{"id":859989,"date":"2021-11-25T15:50:54","date_gmt":"2021-11-25T18:50:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=859989"},"modified":"2021-11-25T15:56:41","modified_gmt":"2021-11-25T18:56:41","slug":"ranidade-pocal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ranidade-pocal\/","title":{"rendered":"&#8220;Ranidade po\u00e7al&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jacinto Bergmann<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Pelotas (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizem que: \u201cUma r\u00e3 passou toda sua vida num po\u00e7o. Um dia encontrou para sua surpresa uma outra r\u00e3. \u2018De onde vens\u2019, perguntou ela. \u2018Do mar, l\u00e1 eu vivo\u2019, respondeu a outra. \u2018Como \u00e9 o mar? Ele t\u00e3o grande quanto meu po\u00e7o?\u2019 A r\u00e3 do mar riu. \u2018Nem \u00e9 compar\u00e1vel\u2019, disse ela. A r\u00e3 do po\u00e7o fez como que estivesse interessada sobre o que a sua visitante tinha a descrever sobre o mar. Mas ela ficou pensando: \u2018Entre os mentirosos que eu conheci ao longo da minha vida, essa aqui sem d\u00favida \u00e9 a maior e a mais descarada\u2019. Conclui-se: \u2018Como se pode falar do oceano a uma r\u00e3 que vive no po\u00e7o?\u2019\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cultura da \u201cranidade po\u00e7al\u201d <em>(se me permitem criar esse neologismo: \u201cranidade\u201d de r\u00e3 e \u201cpo\u00e7al\u201d de po\u00e7o)<\/em> est\u00e1 muito presente nas pessoas humanas, em mim e em n\u00f3s. E como tem pessoas como a r\u00e3 vivendo enclausurados nos seus \u201cpo\u00e7os\u201d! Vale o \u201cseu mundo\u201d e n\u00e3o existem \u201coutros mundos\u201d. Vale a \u201csua realidade\u201d e n\u00e3o existem \u201coutras realidades\u201d. Como, ent\u00e3o, falar em outros mundos, em outras realidades a pessoas que se encerraram e se encerram na cultura da \u201cranidade po\u00e7al\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pessoas com cultura de \u201cranidade po\u00e7al\u201d tornam-se <strong>ego\u00edstas<\/strong>. Ensimesmadas, n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda para elas sen\u00e3o o ego\u00edsmo, pois tudo gira ao seu redor, do seu \u201cpo\u00e7o\u201d, do seu mundo, da sua realidade. Elas n\u00e3o tem como n\u00e3o fazer a \u201csoma do eu mais eu \u00e9 eu\u201d. Nessas pessoas, instaura-se um <strong>egocentrismo constante.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao contr\u00e1rio de uma cultura da \u201cranidade po\u00e7al\u201d, precisamos uma cultura da <strong>\u201csa\u00edda de si mesmo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pessoas com cultura de \u201cranidade po\u00e7al\u201d tornam-se <strong>julgadoras<\/strong>. Enclausuradas, acabam sempre julgando todas as outras pessoas, pois elas com outras vis\u00f5es s\u00e3o sempre \u201cmentirosas\u201d. Praticamente s\u00f3 existe a vis\u00e3o subjetiva, sem dar lugar para a vis\u00e3o objetiva de outros mundos, outras realidades. Nessas pessoas, instaura-se um <strong>relativismo cont\u00ednuo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao contr\u00e1rio de uma cultura da \u201cranidade po\u00e7al\u201d, precisamos uma cultura da <strong>\u201csa\u00edda de sua vis\u00e3o subjetiva\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pessoas com cultura de \u201cranidade po\u00e7al\u201d tornam-se <strong>estagnadas<\/strong>. Acomodadas, nada lhes \u00e9 poss\u00edvel acrescer a fim de sa\u00edrem de seu \u201cpo\u00e7o\u201d, seu mundo, sua realidade. A realidade al\u00e9m, com todas as suas fei\u00e7\u00f5es e que fazem crescer, n\u00e3o tem espa\u00e7o nelas. Nasce-se e cresce-se no tamanho do \u201cpo\u00e7o\u201d. Nessas pessoas, instaura-se um <strong>comodismo mortal.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao contr\u00e1rio de uma cultura da \u201cranidade po\u00e7al\u201d, precisamos uma cultura da <strong>\u201csa\u00edda do seu conforto ilus\u00f3rio\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pessoas com cultura de \u201cranidade po\u00e7al\u201d tornam-se <strong>atrapalhadoras.<\/strong> Fechadas, n\u00e3o apreendem que o crescimento e a realiza\u00e7\u00e3o humanas se fazem pela soma das facetas da verdade dos outros e do pr\u00f3prio Outro (Deus-Criador-Redentor-Salvador). A verdade \u00e9 sempre maior que a \u201cminha verdade\u201d. A verdade, al\u00e9m de subjetiva, necessariamente \u00e9 objetiva. Ficar meramente na minha verdade subjetiva impede um caminho de crescimento e realiza\u00e7\u00e3o de todo o g\u00eanero humano. Nessas pessoas, instaura-se um <strong>subjetivismo destruidor<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao contr\u00e1rio de uma cultura da \u201cranidade po\u00e7al\u201d, precisamos uma cultura da \u201c<strong>sa\u00edda de sua verdade \u00fanica\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann Arcebispo de Pelotas (RS) &nbsp; Dizem que: \u201cUma r\u00e3 passou toda sua vida num po\u00e7o. Um dia encontrou para sua surpresa uma outra r\u00e3. \u2018De onde vens\u2019, perguntou ela. \u2018Do mar, l\u00e1 eu vivo\u2019, respondeu a outra. \u2018Como \u00e9 o mar? 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