{"id":867335,"date":"2022-04-15T14:13:04","date_gmt":"2022-04-15T17:13:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=867335"},"modified":"2022-04-12T11:40:54","modified_gmt":"2022-04-12T14:40:54","slug":"cardeal-orani-sexta-feira-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cardeal-orani-sexta-feira-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Sexta-Feira da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p><em><strong>\u00d3 Pai, em vossas m\u00e3os, eu entrego o meu esp\u00edrito. (Sl 30,31)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Celebramos na Sexta-Feira Santa, o segundo dia do Tr\u00edduo Pascal, que iniciou na Quinta-Feira Santa \u00e0 noite e terminar\u00e1 com a celebra\u00e7\u00e3o da Missa ap\u00f3s a Vig\u00edlia Pascal. Na Sexta-Feira Santa, recordamos a condena\u00e7\u00e3o, pris\u00e3o, paix\u00e3o e morte de Jesus na Cruz. Na Sexta-Feira Santa, \u00e9 o \u00fanico dia em que a Igreja n\u00e3o celebra missa, mas celebra-se, sobriamente, uma a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica fazendo mem\u00f3ria da entrega de Jesus por n\u00f3s quando recebemos a comunh\u00e3o nas esp\u00e9cies consagradas no dia anterior. Temos tamb\u00e9m a liturgia das horas.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o inicia-se em sil\u00eancio, pois a Igreja nesse momento est\u00e1 em profunda ora\u00e7\u00e3o, pela entrega do Senhor por n\u00f3s. N\u00e3o tem prociss\u00e3o de entrada, mas faz-se uma entrada curta. Aquele que preside a celebra\u00e7\u00e3o, se prostra diante do altar e os demais ministros se ajoelham. N\u00e3o tem os ritos iniciais como de costume, e depois de um instante de sil\u00eancio, o presidente da celebra\u00e7\u00e3o profere a ora\u00e7\u00e3o do dia.<\/p>\n<p>A Igreja deve estar sem flores e o altar desnudado, somente na hora da comunh\u00e3o, coloca-se as velas e a toalha no altar e retira-se logo ap\u00f3s a comunh\u00e3o novamente. Todos os fi\u00e9is cat\u00f3licos devem participar desse momento, bem como em toda a Semana Santa e durante o tr\u00edduo pascal. O cat\u00f3lico deve participar de todos os momentos da vida de Jesus, desde o nascimento, vida p\u00fablica, morte e at\u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja nesse dia vive um grande sil\u00eancio, n\u00e3o \u00e9 um sil\u00eancio de luto, pois sabemos que Nosso Senhor est\u00e1 vivo, mas um sil\u00eancio de respeito e gratid\u00e3o pela entrega do Senhor por n\u00f3s. Nesse momento fazemos esse sil\u00eancio profundo, mas no S\u00e1bado Santo \u00e0 noite, uma grande alegria tomar\u00e1 conta de n\u00f3s, pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. N\u00e3o podemos pular a Sexta-Feira Santa, temos que passar por ela para chegar \u00e0s alegrias da ressurrei\u00e7\u00e3o. O mesmo acontece em nossa vida, muitas vezes temos que passar por sofrimentos para se chegar \u00e0s alegrias.<\/p>\n<p>As celebra\u00e7\u00f5es do tr\u00edduo pascal s\u00e3o meditativas e cheias de s\u00edmbolos. \u00c9 para acolhermos a palavra e os sinais e deixarmos que marquem os nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o momento inicial de sil\u00eancio e a ora\u00e7\u00e3o inicial, inicia-se a liturgia da Palavra e profere-se a primeira leitura, de Isa\u00edas (Is 52,13 &#8211;\u00a053,12). Esse trecho de Isa\u00edas \u00e9 sobre o servo sofredor, que podemos relacionar a Cristo. Da mesma forma que o servo sofredor Jesus sofre em sil\u00eancio e aceita tudo aquilo que os advers\u00e1rios fazem contra ele. Da mesma forma que o servo sofredor Jesus pregava a justi\u00e7a e condenava a injusti\u00e7a, e isso desagradava muita gente. Essa foi a causa da morte de Jesus, pregar o amor e a justi\u00e7a e quem queria continuar no \u00f3dio e na injusti\u00e7a, preferiu conden\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Esse trecho do profeta Isa\u00edas que fala sobre o servo sofredor aparece, sobretudo, nas celebra\u00e7\u00f5es da Semana Santa, iniciando no Domingo de Ramos. Essa leitura nos ajuda para nos indicar o caminho que devemos seguir em nossa vida. Temos que optar pelo caminho da justi\u00e7a, da paz e do amor. Fomos batizados e chamados a ser sacerdotes, profetas e reis e a construir o Reino de Deus aqui na terra. Almejemos, pois, vivenciar esse Reino eternamente no c\u00e9u.<\/p>\n<p>O salmo responsorial \u00e9 o 30 (31), cujo refr\u00e3o diz: \u201c\u00d3 Pai, em vossas m\u00e3os, entrego o meu esp\u00edrito\u201d. \u00c9 um salmo de entrega do servo nas m\u00e3os do seu Senhor. O servo que se encontra ferido e machucado pelos inimigos espera que o Senhor venha em seu socorro e o liberte das m\u00e3os daqueles que o oprimem.