{"id":8718,"date":"2018-01-24T00:00:00","date_gmt":"2018-01-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/mudancas-mais-radicais\/"},"modified":"2018-01-24T00:00:00","modified_gmt":"2018-01-24T02:00:00","slug":"mudancas-mais-radicais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/mudancas-mais-radicais\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as mais radicais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Reginaldo Andrietta<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Jales<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A atual crise econ\u00f4mica brasileira, manifestada sobretudo pelo alt\u00edssimo \u00edndice de desemprego, sugere an\u00e1lises. Essa crise decorre somente da pol\u00edtica econ\u00f4mica atual? Certamente n\u00e3o, pois o sistema econ\u00f4mico, n\u00e3o afrontado at\u00e9 mesmo por governos mais populares, gera exclu\u00eddos. Os detentores do capital aperfei\u00e7oam seus mecanismos de explora\u00e7\u00e3o, maximizando os investimentos tecnol\u00f3gicos e a financeiriza\u00e7\u00e3o da economia. Aos pobres restam \u201cmigalhas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Qual l\u00f3gica est\u00e1 por detr\u00e1s desse sistema? Como nossa pr\u00e1tica socioecon\u00f4mica revela nossas \u201ccren\u00e7as\u201d, proponho uma reflex\u00e3o sobre essa quest\u00e3o sob o prisma teol\u00f3gico-pastoral. Qual conceito de Deus nossa sociedade cultiva, hoje? Aquele que \u00e9 gerador de comunh\u00e3o entre os humanos ou propulsor da concorr\u00eancia e do sucesso individual, finalmente, um \u00eddolo? Qual cren\u00e7a nos propomos ter?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cN\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d (Mt 6,24). O \u201cdinheiro\u201d, mencionado por Cristo, simboliza o capital que, ao longo da hist\u00f3ria, tem sido acumulado, tendo, hoje, um grau elevado de virtualidade. O mercado financeiro \u00e9 feito por dinheiro que gera dinheiro, sem lastro real. O capital, nessa forma, d\u00e1 impress\u00e3o de ser um \u201cdeus que gera a si mesmo\u201d. Esse extremo resulta de uma economia sob a l\u00f3gica da mercantiliza\u00e7\u00e3o total, fundada na explora\u00e7\u00e3o desenfreada dos recursos naturais e da m\u00e3o-de-obra, cujo lucro \u00e9 canalizado para a gera\u00e7\u00e3o de mais lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa \u201ceconomia sem cora\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o est\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o da coletividade humana. Ela se funda na liberdade e na concorr\u00eancia de mercado que sacrifica vidas humanas. Essa l\u00f3gica sacrificial foi explicitamente questionada por Jesus: \u201cIde, pois, e aprendei o que significa: \u2018eu quero miseric\u00f3rdia e n\u00e3o sacrif\u00edcio\u2019\u201d (Mt 9,13). Hoje, a classe trabalhadora tem sido imolada, ou seja, sacrificada no altar do \u201ctrabalho explorado\u201d ou do \u201cn\u00e3o trabalho\u201d, em oferenda ao \u201cdeus capital\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A impossibilidade do trabalho, o trabalho prec\u00e1rio e o trabalho com fun\u00e7\u00e3o antissocial resultam de uma l\u00f3gica econ\u00f4mica idol\u00e1trica, cruelmente mortal. A f\u00e9 no Deus verdadeiro, de inspira\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, sinaliza uma l\u00f3gica totalmente oposta. Deus, segundo essa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de vida. Ele \u00e9, portanto, libertador de sistemas que causam a morte, a exemplo da liberta\u00e7\u00e3o dos hebreus no Egito, relatada no livro do \u00caxodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A identidade libertadora de Deus se manifestou, tamb\u00e9m, na conquista da \u201cterra prometida\u201d, na atua\u00e7\u00e3o dos profetas e na miss\u00e3o de Cristo, o Verbo encarnado (cf. Lc 4,16-21). Este assumiu a \u201ccondi\u00e7\u00e3o de escravo\u201d, isto \u00e9, de trabalhador do seu tempo (cf. Fl 2,5-11), adentrando a realidade de morte gerada sobretudo pelo trabalho opressor, para resgatar os oprimidos e dar-lhes vida. O pr\u00f3prio Jesus o diz: \u201cO ladr\u00e3o vem s\u00f3 para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abund\u00e2ncia\u201d (Jo 10,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus foi um trabalhador manual, identificado com trabalhadores comuns. Seu \u201ctrabalho\u201d evoluiu para a \u201cobra\u201d que o Pai lhe confiou e assumiu-a at\u00e9 o fim (cf. Jo 17,4). Sua doa\u00e7\u00e3o total para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade, tornou-se miss\u00e3o dos que nele creem. A sociedade brasileira se inspira, hoje, no Deus revelado em Cristo ou na falsa cren\u00e7a de um desenvolvimentismo que concede \u00e0 maior parte da popula\u00e7\u00e3o somente as \u201csobras dessa festa macabra\u201d? Se nos orientamos por uma f\u00e9 falsa, certamente nossa crise \u00e9 maior do que parece, necessitando mudan\u00e7as mais radicais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Reginaldo Andrietta Bispo de Jales &nbsp; A atual crise econ\u00f4mica brasileira, manifestada sobretudo pelo alt\u00edssimo \u00edndice de desemprego, sugere an\u00e1lises. Essa crise decorre somente da pol\u00edtica econ\u00f4mica atual? Certamente n\u00e3o, pois o sistema econ\u00f4mico, n\u00e3o afrontado at\u00e9 mesmo por governos mais populares, gera exclu\u00eddos. 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