{"id":8658,"date":"2018-01-17T00:00:00","date_gmt":"2018-01-17T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-chamado-a-seguir-jesus\/"},"modified":"2018-01-17T00:00:00","modified_gmt":"2018-01-17T02:00:00","slug":"o-chamado-a-seguir-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-chamado-a-seguir-jesus\/","title":{"rendered":"O chamado a seguir Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deus nos criou com o maravilhoso e desafiador presente da liberdade, envolvendo-nos com imenso amor e aguardando a resposta a todas as oportunidades oferecidas, cujo nome tantas vezes \u00e9 miss\u00e3o. Dentre tantas figuras emblem\u00e1ticas, a hist\u00f3ria de Jonas \u00e9 carregada de ensinamentos (Cf. Jn 3,1-5.10). Os problemas a serem enfrentados parecem imensos para as poucas possibilidades daquele homem. Basta pensar numa grande cidade como as nossas, ainda que limitada diante das metr\u00f3poles de nosso tempo. Pregar a um povo praticamente pervertido, corrupto, estragado pela maldade. E Jonas foge, quer escapar da miss\u00e3o. As circunst\u00e2ncias de uma viagem lhe provocam uma s\u00e9ria revis\u00e3o de vida. Um novo chamado de Deus, que n\u00e3o desiste quando quer envolver uma pessoa, faz com que o profeta limitado e t\u00edmido tome a palavra diante da cidade. A um povo necessitado de convers\u00e3o, Jonas prega a destrui\u00e7\u00e3o! Mas Deus passa na frente e suscita uma rea\u00e7\u00e3o diferente. Do maior ao menor, todos querem mudar de vida, o que suscita indigna\u00e7\u00e3o do profeta pessimista, pois v\u00ea que Deus tem um cora\u00e7\u00e3o mole!<\/p>\n<p>Quando Jesus chama seus primeiros disc\u00edpulos (Cf. Mc 1,14-20), vai ao encontro de homens simples, cada um com sua profiss\u00e3o e sua fam\u00edlia, carregados de seus limites pessoais, a ponto de se sentirem por vezes indignos de assumir a miss\u00e3o. Alguns s\u00e3o pescadores, outros at\u00e9 publicanos, havia gente de grupos radicais, como os zelotas. Com certeza foram muitos aqueles dos quais os Evangelhos n\u00e3o reportaram detalhes e, chamados, fugiram da raia, como aconteceu no epis\u00f3dio do jovem rico. No entanto, muitos responderam, deixaram-se transformar pelo chamado \u00e0 convers\u00e3o, assumiram corajosamente o an\u00fancio do Evangelho e se transformaram em verdadeiros \u00edcones para as gera\u00e7\u00f5es que os sucederam, estendendo at\u00e9 hoje a imensa rede de seguidores e disc\u00edpulos de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Sabemos que as propostas do Evangelho s\u00e3o provocantes, convidando-nos a nadar contra a correnteza. Basta escutar o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, no texto proclamado em nossas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas do final de semana (Cf 1 Cor 7, 29-31), para identificar a verdadeira revolu\u00e7\u00e3o de que o cristianismo \u00e9 portador: \u201cEu digo, irm\u00e3os: o tempo abreviou-se. Ent\u00e3o, que, doravante, os que t\u00eam mulher vivam como se n\u00e3o tivessem mulher; os que choram, como se n\u00e3o chorassem, e os que est\u00e3o alegres, como se n\u00e3o estivessem alegres; os que fazem compras, como se n\u00e3o estivessem adquirindo coisa alguma, e os que tiram proveito do mundo, como se n\u00e3o aproveitassem. Pois a figura deste mundo passa\u201d.<\/p>\n<p>Como seguir Jesus Cristo, quando sua proposta \u00e9 absolutamente diferente das ofertas di\u00e1rias, propagandeadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e expostas cotidianamente pelas pessoas? Incr\u00edvel \u00e9 que Ele continua e continuar\u00e1 atraindo e chamando, at\u00e9 o fim dos tempos! Provocador \u00e9 o fato de que a juventude \u00e9 chamada a confrontar com Ele a sua vida, e muitos s\u00e3o os jovens, de qualquer situa\u00e7\u00e3o social, que se disp\u00f5em inclusive a deixar tudo para segui-lo de perto, assumir a vida sacerdotal, mission\u00e1ria, religiosa e comunit\u00e1ria! E n\u00e3o s\u00e3o poucos os casais e at\u00e9 fam\u00edlias inteiras transformadas em \u201cfam\u00edlias mission\u00e1rias\u201d, dispostas em ir at\u00e9 outras partes do mundo para evangelizar, como n\u00f3s as temos no ambiente da Arquidiocese de Bel\u00e9m. \u00c9 que Deus \u00e9 o Senhor da hist\u00f3ria, e a \u00faltima palavra ser\u00e1 dada por ele, na vinda gloriosa do Salvador, no fim dos tempos!