{"id":8848,"date":"2018-02-09T00:00:00","date_gmt":"2018-02-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fica-curado\/"},"modified":"2018-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-09T02:00:00","slug":"fica-curado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fica-curado\/","title":{"rendered":"Fica Curado!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Celebramos neste final de semana o sexto domingo do tempo comum e o Evangelho ressalta que:\u00a0&#8220;Um leproso chegou perto de Jesus<em>&#8220;(Mc 1,40)<\/em>. No tempo de Cristo, toda doen\u00e7a na pele que oferecesse perigo de cont\u00e1gio era considerada um tipo de lepra; e tornava a pessoa impura. Ouvimos na primeira leitura:\u00a0&#8220;O homem atingido por esse mal andar\u00e1 com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: &#8216;Impuro! Impuro!&#8217; Durante todo o tempo em que estiver leproso ser\u00e1 impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento<em>&#8220;(Lv 13,45-46).<\/em>\u00a0Eis! \u00c9 algu\u00e9m assim que se aproxima de Jesus: ferido, exclu\u00eddo do conv\u00edvio da Assembl\u00e9ia de Israel, colocado fora da Cidade, quase um morto-vivo&#8230; Um leproso n\u00e3o podia tocar as pessoas sen\u00e3o elas se tornariam impuras como ele; e um leproso n\u00e3o convivia com sua fam\u00edlia, e nem podia entrar na Casa do Senhor para rezar com seus irm\u00e3os: era um ningu\u00e9m: &#8220;Impuro! Impuro!&#8221; \u2013 ele gritava, com a barba coberta em sinal de luto e profunda tristeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Evangelho (Mc 1, 40-45) narra a cena de um leproso que, ao encontrar-se com Jesus, ficou curado. A Lei de Mois\u00e9s prescrevia o seguinte: \u201cO leproso deve ficar isolado e morar fora do acampamento\u201d (Lv 13, 46). Um preceito duro que s\u00f3 se explica pela preocupa\u00e7\u00e3o de evitar o cont\u00e1gio e pela id\u00e9ia corrente entre os hebreus de que era um castigo de Deus aos pecadores. Consequentemente, o leproso era um foragido da comunidade e tido como \u201cimpuro\u201d, ferido e amaldi\u00e7oado por Deus. Que f\u00e9 maravilhosa! Aquele homem de Deus, abandonado e rejeitado pelos homens, no entanto, acredita em Cristo. A f\u00e9 aut\u00eantica n\u00e3o se perde em racioc\u00ednios sutis; tem uma l\u00f3gica muito simples: Deus pode fazer tudo; basta, pois, que o queira fazer. Ao pedido, que manifesta uma confian\u00e7a ilimitada, Jesus responde com um gesto inaudito para um povo, a quem fora proibido qualquer contato com os leprosos: \u201cestendeu a m\u00e3o, tocou-o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cena do leproso que vai ao encontro de Jesus \u00e9 t\u00e3o marcante que a encontramos narrada em tr\u00eas Evangelistas que contam o epis\u00f3dio e transmitem-nos o gesto surpreendente do Senhor: \u201cEstendeu a m\u00e3o e o tocou\u201d. At\u00e9 \u00e0quele momento, todos os homens haviam fugido dele com medo e repugn\u00e2ncia. Cristo, por\u00e9m, que podia t\u00ea-lo curado \u00e0 dist\u00e2ncia \u2013 como j\u00e1 o fizera em outras ocasi\u00f5es \u2013, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se afasta dele, como chega a tocar a sua lepra. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a ternura de Cristo e a gratid\u00e3o do doente quando viu o gesto do Senhor e ouviu as suas palavras: \u201cQuero, s\u00ea limpo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A primeira leitura <strong>(<\/strong><strong>2Rs 5,9-14) <\/strong>nos mostra o horror que a doen\u00e7a causa nesse homem de destaque, a ponto de procurar um profeta em terra estrangeira, em Israel. O recorte lit\u00fargico n\u00e3o inclui a descri\u00e7\u00e3o dos ricos presentes que o homem trouxe para o profeta, os quais real\u00e7am ainda mais o seu\u00a0<em>status<\/em>. Menciona, sim, o orgulho de Naam\u00e3, que julga pouca coisa banhar-se no rio Jord\u00e3o, um riacho, em compara\u00e7\u00e3o com os rios da capital de sua terra, Damasco. Mas, aconselhado pelos servos, o homem banha-se, assim mesmo, no rio Jord\u00e3o e fica curado: \u201cSua carne tornou-se semelhante \u00e0 de uma criancinha\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na segunda leitura (1Cor 10,31-11,1) ao fim da discuss\u00e3o sobre a carne consagrada aos \u00eddolos (1Cor 8-10), Paulo tira as conclus\u00f5es pr\u00e1ticas. Comprar carne desses banquetes no mercado, sem ningu\u00e9m o saber, pode parecer sem import\u00e2ncia (10,25). Se, por\u00e9m, algu\u00e9m o sabe e se escandaliza, ent\u00e3o n\u00e3o se deve comer dessa carne, por amor ao fraco na f\u00e9 (10,28-29), pois n\u00e3o seria poss\u00edvel com\u00ea-la agradecendo a Deus (10,30). Da\u00ed a atitude geral: fazer tudo de sorte que seja um agradecimento a Deus, o que acontece quando \u00e9 para o bem dos outros. Por fim, Paulo atreve-se a apresentar-se como exemplo, sendo Cristo o exemplo dele (cf. 1Cor 11,1; Fl 3,17). \u00a0Jesus apenas v\u00ea em cada pessoa um irm\u00e3o que Deus ama e a quem \u00e9 preciso estender a m\u00e3o e amar, tamb\u00e9m. Como \u00e9 que lidamos com os exclu\u00eddos da sociedade ou da Igreja? Procuramos integrar e acolher (os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os diferentes\u201d) ou ajudamos a perpetuar os mecanismos de exclus\u00e3o e de discrimina\u00e7\u00e3o? O gesto de Jesus de estender a m\u00e3o e tocar o leproso \u00e9 um gesto provocador, que denuncia uma Lei in\u00edqua, geradora de discrimina\u00e7\u00e3o, de exclus\u00e3o e de sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com esta liturgia deste domingo, queremos pedir ao Senhor que nos cure, pois, somos leprosos, somos pecadores, nossos pecados mancham n\u00e3o a nossa pele, mas o nosso cora\u00e7\u00e3o, o mais profundo da nossa alma! Senhor, de joelhos, como o leproso do Evangelho, te suplicamos: cura-nos e seremos curados! D\u00e1-nos a gra\u00e7a de reconhecer nossos pecados; reconhecendo-os, d\u00e1-nos a coragem e sinceridade de confess\u00e1-los; confessando-os, d\u00e1-nos a gra\u00e7a de experimentar teu perd\u00e3o, de cumprir generosamente a penit\u00eancia e de procurar com responsabilidade emendar a nossa vida! Tem piedade de n\u00f3s, \u00f3 Autor da gra\u00e7a e Doador do perd\u00e3o! A ti a gl\u00f3ria para sempre! Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ) Celebramos neste final de semana o sexto domingo do tempo comum e o Evangelho ressalta que:\u00a0&#8220;Um leproso chegou perto de Jesus&#8220;(Mc 1,40). 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