<\/p>\n<p>A segunda leitura \u00e9 da carta aos Hebreus, (Hb 4, 14 -16; 5, 7-9). O autor do livro sagrado diz que temos um sumo sacerdote eminente que entrou no c\u00e9u, Jesus Cristo, o filho de Deus. Ele entrou no c\u00e9u uma vez por todas para abrir o caminho para n\u00f3s. Aproximemo-nos do trono da gra\u00e7a e da miseric\u00f3rdia de Deus. Alcan\u00e7ando D\u2019Ele o perd\u00e3o para as nossas faltas adentraremos no c\u00e9u. Pratiquemos enquanto caminhamos nessa terra o amor, a justi\u00e7a e a miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>O Evangelho dessa celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o \u00e9 a narrativa da Paix\u00e3o segundo Jo\u00e3o (Jo 18, 1-19, 42). No Domingo de Ramos, j\u00e1 ouvimos a narrativa da paix\u00e3o, segundo o evangelista do ano lit\u00fargico corrente, que \u00e9 Lucas. Agora, na Sexta-Feira Santa \u00e9 a narrativa da paix\u00e3o tradicional, segundo Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa narrativa da paix\u00e3o, acompanhamos todos os passos de Jesus at\u00e9 sofrer a paix\u00e3o e morte. Desde a sua condena\u00e7\u00e3o, pris\u00e3o, flagela\u00e7\u00e3o e o caminho que fez at\u00e9 o calv\u00e1rio com a cruz as costas. Momentos marcantes acontecem nesse caminho de Jesus at\u00e9 a sua morte. O encontro com a sua m\u00e3e e as mulheres de Jerusal\u00e9m, Sim\u00e3o Cireneu que o ajuda a carregar a cruz e temos a tradi\u00e7\u00e3o que coloca na via sacra todo um caminho de reflex\u00e3o sobre a subida ao calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter lavado os p\u00e9s dos disc\u00edpulos e realizado a \u00faltima ceia, Jesus sente uma grande ang\u00fastia e vai para o deserto rezar. Os disc\u00edpulos v\u00e3o com Ele, tamb\u00e9m Judas (o traidor) conhecia o lugar e vai at\u00e9 o local com um grupo de guardas e soldados. Para que eles soubessem quem era Jesus, ele combina de dar um beijo em Jesus e o pr\u00f3prio Jesus diz a ele: \u201cCom um beijo tu trai o filho do homem\u201d. Jesus fica sozinho, todos os disc\u00edpulos correm diante do medo de verem Jesus sendo preso e achando que pudesse acontecer o mesmo com eles.<\/p>\n<p>A partir desse momento, Jesus \u00e9 preso e passa a noite no pal\u00e1cio de An\u00e1s, que era sumo sacerdote na \u00e9poca e sogro de Caif\u00e1s. An\u00e1s, ap\u00f3s interrogar Jesus, o envia a Caif\u00e1s, e depois Caif\u00e1s o envia ao pal\u00e1cio do governador. J\u00e1 era no outro dia de manh\u00e3. Pilatos ent\u00e3o interroga Jesus e n\u00e3o vendo em Jesus nenhum crime que o levasse a morte, decide libert\u00e1-lo. E, ainda, diz que os pr\u00f3prios judeus deveriam julg\u00e1-lo, pois ele n\u00e3o poderia conden\u00e1-lo. Ent\u00e3o, os sumos sacerdotes dizem a Pilatos que apresentassem Jesus ao povo, junto com Barrab\u00e1s e o povo escolhesse quem deveria ser condenado.<\/p>\n<p>O povo escolhe por soltar Barrab\u00e1s, um bandido que havia cometido muitos crimes, e por isso estava sendo condenado. Dessa forma, o povo escolhe que Jesus fosse condenado \u00e0 morte. O mesmo povo que havia aclamado Jesus ao entrar em Jerusal\u00e9m, no Domingo de Ramos. A partir disso, Jesus \u00e9 flagelado, tecem nele uma coroa de espinhos e colocam um manto vermelho. D\u00e3o a Jesus uma cruz para que ele carregasse durante o caminho at\u00e9 o calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao carregar a cruz, Jesus carrega as dores e os sofrimentos do mundo inteiro, por meio de sua morte na cruz, Ele nos salva do pecado e nos d\u00e1 a garantia da vida eterna. Entreguemos a Cruz de Cristo, nossas dores e sofrimentos. Em especial pe\u00e7amos que por meio da cruz de Cristo, sejamos livres da pandemia da Covid-19, que em mais um ano nos assolou.<\/p>\n<p>Jesus, ao carregar a cruz, carrega o peso do pecado da humanidade inteira, e ao se entregar na cruz, abre para n\u00f3s o caminho da vida eterna. Jesus nos mostra que a morte n\u00e3o tem a \u00faltima palavra, mas a vida venceu a morte. A cruz deve ser o sinal da nossa vit\u00f3ria e da nossa reden\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adoramos um Deus morto, mas um Deus vitorioso. Sabemos que na Sexta-Feira Santa ele morreu, mas ressuscitou no Domingo de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>Celebremos cheios de esperan\u00e7a essa Sexta-feira Santa, pedindo ao Senhor que nos liberte de nossos pecados e nos ensine a carregar a nossa\u00a0cruz do dia a dia. Que Ele que nos abriu o caminho da ressurrei\u00e7\u00e3o possa nos ensinar o caminho para adentrarmos a vida eterna.<\/p>\n<p>Participemos ativamente de toda a Semana Santa, passemos pelo calv\u00e1rio com Jesus, para chegarmos \u00e0 gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o. Que ao chegar na P\u00e1scoa, possamos ser homens e mulheres novos, segundo a gra\u00e7a de Deus. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ) \u00d3 Pai, em vossas m\u00e3os, eu entrego o meu esp\u00edrito. 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