{"id":858924,"date":"2021-11-04T11:28:49","date_gmt":"2021-11-04T14:28:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=858924"},"modified":"2021-11-04T11:30:40","modified_gmt":"2021-11-04T14:30:40","slug":"vivendo-e-vencendo-o-luto-em-tempos-de-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vivendo-e-vencendo-o-luto-em-tempos-de-covid\/","title":{"rendered":"Vivendo e vencendo o luto em tempos de Covid"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Carlos Jos\u00e9<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Apucarana (PR)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Senhor est\u00e1 perto dos contritos de cora\u00e7\u00e3o, e salva os que t\u00eam o esp\u00edrito abatido\u201d (SL 33,19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA pandemia trouxe \u00e0 tona duas situa\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas: do individualismo desenfreado passou-se a pensar como uma sociedade coletiva. Do eu ao n\u00f3s, onde todos passaram a ser respons\u00e1veis uns pelos outros. T\u00e3o acostumados est\u00e1vamos a pensar somente em nossas necessidades e desejos que, assombrados por um v\u00edrus invis\u00edvel, mas de profunda for\u00e7a destruidora, fomos for\u00e7ados a rever nossas prioridades e o modo como enxergamos a vida e o que fazemos dela. Percebemos que somos fr\u00e1geis, suscet\u00edveis demais aos acontecimentos contempor\u00e2neos e, o que mais gera medo e incertezas: percebemos que somos finitos. Tomamos consci\u00eancia de que a morte, a dor e o luto s\u00e3o mais pr\u00f3ximos de n\u00f3s do que gostar\u00edamos ou imagin\u00e1vamos que fossem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o, as mortes eram espor\u00e1dicas e distantes de n\u00f3s, mas, ao passar do tempo a doen\u00e7a e suas consequ\u00eancias chegaram muito perto: da morte de pessoas desconhecidas e distantes, muitos de n\u00f3s sofreram na alma e no cora\u00e7\u00e3o a perda de algu\u00e9m bem pr\u00f3ximo, familiares, amigos, filhos, pais, enfim, as perdas de vidas ligadas \u00e0 nossa intimidade cotidiana. E a morte desencadeia in\u00fameras sensa\u00e7\u00f5es, \u00e0s quais denominamos luto, e nele est\u00e1 embutido v\u00e1rios sentimentos, que podem diferir de pessoa para pessoa, mas que no final, demonstra a dor da perda e da separa\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O luto \u00e9 um sentimento extremamente pessoal e particular e viv\u00ea-lo \u00e9 essencial para dar continuidade \u00e0 vida. Elaborar o luto \u00e9 viver os sentimentos da forma como eles s\u00e3o: uns choram, outros se reservam no sil\u00eancio, alguns necessitam falar e expressar seus sentimentos, outros ainda se revoltam, se enraivecem ou se isolam. Cada ser humano tem um jeito pr\u00f3prio de viver esse tempo de tristeza e pesar. Viver o luto \u00e9 um processo e cada pessoa tem seu tempo e seu espa\u00e7o para superar, passo \u00e0 passo e poder retornar ao cotidiano. Embora a morte seja uma certeza para todos, a verdade \u00e9 que ningu\u00e9m est\u00e1 preparado para perder o outro nem t\u00e3o pouco para desapegar facilmente de quem lhe \u00e9 pr\u00f3ximo. Se sentimos a morte de tantas pessoas desconhecidas pela covid, quanto mais ser\u00e1 dolorido a partida dos que est\u00e3o ao nosso lado. H\u00e1 que se compreender que o luto n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a e sim uma resposta natural a um evento traum\u00e1tico da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tristes experi\u00eancias da supress\u00e3o ou da inexist\u00eancia dos rituais