{"id":858729,"date":"2021-11-01T13:39:40","date_gmt":"2021-11-01T16:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=858729"},"modified":"2021-10-29T13:42:21","modified_gmt":"2021-10-29T16:42:21","slug":"dom-joao-justino-cristo-morrendo-destruiu-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-joao-justino-cristo-morrendo-destruiu-a-morte\/","title":{"rendered":"Cristo morrendo, destruiu a morte"},"content":{"rendered":"<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo Metropolitano de Montes Claros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">A hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es atesta como nas diversas culturas se encontram rituais para os mortos. Estudos antropol\u00f3gicos apontam os ritos funerais como dos mais antigos. Cuidados com os defuntos, formas de sepultamento, urnas e vasos funer\u00e1rios, sarc\u00f3fagos, t\u00famulos cavados nas pedras, sepulturas e outros s\u00e3o indicativos de como o ser humano ritualiza a morte. Esse, diante da morte, tende a amenizar n\u00e3o apenas a dor pela perda de seus entes queridos, mas tende a afastar para longe a hora da pr\u00f3pria morte, pois se existe uma certeza para aquele que nasceu \u00e9 a certeza de que morrer\u00e1. Tal evid\u00eancia inc\u00f4moda foi expressa pelo fil\u00f3sofo Martin Heidegger com a afirma\u00e7\u00e3o de que o \u201cser humano \u00e9 um ser para a morte\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Em tempos hodiernos, se a morte parece ser um pouco mais adi\u00e1vel, considerando os avan\u00e7os e recursos das ci\u00eancias m\u00e9dicas, quando ela chega \u00e9 hora de lidar com os ritos funer\u00e1rios. Embora haja uma tend\u00eancia recente de disfar\u00e7ar a morte, afastando-a do ambiente familiar, instituindo vel\u00f3rios tem\u00e1ticos para celebrar os gostos da pessoa falecida ou espalhando as cinzas de um corpo cremado em lugares especiais, \u00e9 ineg\u00e1vel que o an\u00fancio de um \u00f3bito traz sempre para algu\u00e9m l\u00e1grimas e interpela\u00e7\u00f5es existenciais. Nesse momento, emerge para muitos a pergunta pelo sentido da vida.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">A f\u00e9 crist\u00e3 celebra a morte de seus fi\u00e9is com os olhos fixos no Ressuscitado. Certamente foi com esse olhar que os monges de Cluny, nos anos finais do primeiro mil\u00eanio, introduziram a celebra\u00e7\u00e3o de uma missa solene no dia 2 de novembro, na inten\u00e7\u00e3o de todos os mortos que dormem em Cristo. O Papa Silvestre II (999-1003) recomendou e estimulou essa iniciativa que se espalhou para diferentes regi\u00f5es, at\u00e9 que o Papa Bento XV, no contexto da Primeira Guerra Mundial, estendeu a toda a Igreja a possibilidade de cada sacerdote celebrar nesse dia tr\u00eas missas, das quais uma deveria ser na inten\u00e7\u00e3o de todos os defuntos.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Para os crist\u00e3os, a celebra\u00e7\u00e3o de Finados \u00e9 revestida de um tom pascal. A Boa-Nova de Jesus Cristo \u00e9 a vit\u00f3ria sobre a morte. O Filho de Deus assumiu nossa condi\u00e7\u00e3o em tudo, at\u00e9 a morte. Mas a venceu a partir de dentro. N\u00e3o fugiu da morte, mas a tomou nas m\u00e3os para venc\u00ea-la. Iluminados pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, os crist\u00e3os creem que n\u00e3o nasceram para morrer, mas para ressuscitar: \u201cAssim, como todos morrem em Ad\u00e3o, em Cristo todos receber\u00e3o a vida\u201d (1Cor 15,22). A Igreja, por sua vez, ora com essas palavras no Pref\u00e1cio da P\u00e1scoa I: \u201cCristo, nossa P\u00e1scoa, foi imolado. Morrendo, destruiu a morte, e, ressurgindo, deu-nos a vida\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Desde o in\u00edcio do ano 2020, no mundo inteiro, milh\u00f5es de pessoas morreram em raz\u00e3o da pandemia da COVID-19. Somente o Brasil j\u00e1 sepultou mais de 600 mil pessoas v\u00edtimas do novo coronav\u00edrus. O respeito aos mortos se estende na solidariedade com os enlutados. N\u00e3o podemos esquecer seus nomes, suas hist\u00f3rias, seus feitos. Fazer mem\u00f3ria dos mortos pela visita aos cemit\u00e9rios ou pela ora\u00e7\u00e3o em casas ou igrejas \u00e9 reconhecer que h\u00e1 in\u00fameros cora\u00e7\u00f5es feridos pela morte das pessoas amadas. \u00c9 tocar a mais cruel das verdades: somos mortais. Mas \u00e9, tamb\u00e9m, renovar a mais genu\u00edna profiss\u00e3o de f\u00e9 crist\u00e3: Creio, Senhor, na ressurrei\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" align=\"right\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo Metropolitano de Montes Claros &nbsp; A hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es atesta como nas diversas culturas se encontram rituais para os mortos. Estudos antropol\u00f3gicos apontam os ritos funerais como dos mais antigos. 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