{"id":860794,"date":"2021-12-14T11:21:11","date_gmt":"2021-12-14T14:21:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=860794"},"modified":"2021-12-14T11:27:04","modified_gmt":"2021-12-14T14:27:04","slug":"muito-alem-do-natal-a-paroquia-e-sua-responsabilidade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/muito-alem-do-natal-a-paroquia-e-sua-responsabilidade-social\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m do natal: a par\u00f3quia e sua responsabilidade social"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Ant\u00f4nio de Assis<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No artigo anterior refletimos sobre a realidade da pobreza em nossa sociedade e as diversas manifesta\u00e7\u00f5es da sensibilidade t\u00edpica do tempo do Natal. Elas s\u00e3o positivas, boas, ajudam, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes. As car\u00eancias humanas mais profundas n\u00e3o s\u00e3o moment\u00e2neas, por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que nos esforcemos para estimular a cultura da solidariedade como compromisso permanente de promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, de cuidado com a dignidade humana e senso permanente de responsabilidade social que emerge da nossa f\u00e9 em Deus. A nossa f\u00e9 tem uma dimens\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>A f\u00e9 em dois n\u00edveis: pessoal e institucional<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queremos lhe convidar para a reflex\u00e3o sobre a dimens\u00e3o pessoal e institucional da caridade, como consequ\u00eancia da assimila\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em Jesus Cristo. Antes de tudo, a f\u00e9 \u00e9 um dom dado por Deus \u00e0s pessoas. Mas n\u00e3o \u00e9 para o seu puro consumo privado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em n\u00edvel pessoal, a f\u00e9 n\u00e3o deve ser aprisionada no intelecto do indiv\u00edduo, como pura convic\u00e7\u00e3o conceitual; o fiel \u00e9 convidado a tornar-se capaz de imitar as atitudes de Jesus Cristo. N\u00e3o devemos seguir o Mestre somente no conhecimento das suas palavras, mas sobretudo, seguindo as suas atitudes e reproduzindo em n\u00f3s a sua sensibilidade, seus gestos, op\u00e7\u00f5es e atitudes. Jesus viveu para os outros!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia de f\u00e9 dos indiv\u00edduos gera e define o perfil das institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Por isso uma institui\u00e7\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o tem a liberdade de contrariar com suas a\u00e7\u00f5es, a sua fonte inspiradora, sen\u00e3o \u00e9 gravemente acusada de incoer\u00eancia. \u00c9 o caso da Igreja! A Igreja, fiel ao seu Mestre e Senhor, n\u00e3o \u00e9 livre para decidir o conte\u00fado da evangeliza\u00e7\u00e3o. Pela f\u00e9 e impulsionada pelo Amor, n\u00e3o lhe resta outra atitude do que aquela da obedi\u00eancia a Cristo deixando-se orientar por suas palavras, gestos, op\u00e7\u00f5es fundamentais e atitudes.<\/p>\n<p><strong>A Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A assimila\u00e7\u00e3o dessa verdade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 profunda e a abra\u00e7a exerc\u00edcios de vida. Essa \u00e9 a tarefa da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3. Uma verdadeira inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3, n\u00e3o deve, de forma alguma, ser profunda sem estimular o compromisso de promo\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Esse dinamismo est\u00e1 presente no rito da entrega do Pai Nosso que n\u00e3o significa simplesmente o in\u00edcio de um processo de estudo dessa ora\u00e7\u00e3o, mas deve ser acompanhado por iniciativas e experi\u00eancias concretas de encontro com os mais necessitados, no exerc\u00edcio da Igreja em sa\u00edda e da dimens\u00e3o social da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ser adepto de uma filosofia sobre Jesus Cristo. N\u00e3o interessa ao disc\u00edpulo de Jesus Cristo, somente suas ideias, mas a totalidade da sua vida que se torna regra viva de vida para si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos de Jesus Cristo s\u00e3o chamados a assumir seus sentimentos e sua mentalidade (cf. Rm 15,5; Fl 2,2.5; 1Cor 2,16). Por isso, explicita o ap\u00f3stolo Paulo: &#8220;Como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de sentimentos de compaix\u00e3o, bondade, humildade, mansid\u00e3o, paci\u00eancia. Suportem-se uns aos outros e se perdoem mutuamente, sempre que tiverem queixa contra algu\u00e9m. Cada um perdoe o outro, do mesmo modo que o Senhor perdoou voc\u00eas. E acima de tudo, vistam-se com o amor, que \u00e9 o la\u00e7o da perfei\u00e7\u00e3o&#8221; (Cl 2,12-15).