{"id":861435,"date":"2021-12-31T07:45:39","date_gmt":"2021-12-31T10:45:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=861435"},"modified":"2021-12-30T11:47:29","modified_gmt":"2021-12-30T14:47:29","slug":"dom-joao-justino-ano-novo-novo-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-joao-justino-ano-novo-novo-tempo\/","title":{"rendered":"Ano novo, novo tempo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<\/strong><br \/>\n<strong>Administrador Apost\u00f3lico da Arquidiocese de Montes Claros (MG)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de que o tempo passa cada vez mais r\u00e1pido \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o comum. Do ponto de vista cronol\u00f3gico, as horas, os dias, os meses e os anos t\u00eam a mesma medida. A referida sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado n\u00e3o da acelera\u00e7\u00e3o do tempo, mas da velocidade sempre maior com que se obt\u00e9m os resultados de grande parte dos trabalhos. Se pensamos a comunica\u00e7\u00e3o, logo se percebe como os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos dispensaram, entre outros, os tel\u00e9grafos, as cartas manuscritas, os telefones p\u00fablicos. Grande parte da popula\u00e7\u00e3o lida diariamente com redes sociais e por elas bilh\u00f5es de mensagens s\u00e3o trocadas todos os dias em todo o mundo. Se pensamos o transporte, em especial a tecnologia da avia\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel fazer viagens intercontinentais em menos de doze horas. Essas conquistas da contemporaneidade tornaram o mundo uma aldeia global.<\/p>\n<p>Ao comunicar-se e ao locomover-se cada vez com maior rapidez, a pessoa tem a impress\u00e3o de que o tempo corre demais, passa mais depressa. Acumula-se nas agendas um n\u00famero maior de compromissos e atividades em per\u00edodos menores. E deseja-se sempre mais tempo para ser preenchido com mais atividades. Sabe-se que tal frenesi causa cansa\u00e7o, estresse e desgastes f\u00edsico e emocional. Mesmo assim a maioria das pessoas parece querer alongar as horas para desfrutar mais do tempo.<\/p>\n<p>O tempo toca diretamente a experi\u00eancia existencial de cada pessoa. Exemplo s\u00e3o as crian\u00e7as, quando desejam que o tempo passe mais r\u00e1pido para que alcancem a vida adulta. Ou os idosos, que lamentam ter o tempo de suas vidas passado t\u00e3o r\u00e1pido. Ou os jovens, que est\u00e3o a planejar seu futuro, uma quest\u00e3o n\u00edtida e pertinente ao tempo. O tempo de validade n\u00e3o se restringe apenas a produtos a serem consumidos, mas tamb\u00e9m inclui capacidades, como a habilita\u00e7\u00e3o para a dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos que, de tempos em tempos, precisa ser renovada. Ou exames m\u00e9dicos que se deve fazer com certa periodicidade. E a chamada \u201cprova de vida\u201d, que deve ser feita anualmente pelos que recebem benef\u00edcios previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p>Come\u00e7o a entender que a maturidade humana passa pela boa rela\u00e7\u00e3o com o tempo. Superar a vis\u00e3o do tempo como algoz que estaria a castigar-nos com o irrefre\u00e1vel tique-taque dos minutos, com uma percep\u00e7\u00e3o mais amiga da condi\u00e7\u00e3o temporal da exist\u00eancia. Numa linguagem, franciscana, alcan\u00e7ar a liberdade de tratar o tempo como irm\u00e3o. Nesse sentido, \u00e9 de estupenda beleza o que escreve Raduan Nassar em sua obra Lavoura Arcaica: \u201c&#8230;rico n\u00e3o \u00e9 o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, m\u00e3os e bra\u00e7os, em terras largas; rico s\u00f3 \u00e9 o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, n\u00e3o contrariando suas disposi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se rebelando contra o seu curso, n\u00e3o irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e n\u00e3o a sua ira; o equil\u00edbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve p\u00f4r nas coisas, n\u00e3o corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que n\u00e3o \u00e9; porque s\u00f3 a justa medida do tempo d\u00e1 a justa natureza das coisas\u2026\u201d. O ano novo seja tempo para voc\u00ea conquistar essa riqueza: saber conviver com o tempo. Feliz 2022!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Administrador Apost\u00f3lico da Arquidiocese de Montes Claros (MG) &nbsp; A sensa\u00e7\u00e3o de que o tempo passa cada vez mais r\u00e1pido \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o comum. Do ponto de vista cronol\u00f3gico, as horas, os dias, os meses e os anos t\u00eam a mesma medida. 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