<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, continuaremos a assistir o chamado de Deus acontecendo de formas inesperadas ou inusitadas. E desejamos provocar positivamente nossa juventude, desejando-lhe um caminho de discernimento. \u00c0s gera\u00e7\u00f5es de adultos, especialmente pais e m\u00e3es de fam\u00edlia, assim como sacerdotes, religiosos e religiosas, cabe a tarefa de contribuir para que a atual gera\u00e7\u00e3o de jovens n\u00e3o deixe passar em v\u00e3o a visita de Deus em suas vidas. O ano que vivemos, com a prepara\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos sobre a juventude e o discernimento vocacional, oferece-nos uma oportunidade excelente para que o assunto \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d encontre espa\u00e7o em nossas comunidades e fam\u00edlias. Nossa fonte \u00e9 o texto preparat\u00f3rio do S\u00ednodo, dispon\u00edvel para a leitura e aprofundamento de todos na p\u00e1gina eletr\u00f4nica do Vaticano.<\/p>\n<p>Desejamos contribuir para que os jovens reconhe\u00e7am os apelos existentes na realidade: O reconhecimento diz respeito antes de tudo aos efeitos que os acontecimentos da minha vida, as pessoas com as quais me encontro, as palavras que ou\u00e7o ou que leio produzem na minha interioridade: uma variedade de \u201cdesejos, sentimentos, emo\u00e7\u00f5es\u201d de natureza muito diferente: tristeza, obscuridade, plenitude, medo, alegria, paz, sensa\u00e7\u00e3o de vazio, ternura, raiva, esperan\u00e7a, tibieza, etc. Reconhecer requer que se traga \u00e0 tona esta riqueza emocional e que se mencionem estas paix\u00f5es, mas sem as julgar. Exige tamb\u00e9m que se sinta o \u201cgosto\u201d que elas deixam, ou seja, a conson\u00e2ncia ou disson\u00e2ncia entre o que se experimenta e aquilo que existe de mais profundo.<\/p>\n<p>Depois, n\u00e3o \u00e9 suficiente reconhecer aquilo que n\u00f3s experimentamos: \u00e9 necess\u00e1rio \u201cinterpret\u00e1-lo\u201d ou, em outras palavras, compreender para o que o Esp\u00edrito nos chama atrav\u00e9s daquilo que suscita em cada um. Uma vez reconhecido e interpretado o mundo dos desejos e das paix\u00f5es, o ato de decidir torna-se exerc\u00edcio de aut\u00eantica liberdade humana e de responsabilidades pessoais, obviamente sempre situadas e, portanto, limitadas. A decis\u00e3o deve ser posta \u00e0 prova dos acontecimentos, tendo em vista a sua confirma\u00e7\u00e3o. A escolha \u00e9 chamada a traduzir-se em a\u00e7\u00e3o, a encarnar, a dar in\u00edcio a um percurso, aceitando o risco de se confrontar com aquela realidade que tinha posto em movimento desejos e emo\u00e7\u00f5es. Reconhecer os apelos de Deus, interpret\u00e1-los e decidir! Maravilhosa aventura a ser proposta aos nossos jovens, para que assumam os desafios da vida crist\u00e3 e aceitem, como os primeiros disc\u00edpulos de Jesus, ser pescadores de homens!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1\u00a0 Deus nos criou com o maravilhoso e desafiador presente da liberdade, envolvendo-nos com imenso amor e aguardando a resposta a todas as oportunidades oferecidas, cujo nome tantas vezes \u00e9 miss\u00e3o. Dentre tantas figuras emblem\u00e1ticas, a hist\u00f3ria de Jonas \u00e9 carregada de ensinamentos (Cf. Jn 3,1-5.10). 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