{"id":8864,"date":"2018-02-15T00:00:00","date_gmt":"2018-02-15T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-leonardo-steiner-a-cf-e-oportunidade-para-que-todos-se-lembrem-que-nao-somos-adversarios-mas-irmaos\/"},"modified":"2018-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-15T02:00:00","slug":"dom-leonardo-steiner-a-cf-e-oportunidade-para-que-todos-se-lembrem-que-nao-somos-adversarios-mas-irmaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-leonardo-steiner-a-cf-e-oportunidade-para-que-todos-se-lembrem-que-nao-somos-adversarios-mas-irmaos\/","title":{"rendered":"Dom Leonardo: \u201cCF: n\u00e3o somos advers\u00e1rios, mas irm\u00e3os\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Nat\u00e1lia Lambert e Leonardo Cavalcanti publicaram entrevista no Jornal Correio Braziliense realizada com dom Leonardo Steiner, secret\u00e1rio-geral da CNBB sobre o tema da Campanha da Fraternidade. Reproduzimos a Entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Por que a escolha do tema viol\u00eancia? Que tipo de viol\u00eancia a campanha pretende enfrentar?<\/strong><br \/>\n<em>A Campanha da Fraternidade, realizada pela CNBB desde os anos de 1960, j\u00e1 tratou da viol\u00eancia tanto de maneira direta e expl\u00edcita como apontando a presen\u00e7a dela em v\u00e1rios outros temas. Este ano, a realidade a ser refletida e rezada n\u00e3o \u00e9 exatamente a viol\u00eancia, mas a supera\u00e7\u00e3o dela. A viol\u00eancia \u00e9 palp\u00e1vel e sofremos o impacto da mesma. O importante \u00e9 buscar como Igreja, sociedade, comunidade, caminhos de rela\u00e7\u00f5es mais fraternas. A campanha prop\u00f5e refletir e agir para superar qualquer tipo de viol\u00eancia. Partimos da constata\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 m\u00faltiplas formas de viol\u00eancia e podemos super\u00e1-la com a participa\u00e7\u00e3o de todos, construindo a fraternidade por meio da promo\u00e7\u00e3o de uma cultura da paz, de reconcilia\u00e7\u00e3o e de justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A viol\u00eancia nas redes sociais tamb\u00e9m ser\u00e1 abordada?<\/strong><br \/>\n<em>A CNBB preparou um vasto estudo sobre a viol\u00eancia e os caminhos que podemos trilhar para super\u00e1-la. O principal resultado desse estudo \u00e9 um texto-base no qual se encontra uma boa s\u00edntese do que pretendemos refletir durante a Quaresma. A viol\u00eancia nas redes sociais, especialmente na polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, reflete a cultura da viol\u00eancia em geral. O texto-base afirma: \u201cConsiderando que o poder midi\u00e1tico influencia na forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o e no comportamento das pessoas, precisamos estimular a cultura da toler\u00e2ncia, do respeito e da paz em nossa pr\u00e1tica cotidiana e nas redes sociais. Por esta raz\u00e3o, ao fazer uso das redes sociais com postagens e mensagens que contribuam com o crescimento das pessoas e da sociedade, bem como n\u00e3o alimentar ou reencaminhar v\u00eddeos ou mensagens que estimulem o \u00f3dio, estaremos diminuindo a viol\u00eancia midi\u00e1tica\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como a Igreja pode contribuir no combate \u00e0 viol\u00eancia?<\/strong><br \/>\n<em>O agir \u00e9 uma consequ\u00eancia da nossa f\u00e9. Para combater, \u00e9 preciso n\u00e3o somente fazer grandes coisas, mas agir no cotidiano, como diz o Papa Francisco: \u201cTodos desejamos a paz, muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir\u201d. A complexa realidade da viol\u00eancia no Brasil pede uma diversidade de iniciativas para a supera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula pronta. Refletir, discutir e rezar \u00e9 o primeiro passo. Outros passos s\u00e3o: propor a \u00e9tica como medida das rela\u00e7\u00f5es sociais; exigir uma seguran\u00e7a p\u00fablica para todos, questionando o investimento que se faz na prepara\u00e7\u00e3o das pessoas; manifestar descontentamento com a corrup\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma das viol\u00eancias que deterioram as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais. Cada um de n\u00f3s \u00e9 convocado a mudar, de algum modo, nos ambientes que vivemos e com as pessoas com as quais dividimos nosso destino social.