{"id":858622,"date":"2021-10-28T11:03:01","date_gmt":"2021-10-28T14:03:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=858622"},"modified":"2021-10-28T11:07:51","modified_gmt":"2021-10-28T14:07:51","slug":"a-vida-nao-e-tirada-mas-transformada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-vida-nao-e-tirada-mas-transformada\/","title":{"rendered":"A vida n\u00e3o \u00e9 tirada, mas transformada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jaime Vieira Rocha<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Natal (RN)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aproxima-se o dia de Finados. Vamos celebrar a vida que brota da morte, fazendo mem\u00f3ria dos nossos entes queridos. No dia 2 de novembro a Igreja nos exorta a que nunca esque\u00e7amos que os que creem em Deus \u201c<em>a vida n\u00e3o \u00e9 tirada, mas transformada<\/em>\u201d. N\u00e3o se trata de uma outra vida, mas da nossa vida que, assumida por Deus, torna-se plena e glorificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ser\u00e1 um dia de ora\u00e7\u00e3o pelos nossos mortos. Um dia de deixarmos a saudade falar mais alto. N\u00e3o deve ser um dia de tristeza, embora a aus\u00eancia dos que amamos nos fa\u00e7a sofrer. \u00c9 um dia de esperan\u00e7a. De fato, em rela\u00e7\u00e3o ao al\u00e9m devemos confessar nossa \u201cdocta ignorantia\u201d, isto \u00e9, nada sabemos do mundo depois da morte. Com ela tem fim a hist\u00f3ria categorial de nosso conhecimento, das experi\u00eancias sens\u00edveis, da pr\u00e1xis que produz, das escolhas pautadas na liberdade, das decis\u00f5es que se submetem \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do tempo e do espa\u00e7o. A morte \u201c\u00e9 um evento que interessa todo o homem\u201d. Ela \u00e9 um acontecimento universal, natural e pessoal. Na experi\u00eancia dos fi\u00e9is crist\u00e3os a morte pode ou deve ser vivida na contempla\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Assim se expressa o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica: \u201cela \u00e9 o t\u00e9rmino da vida terrestre\u201d (n. 1007), \u201c\u00e9 consequ\u00eancia do pecado\u201d (n. 1008), ela \u201c\u00e9 transformada por Cristo\u201d (n. 1009). Como homens e mulheres de f\u00e9 cremos que \u201c<em>a morte \u00e9 cume do processo em que se recebe e opera a salva\u00e7\u00e3o, se pensamos que a morte, enquanto ato do homem, \u00e9 o evento que recolhe no \u00fanico cumprimento o inteiro ato da vida, e se pensamos que na morte acontece \u2018pragmaticamente\u2019 o que misticamente j\u00e1 aconteceu nos pontos salientes sacramentais da exist\u00eancia crist\u00e3, no Batismo e na Eucaristia, o que \u00e9 a assimila\u00e7\u00e3o \u00e0 morte do Senhor\u201d. <\/em>Para a f\u00e9 da Igreja<em> \u201co que recebemos \u2018sacramentalmente\u2019, acontece \u2018realmente\u2019 na morte pessoal: a participa\u00e7\u00e3o na morte do Senhor<\/em>\u201d (Karl Rahner. O sentido teol\u00f3gico da morte, p. 64-65).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis o que devemos ter sempre presente. Por meio da f\u00e9, por causa de nossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo, porque o Esp\u00edrito de Deus habita em n\u00f3s, o nosso olhar para o evento da morte \u00e9 um olhar teol\u00f3gico, isto \u00e9, iluminado pela Revela\u00e7\u00e3o divina. Atentemos, portanto, ao sentido teol\u00f3gico da morte. Nunca nos deixemos levar por influencias macabras ou de terror no que diz respeito \u00e0 morte. Nem pensemos em assombra\u00e7\u00f5es apavorantes. A morte n\u00e3o leva ningu\u00e9m para um lugar em que a alma se torna dispon\u00edvel para trazer-nos experiencias de medo ou que nos faz presas f\u00e1ceis de um sobrenaturalismo irracional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Porque celebramos num dia, 2 de novembro, a mem\u00f3ria dos \u201cfi\u00e9is falecidos\u201d, e o fazemos na Eucaristia, \u00e9 a Liturgia da Igreja a trazer ilumina\u00e7\u00e3o para o nosso entendimento correto sobre o significado da morte: \u201c<em>&#8230; por vossa senten\u00e7a, retornamos \u00e0 terra por causa do pecado. Mas, salvos pela morte de vosso Filho, ao vosso chamado despertaremos para a ressurrei\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (MISSAL ROMANO. Pref\u00e1cio dos fi\u00e9is defuntos IV); \u201c<em>E, desfeito o nosso corpo mortal, nos \u00e9 dado, nos c\u00e9us, um corpo imperec\u00edvel<\/em>\u201d (MISSAL ROMANO. Pref\u00e1cio dos fi\u00e9is defuntos I); \u201c<em>Um por todos, ele [Cristo Jesus] aceitou morrer na cruz para nos livrar a todos da morte<\/em>\u201d (MISSAL ROMANO. Pref\u00e1cio dos fi\u00e9is defuntos II); \u201c<em>Por nossa culpa, somos condenados a morrer; mas, quando a morte nos atinge, vosso amor de Pai nos salva. Redimidos pela morte de vosso Filho, participamos de sua ressurrei\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (MISSAL ROMANO. Pref\u00e1cio dos fi\u00e9is defuntos V). E tudo isso, porque \u201c<em>Ele \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o do mundo. Ele \u00e9 vida dos homens e das mulheres. Ele \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos<\/em>\u201d (MISSAL ROMANO. Pref\u00e1cio dos fi\u00e9is defuntos III).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Vieira Rocha Arcebispo de Natal (RN) &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aproxima-se o dia de Finados. 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