Por isso, todos os meses, promovia um retiro com seus alunos, ao qual chamava de \u201cretiro da boa morte\u201d. A boa morte \u00e9 a conclus\u00e3o de uma vida boa, bem vivida, vida santa! A reflex\u00e3o sobre a nossa morte nos leva a pensar no sentido da nossa vida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o somos chamados a pensar no sentido e na qualidade da nossa hist\u00f3ria. Por isso o Eclesiastes refletia sobre a fugacidade da vida: \u201cVaidade das vaidades, tudo \u00e9 vaidade&#8230;\u201d Tudo \u00e9 fugaz! Por isso, que proveito tira o homem de todo o trabalho e as fadigas de sua exist\u00eancia? (cf. Ecle 1,2-4).<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o pelos fieis defuntos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fomos criados para a eternidade.\u00a0 Nascemos de Deus, imortal, nossa fonte (cf. 1Pd 1,23) e, por isso, somos projetados para a imortalidade! \u00c9 isso que nos assegura a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e na Vida eterna: seremos revestidos de incorruptibilidade e imortalidade (cf. 1Cor 15,54); superada a corrup\u00e7\u00e3o material, vir\u00e1 a experi\u00eancia da imortalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja n\u00e3o reza pelos mortos, mas ora pelos fieis defuntos! H\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre essas express\u00f5es. Para quem tem f\u00e9, a morte n\u00e3o \u00e9 o fim, n\u00e3o \u00e9 o fracasso do ser! Por isso, na perspectiva teol\u00f3gica \u00e9 prefer\u00edvel, o termo \u201cdefunto\u201d, voc\u00e1bulo que significa aquele que foi tirado de sua fun\u00e7\u00e3o, destitu\u00eddo de uma atribui\u00e7\u00e3o, que perdeu a sua miss\u00e3o, um cargo. De fato, defunto \u00e9 aquele que perdeu todas as suas responsabilidades terrenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte \u00e9 passagem para outra vida; \u00e9 outro nascimento! \u201cOs insensatos pensavam que a partida dos justos do nosso meio era um aniquilamento, mas agora est\u00e3o na paz. As pessoas pensavam que os justos estavam cumprindo uma pena, mas esperavam a imortalidade\u201d (Sb 3,3-4). Aos olhos de quem tem f\u00e9 a morte n\u00e3o \u00e9 desgra\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte \u00e9 a dissolu\u00e7\u00e3o da tenda terrena (o corpo): \u201csabemos que, se a nossa habita\u00e7\u00e3o terrestre, esta tenda em que vivemos (corpo), for dissolvida (morrer), possu\u00edmos uma casa que \u00e9 obra de Deus (outro corpo), uma eterna morada nos c\u00e9us, que n\u00e3o \u00e9 feita pela m\u00e3o humana\u201d (2Cor 5,1). Jesus Cristo animou os seus disc\u00edpulos dizendo: \u201cQue o vosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se perturbe; na casa do meu Pai h\u00e1 muitas moradas. Eu vou para preparar o lugar\u201d (Jo 14,1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte \u00e9 a chegada o ponto m\u00e1ximo da nossa peregrina\u00e7\u00e3o terrena, a sua conclus\u00e3o. Somos peregrinos, por isso, de outra forma a vida continua e com outro dinamismo surpreendente. Sim, a morte nos faz finados, falecidos e defuntos para este mundo, mas cidad\u00e3os dos c\u00e9us, a nossa p\u00e1tria definitiva (cf. Fl 3,20-21); \u00e9 para l\u00e1 que caminhamos e a morte \u00e9 a porta de entrada nessa nova realidade. Precisamos ent\u00e3o suplicar o dom da f\u00e9 para viver nossa vida terrena como etapa preparat\u00f3ria para o encontro com a nossa plenitude que ser\u00e1 uma grande surpresa para quem foi bom e fez o bem nesta vida. O dia dos finados nos adverte para o viver com dignidade porque a vida \u00e9 curta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque a nossa f\u00e9 nos une na mesma esperan\u00e7a e no mesmo amor, oramos pelos fieis defuntos. S\u00e3o fieis porque fazem parte da Igreja triunfante. Atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e dos v\u00ednculos de amor e amizade nos mantemos unidos a eles em vista do reencontro definitivo. Foi por esse motivo que Judas Macabeu estimulou os fieis \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pelos falecidos em batalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEle agiu com grande retid\u00e3o e nobreza, pensando na ressurrei\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o tivesse esperan\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o dos que tinham morrido na batalha, seria coisa in\u00fatil e tola rezar pelos mortos. Mas, considerando que existe uma bela recompensa guardada para aqueles que s\u00e3o fi\u00e9is at\u00e9 \u00e0 morte, ent\u00e3o esse \u00e9 um pensamento santo e piedoso. Por isso, mandou oferecer um sacrif\u00edcio pelo pecado dos que tinham morrido, para que fossem libertados do pecado\u201d (2Mac 12,42-45). Portanto, alimentados pela mesma esperan\u00e7a e movidos pelo mesmo bem-querer continuemos a orar pelos nossos falecidos. Eles s\u00e3o defuntos para a sociedade, mas cidad\u00e3os dos c\u00e9us!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PARA REFLEX\u00c3O PESSOAL:<\/p>\n<p>O que a reflex\u00e3o sobre a morte lhe provoca?<\/p>\n<p>Por que o fen\u00f4meno da morte nos convoca a refletir sobre o sentido da Vida?<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o rezamos pelos mortos, mas oramos pelos \u201cfieis defuntos\u201d? Onde est\u00e1 a diferen\u00e7a?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Ant\u00f4nio de Assis Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) &nbsp; Todos os anos a Igreja Cat\u00f3lica, movida pela f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, nos convida a aprofundar o sentido da morte, bem como, a fazer mem\u00f3ria daqueles que nos deixaram. 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