<\/p>\n<p><strong>A Responsabilidade Social da Par\u00f3quia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 abra\u00e7a a totalidade das dimens\u00f5es da vida da pessoa. Numa perspectiva institucional, isso significa que a par\u00f3quia deve ser uma comunidade que, movida pela F\u00e9 em Jesus Cristo e no seu Reino, est\u00e1 continuamente se exercitando na responsabilidade social que brota da Esperan\u00e7a. A Esperan\u00e7a do Reino de Deus \u00e9 gr\u00e1vida de compromissos, porque o Amor \u00e9 zeloso, amante da vida e da salva\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como tantas outras institui\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m a par\u00f3quia tem uma s\u00e9ria responsabilidade social que vai muito al\u00e9m das atividades institucionais, cont\u00e1beis, administrativas e lit\u00fargicas porque a sua miss\u00e3o transcende as exig\u00eancias terrenas e brilha atrav\u00e9s da paix\u00e3o pela vida, pela santidade, pela \u00e9tica, etc. O sonho do para\u00edso e da plenitude da vida nos adverte para nos livrarmos das neglig\u00eancias e desvios. O para\u00edso que tanto pregamos, \u00e9 fonte de todas as formas de cuidado. Santidade \u00e9 cuidado e, isso deve estar no cora\u00e7\u00e3o das nossas institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas. Cuidar das pessoas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso nos convoca a estarmos atentos em nossas par\u00f3quias para n\u00e3o cairmos em alguns perigos como: o mal da miopia que nos induz \u00e0 falta de percep\u00e7\u00e3o das necessidades humanas (assim, j\u00e1 n\u00e3o ser\u00edamos marianos!); o mal de um dinamismo pastoral desequilibrado onde se d\u00e1 muita import\u00e2ncia \u00e0 liturgia, mas sendo omissos ou frios em rela\u00e7\u00e3o aos clamores humanos presentes no territ\u00f3rio onde estamos; o mal de uma seletividade teol\u00f3gica desviante que nega a totalidade das dimens\u00f5es da vida pastoral; enfim, o mal do apego ao t\u00e9cnico e aos n\u00fameros que nos leva a cair no grave perigo do conformismo e dessa forma deixamos de lado o dinamismo do Bom Pastor capaz de deixar as 99 ovelhas no curral e sair aventurando-se em busca daquela ovelha que se desgarrou (cf. Lc 15,4-7). Isso \u00e9 ser Igreja em sa\u00edda, jamais conformista, arrivista e instalada!<\/p>\n<p><strong>O povo tem m\u00faltiplas fomes e sedes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seremos verdadeiramente honestos com a nossa miss\u00e3o de agentes pastorais, ou seja, disc\u00edpulos mission\u00e1rios que agem como bons pastores, se n\u00e3o tivermos uma clara vis\u00e3o das necessidades humanas que pressup\u00f5e o reconhecimento da pluridimensionalidade do ser humano.\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 uma verdadeira vida pastoral numa comunidade ou par\u00f3quia se n\u00e3o houver uma honesta antropologia; uma vis\u00e3o fragmentada do ser humano gera uma pastoral distorcida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que a par\u00f3quia, diante da sua responsabilidade social n\u00e3o deve ser m\u00edope e nem negligente. Pesa sobre os seus gestores, o p\u00e1roco e seus colaboradores mais diretos (CPP), o dever de visibilizar o Reino de Deus. Jesus n\u00e3o s\u00f3 descia ao submundo dos pobres, mas assumia atitudes transformadoras em prol da vida deles (cf. Lc 4,38-41). \u00c9 impressionante o que descreve S\u00e3o Lucas a respeito da sensibilidade social de Jesus e sua for\u00e7a transformadora: &#8220;Jesus desceu da montanha com os doze ap\u00f3stolos, e parou num lugar plano. Estava a\u00ed numerosa multid\u00e3o de seus disc\u00edpulos com muita gente do povo de toda a Jud\u00e9ia, de Jerusal\u00e9m, e do litoral de Tiro e Sid\u00f4nia. Foram para ouvir Jesus e serem curados de suas doen\u00e7as. E aqueles que estavam atormentados por esp\u00edritos maus, foram curados. Toda a multid\u00e3o procurava tocar em Jesus, porque uma for\u00e7a sa\u00eda dele, e curava a todos&#8221; (Lc 6,17-19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a mesma intensidade observa S\u00e3o Mateus dizendo: &#8220;Jesus foi para a margem do mar da Galil\u00e9ia, subiu a montanha, e sentou-se. Numerosas multid\u00f5es se aproximaram de Jesus, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Ent\u00e3o os colocaram aos p\u00e9s de Jesus. E ele os curou. As multid\u00f5es ficaram admiradas, vendo que os mudos falavam, os aleijados saravam, os coxos andavam e os cegos viam. E glorificaram o Deus de Israel&#8221; (Mt 15,29-31). Essa \u00e9 a cesta de Jesus! Recheada de resposta a todas as necessidades humanas. Esse \u00e9 o par\u00e2metro permanente que devemos seguir: dar aten\u00e7\u00e3o pastoral \u00e0 totalidade do ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA A REFLEX\u00c3O PESSOAL<\/strong><\/p>\n<p>Qual \u00e9 a tarefa da Catequese de Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3?<\/p>\n<p>Por que a Par\u00f3quia tem uma responsabilidade social?<\/p>\n<p>Como se manifestava a sensibilidade social de Jesus e o que isso nos provoca em n\u00edvel pessoal e institucional?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Ant\u00f4nio de Assis Bispo auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) No artigo anterior refletimos sobre a realidade da pobreza em nossa sociedade e as diversas manifesta\u00e7\u00f5es da sensibilidade t\u00edpica do tempo do Natal. Elas s\u00e3o positivas, boas, ajudam, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes. 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