{"id":863061,"date":"2022-02-03T14:54:17","date_gmt":"2022-02-03T17:54:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=863061"},"modified":"2022-02-03T14:54:57","modified_gmt":"2022-02-03T17:54:57","slug":"a-igreja-mae-da-nossa-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-mae-da-nossa-fe\/","title":{"rendered":"A Igreja, m\u00e3e da nossa f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jaime Vieira Rocha<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Natal (RN)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Carta Enc\u00edclica <em>Lumen fidei<\/em>, publicada em 29 de junho de 2013, o Papa Francisco usa uma express\u00e3o muito bela, bastante usada nos primeiros s\u00e9culos da Igreja, e muito atual para a compreens\u00e3o da miss\u00e3o: a Igreja \u00e9 m\u00e3e de nossa f\u00e9 (<em>Lumen fidei, n.<\/em> 37). Ela, a Igreja, gera homens e mulheres para a f\u00e9, sobretudo, com a consci\u00eancia da Tradi\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um conceito muito importante na hist\u00f3ria da Igreja, objeto de reflex\u00e3o de te\u00f3logos importantes do s\u00e9culo XX, e o seu significado e sua rela\u00e7\u00e3o com a Palavra de Deus e o Magist\u00e9rio da Igreja, foi apresentado no Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O exemplo mais claro do significado da Tradi\u00e7\u00e3o vemos na express\u00e3o de S\u00e3o Paulo, destacada pelo Papa na Enc\u00edclica: \u201ctransmiti-vos aquilo que recebi\u201d (cf. 1Cor 15,3). A argumenta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo se d\u00e1 pela apresenta\u00e7\u00e3o de dois pontos fundamentais da f\u00e9 da Igreja: a Eucaristia (1Cor 11) e a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor (1Cor 15). Para n\u00f3s, fica bastante claro, como nos tornamos respons\u00e1veis pela f\u00e9: quem se abriu ao amor de Deus, acolheu a sua voz e recebeu a sua luz, n\u00e3o pode guardar este dom para si mesmo (idem, 37). Transmitir a f\u00e9, como luz que ilumina os passos da humanidade \u00e9 o que significa a miss\u00e3o da Igreja que nos gera pela f\u00e9 para a vida de comunh\u00e3o com Deus e miss\u00e3o no mundo. A transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u00e9 uma realidade que passa atrav\u00e9s do eixo do tempo, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma op\u00e7\u00e3o individual. Ningu\u00e9m cr\u00ea sozinho, recorda o Papa. Citando um dos escritores do s\u00e9culo III, Tertuliano, lembra a realidade comunit\u00e1ria da f\u00e9 e de sua transmiss\u00e3o: de fato, quem cr\u00ea nunca est\u00e1 sozinho. \u201c<em>Assim o exprimiu vigorosamente Tertuliano ao dizer do catec\u00fameno que, tendo sido recebido numa nova fam\u00edlia, depois do banho do novo nascimento, \u00e9 acolhido na casa da M\u00e3e para erguer as m\u00e3os e rezar, juntamente com os irm\u00e3os, o Pai Nosso<\/em>\u201d (<em>Lumen fidei, n.<\/em> 39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A transmiss\u00e3o da f\u00e9 se d\u00e1 de forma especial pelos sacramentos. Eles s\u00e3o um meio especial que p\u00f5e em jogo a pessoa inteira: corpo e esp\u00edrito, interioridade e rela\u00e7\u00f5es. Neles, afirma o Papa, comunica-se uma mem\u00f3ria encarnada, onde a pessoa \u00e9 envolvida num tecido de rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias (<em>Lumen fidei, n.<\/em> 40). A f\u00e9, por isso mesmo, tem uma estrutura sacramental, pois o despertar da f\u00e9 passa pelo despertar de um novo sentido na vida do homem e na exist\u00eancia crist\u00e3. E isto acontece de modo particular nos Sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Sempre lembrando: os Sacramentos apontam para a realidade invis\u00edvel da Gra\u00e7a divina. E mais, como afirmava Santo Tom\u00e1s de Aquino: \u201c<em>o ato de f\u00e9 n\u00e3o termina no enunciado, mas na coisa em si<\/em>\u201d, isto \u00e9, os Sacramentos, sinais vis\u00edveis, apontam para a realidade invis\u00edvel da gra\u00e7a amorosa e beatificante de nosso Deus, manifestada em Jesus Cristo e na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. E a Gra\u00e7a de Cristo presente em n\u00f3s gera uma comunh\u00e3o de vida que n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, mas din\u00e2mica e, sobretudo, nos leva a vida de caridade para com todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao recomendar a leitura e a medita\u00e7\u00e3o da primeira Enc\u00edclica de Papa Francisco, quero ao mesmo tempo afirmar a necessidade de todos os agentes de pastoral, leigos e leigas engajados e consagrados, ministros ordenados, religiosos e religiosas, a que juntos assumamos o grande caminho de renova\u00e7\u00e3o de nossa catequese, a fim de que o dom da f\u00e9, luz para a nossa vida, dom que recebemos na Igreja, por sua gera\u00e7\u00e3o no Batismo seja a grande for\u00e7a da miss\u00e3o \u00e0 qual estamos comprometidos. Lembro a todos esse compromisso de nossa Igreja Particular para a transmiss\u00e3o da mesma f\u00e9, gerando homens e mulheres para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor e mais justo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Vieira Rocha Arcebispo de Natal (RN) \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Carta Enc\u00edclica Lumen fidei, publicada em 29 de junho de 2013, o Papa Francisco usa uma express\u00e3o muito bela, bastante usada nos primeiros s\u00e9culos da Igreja, e muito atual para a compreens\u00e3o da miss\u00e3o: a Igreja \u00e9 m\u00e3e de nossa f\u00e9 (Lumen fidei, n. 37). &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-mae-da-nossa-fe\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A Igreja, m\u00e3e da nossa f\u00e9<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/863061"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=863061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/863061\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=863061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=863061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=863061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}