f\u00fanebres, vel\u00f3rios e despedidas, onde o consolo dos abra\u00e7os dos amigos e familiares, as palavras de conforto, as ora\u00e7\u00f5es e ex\u00e9quias serviam de b\u00e1lsamo e alento, deixou exposto, de forma l\u00edmpida, a import\u00e2ncia espiritual e psicol\u00f3gica das cerimonias f\u00fanebres de despedidas. Seguir em frente \u00e9 necess\u00e1rio e, sem esses rituais importantes devemos enxergar outras formas de viver esse momento, lembrando que o conforto espiritual \u00e9 essencial tamb\u00e9m nessas situa\u00e7\u00f5es de dor e tristeza, pois \u00e9 a f\u00e9 que sustenta a caminhada sem a presen\u00e7a da pessoa da qual sentimos falta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o devemos morrer de saudades e sim, viver a saudade fazendo mem\u00f3rias e lembrando dos bons momentos, passagens felizes, frases marcantes, tamb\u00e9m recordando dos ensinamentos recebidos; oferecer missas e ora\u00e7\u00f5es pelas almas \u00e9 uma forma de querer bem e desejar que elas encontrem a alegria de estarem na eternidade com o Criador, e agradecer a Deus pelo privil\u00e9gio de ter vivido com essa pessoa, s\u00e3o formas de amenizar a dor da falta de despedida. Tamb\u00e9m faz parte perdoar as m\u00e1goas e n\u00e3o se culpar pelo que poderia ter feito e n\u00e3o fez, perdoando-se e perdoando quem j\u00e1 se foi. \u00c9 salutar tamb\u00e9m partilhar a tristeza, sem medo e sem constrangimento de chorar e p\u00f4r para fora o que sufoca o cora\u00e7\u00e3o. Lembremos que Cristo, imensamente comovido pela dor dos familiares e amigos, tamb\u00e9m chorou a morte de L\u00e1zaro, seu amigo (Jo 11,35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passando por v\u00e1rias fases, chega o momento da aceita\u00e7\u00e3o do fato em si mesmo, quando em paz e com serenidade, o espa\u00e7o vazio causado pela perda \u00e9 preenchido pela esperan\u00e7a, pela certeza da comunh\u00e3o dos santos e da feliz ressurrei\u00e7\u00e3o em Cristo Jesus. \u201cEis que estou convosco todos os dias, at\u00e9 o final dos tempos\u201d (Mt 28, 20). Mais que um ensinamento de Jesus, \u00e9 uma promessa. Em toda e qualquer situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estamos sozinhos, o Pr\u00f3prio Cristo est\u00e1 conosco, nos ajudando a carregar o peso das nossas dores e afli\u00e7\u00f5es, lembrando que tudo \u00e9 passageiro, inclusive nossa vida e nossos sofrimentos. Pela sua Morte na Cruz, Jesus Cristo nos garantiu a gra\u00e7a de, juntos com Ele, vivermos por toda eternidade. Vida e morte caminham juntas, e \u00e9 a morte que faz a vida ser valiosa e melhor vivida, se queremos entrar em comunh\u00e3o com Jesus, no Reino Eterno. Amparados no abra\u00e7o maternal da Virgem Maria, coloquemos em Seu colo santo a vida dos que partiram antes de n\u00f3s, na certeza de que a morte n\u00e3o \u00e9 o fim, e sim nossa entrada na P\u00e1tria Celeste, onde, com os santos e santas, contemplaremos Jesus face a face. Vivamos o hoje com f\u00e9 e esperan\u00e7a, na certeza da presen\u00e7a de Cristo em meio a n\u00f3s, pois sua miseric\u00f3rdia \u00e9 infinita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Carlos Jos\u00e9 Bispo de Apucarana (PR) &nbsp; \u201cO Senhor est\u00e1 perto dos contritos de cora\u00e7\u00e3o, e salva os que t\u00eam o esp\u00edrito abatido\u201d (SL 33,19) A pandemia trouxe \u00e0 tona duas situa\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas: do individualismo desenfreado passou-se a pensar como uma sociedade coletiva. 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