{"id":858928,"date":"2021-11-04T11:34:19","date_gmt":"2021-11-04T14:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=858928"},"modified":"2021-11-04T11:35:18","modified_gmt":"2021-11-04T14:35:18","slug":"vida-e-dom-e-tarefa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vida-e-dom-e-tarefa\/","title":{"rendered":"Vida \u00e9 dom e tarefa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jaime Spengler<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Porto Alegre (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\n<\/strong><br \/>\nCuidar da vida e promover a vida! Eis o desafio sempre atual. A vida \u00e9 o que mais desejamos para todos. Reconhecemos que ela est\u00e1 envolvida pela dimens\u00e3o do mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>A t\u00e3o almejada vida saud\u00e1vel pressup\u00f5e o bem-estar f\u00edsico, mental, social e espiritual. Somos assim recordados a respeito de distintas dimens\u00f5es que comp\u00f5em a pr\u00f3pria exist\u00eancia humana. Nunca \u00e9 demais evocar a harmonia existente entre corpo e esp\u00edrito, pessoa e ambiente, personalidade e responsabilidade.<\/p>\n<p>A Carta dos Usu\u00e1rios da Sa\u00fade, em seu artigo 4\u00ba, afirma que \u201ctoda pessoa tem direito ao atendimento humanizado e acolhedor, realizado por profissionais qualificados, em ambiente limpo, confort\u00e1vel e acess\u00edvel a todos. \u00c9 direito da pessoa, na rede de servi\u00e7os de sa\u00fade, ter atendimento humanizado, acolhedor, livre de qualquer discrimina\u00e7\u00e3o, restri\u00e7\u00e3o ou nega\u00e7\u00e3o em virtude de idade, ra\u00e7a, cor, etnia, religi\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o sexual, identidade de g\u00eanero, condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ou sociais, estado de sa\u00fade, de anomalia, patologia ou defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A pessoa tem a dignidade de Deus, embora modelada pela fragilidade e precariedade. Ela carrega a marca da criaturalidade, ou seja, da depend\u00eancia e n\u00e3o a autossufici\u00eancia. Somos part\u00edcipes de algo que nos ultrapassa.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia pessoal deve, pois, ser considerada desde o momento em que a sua individualidade biol\u00f3gica \u00e9 posta no ser. Assim, uma pessoa de 80 anos foi uma crian\u00e7a de 5 anos, um beb\u00ea rec\u00e9m-nascido, um feto de 6 meses, e um embri\u00e3o apenas concebido. Em todas as fases, \u00e9 sempre o mesmo indiv\u00edduo, marcado por dignidade. Estamos j\u00e1 sempre diante de um ser humano, jamais diante de uma coisa. Por isso, a vida humana, em qualquer est\u00e1gio ou situa\u00e7\u00e3o em que se encontre, \u00e9 sagrada e inviol\u00e1vel. Seu desprezo \u00e9 algo deplor\u00e1vel e desprez\u00edvel.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 vida \u00e9 um direito fundamental, exigindo atitudes complementares, que s\u00e3o deveres a ele associados. Nobre tarefa a da t\u00e9cnica e da ci\u00eancia de, a partir da \u00e9tica, cuidar e promover a dignidade da vida humana em todas as suas fases.<\/p>\n<p>Nada justifica a dor de um luto da parte de muitos, express\u00e3o da ignor\u00e2ncia de alguns e falta de sensibilidade de outros que n\u00e3o reconhecem a vida como dom e tarefa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre (RS) Cuidar da vida e promover a vida! Eis o desafio sempre atual. A vida \u00e9 o que mais desejamos para todos. Reconhecemos que ela est\u00e1 envolvida pela dimens\u00e3o do mist\u00e9rio. A t\u00e3o almejada vida saud\u00e1vel pressup\u00f5e o bem-estar f\u00edsico, mental, social e espiritual. 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