{"id":867704,"date":"2022-04-19T09:48:45","date_gmt":"2022-04-19T12:48:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=867704"},"modified":"2022-04-19T20:28:05","modified_gmt":"2022-04-19T23:28:05","slug":"o-amor-e-mais-forte-que-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-amor-e-mais-forte-que-a-morte\/","title":{"rendered":"O amor \u00e9 mais forte que a morte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de manh\u00e3 Maria Madalena correu at\u00e9 o t\u00famulo e foi verificar a situa\u00e7\u00e3o de Jesus (Jo 20,1). Aquele mesmo, que pouco antes tinha sido crucificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte, como na maioria dos casos, deveria ser a palavra final. Depois da morte sobra somente a possibilidade de chorar, sentir saudades e se acalentar no ombro dos que ainda vivem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte \u00e9 um termo definitivo da exist\u00eancia e dos afetos. Diante dela a f\u00e9 sente um titubear que vai progredindo at\u00e9 produzir um estado de \u00eaxtase e de acomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 de Madalena confronta-se com as experi\u00eancias, ainda sem exce\u00e7\u00e3o, que da morte ningu\u00e9m volta. Os disc\u00edpulos foram para casa. Estavam apavorados. Este pavor nascia da perplexidade de uma promessa n\u00e3o cumprida, de uma palavra falida ante o inimigo comum da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na f\u00e9 os disc\u00edpulos viveram no seguimento do seu Senhor. Tamb\u00e9m, na f\u00e9, deixaram suas casas e seguiram \u00c0quele que nem tinha onde repousar a cabe\u00e7a. A f\u00e9, portanto, era a marca existencial daquela comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena do dia anterior, entretanto, culminava no contraste mais forte que media a dimens\u00e3o da f\u00e9 e a ultrapassava infinitamente. Por isso, no amanhecer daquele dia os disc\u00edpulos estavam dormindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dormir \u00e9 um modo de acalentar o fulgor da esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a insiste em continuar acreditando contra as observa\u00e7\u00f5es comuns. Quando se trata de algu\u00e9m que amamos a esperan\u00e7a chega a beirar o abissal, desafia o que \u00e9 meramente natural, como morrer, e aprofunda ra\u00edzes em terrenos pouco consistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dormir representa, portanto, \u00e9 uma luta para n\u00e3o esperar mais nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de manh\u00e3 Maria Madalena correu at\u00e9 o sepulcro. Ningu\u00e9m sabia. Ningu\u00e9m viu nem foi notificado desta proeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sair de Maria Madalena foi sutil, e deslizou por entre a descren\u00e7a que se instaurara entre os disc\u00edpulos e foi at\u00e9 o sepulcro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista da sanidade esta sutileza \u00e9 perfeitamente normal. \u00c9 como um sonhador que aprende a se controlar e a negar as suas vis\u00f5es, muito embora elas lhe apare\u00e7am de cont\u00ednuo e apare\u00e7am perfeitamente reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor, entretanto, n\u00e3o quer saber de nada disso. N\u00e3o toma conhecimento de nenhum limite! Mergulha na vastid\u00e3o que ningu\u00e9m mais v\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo cedo Maria Madalena chegou ao sepulcro, <em>mas ele estava vazio<\/em>. Doravante as coisas se complicaram. Muitas quest\u00f5es surgiram porque o sepulcro estava vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado outras quest\u00f5es tinham sido colocadas. Uma vez os disc\u00edpulos come\u00e7aram a discutir quem era o maior no reino dos c\u00e9us. Se Jesus n\u00e3o tivesse feito sua interven\u00e7\u00e3o esta dificuldade teria consumido a Igreja nascente e destru\u00eddo totalmente o sonho de um mundo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra do Senhor foi conclusiva: o maior no reino dos c\u00e9us \u00e9 o menor entre v\u00f3s. Desde aquele a dia este discurso tornou se preponderante, mesmo quando desentoa da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra ocasi\u00e3o discutiam se era l\u00edcito ou n\u00e3o ao homem abandonar sua mulher. Esta outra confus\u00e3o teria produzido uma injusti\u00e7a infinita contra as mulheres, gerando a descr\u00e9dito total da Igreja \u00e0 medida que a consci\u00eancia e o esp\u00edrito de liberdade crescessem no mundo. Mas o Mestre ainda estava presente, legislou contra qualquer tentativa de se prolongar esta injusti\u00e7a. Sim\u00e3o Pedro exclamou no final: ent\u00e3o a que vale casar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os assuntos decididos formaram o projeto salv\u00edfico da Igreja, mas outras quest\u00f5es se abririam compulsoriamente quando da morte de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se ainda na presen\u00e7a de Jesus era dif\u00edcil acreditar em algumas revela\u00e7\u00f5es, imagina-se a dificuldade que nasceriam das interpreta\u00e7\u00f5es posteriores. Outra vez, um jovem foi encontrar-se com Jesus e os disc\u00edpulos e manifestou sua vontade de tamb\u00e9m se fazer disc\u00edpulo. Tudo indica que era um jovem bom, tinha f\u00e9 e era sincero. Ap\u00f3s um pequeno di\u00e1logo Jesus decidiu que ele deveria vender os seus bens, distribuir entre os pobres e segui-lo. O jovem esmoreceu-se e foi embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o seguinte alargou-se ainda mais quando Jesus observou que era dif\u00edcil um rico entrar no reino do c\u00e9u. Os disc\u00edpulos perguntaram, ent\u00e3o: quem poder\u00e1 se salvar? Mais uma vez Jesus resolveu facilmente a dificuldade dizendo: para os homens \u00e9 imposs\u00edvel, mas para Deus n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso acontecia e encontrava respostas imediatas em uma palavra que n\u00e3o poderia ser contestada, porque estava na origem, era a g\u00eanese de uma nova proposta, era normativa e ao mesmo tempo concreta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus era a norma vivente. Mas naquele dia de manh\u00e3 n\u00e3o estava mais l\u00e1. Quando Maria Madalena chegou, como mulher cujo amor havia suspeitado da morte, n\u00e3o encontrou ningu\u00e9m. O t\u00famulo estava vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor foi a ultima coisa que tinha restado. A f\u00e9 desaparecera, mas o amor continuava operante e chegou antes de qualquer um dos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante que tenha sido uma mulher a chegar primeiro. Como toda mulher, Madalena tinha superado a descren\u00e7a sem buscar nada para si. Somente o amor lhe era suficiente. Por isso chegou primeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amando como fez, n\u00e3o buscou nenhuma explica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tentou justificar nada nem compreender com passagens desgastantes o que o amor a tinha revelado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltou correndo e foi contar a Pedro e Jo\u00e3o o que tinha visto: retiraram o senhor do sepulcro e n\u00e3o sabemos onde o colocaram!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade o que Madalena fala. O sepulcro est\u00e1 vazio e a esperan\u00e7a renasce em seu cora\u00e7\u00e3o. Por fim pensa ela, e n\u00f3s testemunhamos no decorrer do tempo, o amor venceu porque \u00e9 mais forte que a morte!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha Mota Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Logo de manh\u00e3 Maria Madalena correu at\u00e9 o t\u00famulo e foi verificar a situa\u00e7\u00e3o de Jesus (Jo 20,1). Aquele mesmo, que pouco antes tinha sido crucificado. A morte, como na maioria dos casos, deveria ser a palavra final. 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