{"id":8751,"date":"2018-01-29T00:00:00","date_gmt":"2018-01-29T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-que-sofremos\/"},"modified":"2018-01-29T00:00:00","modified_gmt":"2018-01-29T02:00:00","slug":"por-que-sofremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-que-sofremos\/","title":{"rendered":"Por que sofremos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo auxiliar de Porto Alegre<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Franz Kafka descreve o ser humano como um condenado \u00e0 morte que ignora, contudo, como ser\u00e1 a senten\u00e7a que lhe ser\u00e1 decretada. Ele n\u00e3o sabe por que deve morrer e n\u00e3o compreende o sentido dessa experi\u00eancia. Albert Camus concebe o ser humano como algu\u00e9m que busca o inating\u00edvel. Mas, na medida em que passa a vida, descobre que n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar as mais profundas aspira\u00e7\u00f5es. Dessa forma, constata o absurdo de sua exist\u00eancia. H\u00e1 esvaziamento de sentido de sua humana viv\u00eancia na terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesses casos, n\u00e3o se concebe a beleza da exist\u00eancia como um benef\u00edcio da bondade divina, que \u00e9 o fundamento de todos os outros bens. Quando se percebe a realidade da exist\u00eancia nos confins de nossa vida na terra, interpreta-se que a cadeia de acontecimentos vividos desemboca necessariamente no desespero. Entende-se a vida apenas como uma evolu\u00e7\u00e3o penosa rumo a um destino ignorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em tempos de profunda crise de esperan\u00e7a, de incapacidade de sonhar e projetar o futuro, de preferir eternizar o presente para que seja eterno enquanto dure, toda experi\u00eancia de dor tende a ser camuflada ou intencionalmente \u201cesquecida\u201d, se \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel enganar-se tanto e por muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A experi\u00eancia da vida humana \u00e9 uma altern\u00e2ncia de alegrias e sofrimentos. Tristeza e dor nem sempre dependem da vontade humana. Pode-se at\u00e9 pensar o mal como uma anomalia da cria\u00e7\u00e3o ou um esc\u00e2ndalo que remete a tantas interroga\u00e7\u00f5es: por que sofrer? O mist\u00e9rio do mal sempre afetou o ser humano ao longo da hist\u00f3ria. A dor aparece como a priva\u00e7\u00e3o do bem ou uma ruptura, ou mesmo uma desordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A f\u00e9 n\u00e3o suprime a dor, mas a despoja do seu estilo punitivo. Para quem cr\u00ea, o sofrer estabelece uma intimidade com Cristo. A partir da experi\u00eancia de Jesus na carne, o Filho de Deus viveu o sofrimento. Com Ele, o sofrer implica tenta\u00e7\u00e3o e convite. Tenta\u00e7\u00e3o porque a dor, seja de qual tipo for, amea\u00e7a todas as seguran\u00e7as e certezas da pessoa. Ela \u00e9 uma ruptura que pode fragmentar todo o indiv\u00edduo. Reagir com revolta diante da dor \u00e9 a atitude de quem n\u00e3o consegue avaliar os limites da natureza e termina imputando a Deus a impot\u00eancia humana. Sofrer tamb\u00e9m implica convite, porque ao absurdo da dor se contrap\u00f5e a solidariedade de Cristo, que modifica o sentido do sofrimento. Quem sofre pode crescer moral e espiritualmente com essa experi\u00eancia. \u00c9 claro que poucos s\u00e3o os que conseguem viver tudo isso numa enfermidade. Depende de f\u00e9. S\u00f3 o crente pode abrir caminhos de liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o imposta pelo mal. Assim, n\u00e3o interessa quanto se sofre, mas como se sofre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A f\u00e9 n\u00e3o pode ocupar-se em responder sobre o porqu\u00ea da dor. Na B\u00edblia n\u00e3o se encontra uma solu\u00e7\u00e3o racional para essa quest\u00e3o. Mesmo que os textos tendam, na maior parte, a conceber a dor como resultado de uma desordem introduzida no mundo pelo pecado, biblicamente n\u00e3o se sustenta a ideia de que a dor \u00e9 resultado de um destino cego que adv\u00e9m sobre a humanidade. Muito mais \u00e9 entendida como uma disposi\u00e7\u00e3o da insond\u00e1vel sabedoria divina, diante da qual o ser humano deve reverenciar pela for\u00e7a da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, a dor n\u00e3o \u00e9 uma vingan\u00e7a, tampouco um castigo divino para descontar as faltas humanas. Mas a dor tem sempre um significado, seja para o justo quanto para o pecador. \u00c9 um caminho para que a humanidade alcance a felicidade eterna. Por um lado, induz o pecador a abandonar o pecado e voltar-se para Deus. Por outro, o sofrimento \u00e9 vivido pelo justo como um meio da pedagogia divina. Eis o desafio: aprender a amar mesmo em meio ao sofrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Bispo auxiliar de Porto Alegre &nbsp; Franz Kafka descreve o ser humano como um condenado \u00e0 morte que ignora, contudo, como ser\u00e1 a senten\u00e7a que lhe ser\u00e1 decretada. 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