{"id":867949,"date":"2022-04-22T16:36:15","date_gmt":"2022-04-22T19:36:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=867949"},"modified":"2022-04-22T16:37:13","modified_gmt":"2022-04-22T19:37:13","slug":"alegrias-pascais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/alegrias-pascais\/","title":{"rendered":"Alegrias pascais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Belo Horizonte (MG)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale ouro aprender o caminho para a conquista de uma alegria duradoura e que d\u00e1 alento permanente ao cora\u00e7\u00e3o humano. Este caminho, indicado a partir da sabedoria m\u00edstica da liturgia da Igreja Cat\u00f3lica, inclui a dedica\u00e7\u00e3o a um tempo, com a preciosidade de din\u00e2micas experienciais: o Tempo Pascal. A celebra\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria do Ressuscitado &#8211; Cristo Jesus, Mestre e Redentor &#8211; come\u00e7a na Solenidade da Vig\u00edlia Pascal, no S\u00e1bado Santo, contempla a alegria do Domingo de P\u00e1scoa e a solenidade vivida uma semana depois \u2013 o Domingo da Miseric\u00f3rdia. Ao todo, s\u00e3o cinquenta dias que oferecem ao ser humano, a partir de viv\u00eancias ancoradas nas tradi\u00e7\u00f5es das celebra\u00e7\u00f5es b\u00edblicas, a oportunidade de se deixar encharcar pelo mist\u00e9rio maior do amor. Tempo emoldurado pela luz luzente da Palavra de Deus, indicando caminhos, clareando entendimentos e fortalecendo os passos no seguimento de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As celebra\u00e7\u00f5es vividas no tempo da P\u00e1scoa n\u00e3o s\u00e3o simplesmente alus\u00e3o a um evento hist\u00f3rico, com o objetivo de relembrar o passado. Trata-se de uma for\u00e7a que permite a gesta\u00e7\u00e3o das alegrias pascais &#8211; e n\u00e3o h\u00e1 nada mais terr\u00edvel ao ser humano do que distanciar-se dessa alegria. O cora\u00e7\u00e3o humano n\u00e3o d\u00e1 conta de permanecer envolto a uma nuvem de tristeza. A tristeza gera o medo, que tem for\u00e7a paralisante. Muitas vezes, na tentativa de se vencer essa paralisa\u00e7\u00e3o, esse medo, s\u00e3o buscadas respostas inadequadas, sentimentos que est\u00e3o na contram\u00e3o da inteireza e da dignidade humana. Nesse sentido, pode-se dizer que as tristezas s\u00e3o capazes de aprisionar o cora\u00e7\u00e3o humano na mesquinhez, com s\u00e9rios comprometimentos no exerc\u00edcio da cidadania. Na tentativa de se evitar a tristeza, deposita-se, equivocadamente, exagerada confian\u00e7a naquilo que se pode possuir, na ilus\u00f3ria convic\u00e7\u00e3o de que o ac\u00famulo de bens e poder afugenta qualquer amargura. Eis uma das causas que explicam o sentido superficial de solidariedade que prevalece na civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ilus\u00e3o de que se pode vencer a tristeza acumulando bens e poder \u00e9 respons\u00e1vel por uma generalizada indiferen\u00e7a na considera\u00e7\u00e3o dos sofrimentos dos outros, particularmente dos que necessitam de assist\u00eancia emergencial. Al\u00e9m disso, quando se restringe o sentimento de alegria \u00e0s garantias do pr\u00f3prio bem-estar compromete-se o exerc\u00edcio da cidadania, desconsiderando o bem comum. Passa-se a compreender que os servi\u00e7os prestados, em diferentes \u00e2mbitos e n\u00edveis, servem apenas para assegurar mesquinhamente o pr\u00f3prio benef\u00edcio. Ansiando fugir da tristeza, vive-se a superficialidade na busca por respostas prazerosas, ef\u00eameras, todas sem for\u00e7a para atender a demanda do cora\u00e7\u00e3o humano, carente de alegrias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensura\u00e7\u00e3o dos estragos que a tristeza produz \u00e9 uma tarefa existencial relevante para convencer o quanto \u00e9 essencial encontrar o caminho de alegrias duradouras. Assim, compreende-se a import\u00e2ncia do Tempo Pascal, capaz de corresponder \u00e0 necessidade humana e existencial de se hospedar alegrias na pr\u00f3pria interioridade. As alegrias pascais t\u00eam propriedades para levar felicidade ao ser humano, para al\u00e9m de sensa\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas e ef\u00eameras. A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa de Jesus produz sabedorias, lucidez na cidadania, conduz a respostas inteligentes, \u00e0 conquista de expressiva qualidade humana e espiritual. A viv\u00eancia do Tempo Pascal, celebrado at\u00e9 a Festa de Pentecostes, \u00e9 exerc\u00edcio capaz de mudar interioridades a partir do entendimento sobre o que se passa na vida dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas do Cristo Ressuscitado: transforma covardes em corajosos, reveste aqueles que ainda n\u00e3o compreendiam com um horizonte de clarivid\u00eancias, curando os soberbos de sua mesquinhez intelectual, ajudando a comunidade a n\u00e3o ficar indiferente em rela\u00e7\u00e3o aos necessitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus, anunciada neste Tempo Pascal, reveste, com for\u00e7a de atualiza\u00e7\u00e3o e incid\u00eancia transformadora, a alma dos que a recebem. Gera impactos que fazem, por gra\u00e7a, brotar as alegrias pascais, como fonte borbulhante na interioridade. Alegrias que duram e orientam um novo modo de viver, semelhante \u00e0 vida nova experimentada por Pedro, Jo\u00e3o, Tom\u00e9, Madalena, Paulo e tantos outros na hist\u00f3ria bimilenar da Igreja. Para encontrar essa alegria transformadora \u00e9 preciso respeitar apenas uma inegoci\u00e1vel exig\u00eancia: partir sempre de Cristo, o Crucificado-Ressuscitado. Reconhecer que Jesus ressuscitou verdadeiramente, est\u00e1 vivo, vencedor da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No exerc\u00edcio de sempre partir de Cristo incluem-se din\u00e2micas indispens\u00e1veis, como aquela que moveu o cora\u00e7\u00e3o de Maria Madalena, impulsionado pelo desejo de procura, de madrugada, ainda no escuro: Ela volta ao t\u00famulo, o acha vazio e \u00e9 presenteada pelo encontro com o Ressuscitado. Com um mandato, Jesus a faz a primeira disc\u00edpula a anunciar a grande alegria. Indispens\u00e1vel ainda \u00e9 conhecer o testemunho de vida daqueles que dotaram seus cora\u00e7\u00f5es de alegrias pascais duradouras. Comover-se com gestos e palavras relacionadas \u00e0 paix\u00e3o, \u00e0 morte e \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus. Assim, convencer-se de que a for\u00e7a das alegrias pascais impulsiona a transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Por necessidade, a civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea precisa buscar um novo tempo, uma vida nova. Vida vivida com o b\u00e1lsamo das alegrias pascais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG) &nbsp; Vale ouro aprender o caminho para a conquista de uma alegria duradoura e que d\u00e1 alento permanente ao cora\u00e7\u00e3o humano. Este caminho, indicado a partir da sabedoria m\u00edstica da liturgia da Igreja Cat\u00f3lica, inclui a dedica\u00e7\u00e3o a um tempo, com a preciosidade de din\u00e2micas &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/alegrias-pascais\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Alegrias pascais<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/867949"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=867949"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/867949\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=867949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=867949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=867949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}