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Os jovens s\u00e3o as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia. Como alcan\u00e7ar esse p\u00fablico?<\/strong><br \/>\n<em>Papa Francisco convocou uma S\u00ednodo sobre os jovens com a tem\u00e1tica voltada para a juventude no mundo inteiro. Por isso, nossos jovens t\u00eam procurado refletir sobre a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia que eles enfrentam todos os dias. No \u00e2mbito da campanha, procuramos apresentar pistas de a\u00e7\u00e3o bem concretas para estimular a participa\u00e7\u00e3o dos jovens nos conselhos municipais e estaduais da juventude nos quais poder\u00e3o dar ideias, elaborar e acompanhar a execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Al\u00e9m disso, toda a comunidade \u00e9 chamada a dar aten\u00e7\u00e3o e acompanhar, com seriedade, os jovens usu\u00e1rios de drogas para ajud\u00e1-los no duro caminho de volta \u00e0 sa\u00fade plena e, al\u00e9m disso, denunciar a rede do narcotr\u00e1fico.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Qual a opini\u00e3o da Igreja sobre a viol\u00eancia nos pres\u00eddios?<\/strong><br \/>\n<em>Na elabora\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios, buscamos incluir a gritante situa\u00e7\u00e3o do sistema carcer\u00e1rio, especialmente o aumento da viol\u00eancia nos ambientes prisionais promovido por disputas de fac\u00e7\u00f5es criminosas. S\u00e3o mais de 650 mil presos, vivendo em condi\u00e7\u00f5es degradantes. Em vez de praticar os ideais de recupera\u00e7\u00e3o e reintegra\u00e7\u00e3o das pessoas, as pris\u00f5es transformam-se em dep\u00f3sitos de supostos \u201cmaus elementos\u201d a serem reprimidos e, se poss\u00edvel, esquecidos pela sociedade. De dentro das pris\u00f5es, presos gerenciam organiza\u00e7\u00f5es criminosas que controlam parte da criminalidade violenta dentro e fora das pris\u00f5es. A CNBB mant\u00e9m sua solicitude para com essa realidade por meio do cuidado constante da Pastoral Carcer\u00e1ria. \u00c9 urgente discutir com a sociedade o nosso sistema prisional, o modo e os motivos do encarceramento e os tr\u00e2mites da justi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos presos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O que a Igreja tem a dizer sobre crist\u00e3os que defendem o porte de arma?<\/strong><br \/>\n<em>O estudo que foi feito na prepara\u00e7\u00e3o da campanha deste ano dedicou um cap\u00edtulo importante para a quest\u00e3o do desarmamento. Em 2005, houve um referendo e a popula\u00e7\u00e3o brasileira rejeitou o dispositivo do estatuto que proibia a venda de armas no Brasil. Hoje, se percebe que a viol\u00eancia aumentou e as pessoas n\u00e3o se sentem mais seguras porque podem portar armas. A paz \u00e9 fruto da justi\u00e7a e n\u00e3o do armamento. Ele nem sequer \u00e9 uma forma preventiva para se conter a viol\u00eancia. Na verdade, o armamento \u00e9 um dos instrumentos que contribui para as manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. \u00c9 uma esp\u00e9cie de \u201colho por olho, dente por dente\u201d. Por isso, somos favor\u00e1veis ao Estatuto do Desarmamento como ferramenta para o enfrentamento da viol\u00eancia. A campanha deste ano \u00e9 oportunidade para que todos, crist\u00e3os e pessoas de boa vontade, reflitam sobre esse e tantos outros problemas relacionados a viol\u00eancia e se lembrem que n\u00e3o somos advers\u00e1rios, mas irm\u00e3os.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista concedida ao Jornal Correio Braziliense, secret\u00e1rio-geral da CNBB trata de v\u00e1rios aspectos do tema da Campanha da Fraternidade 2018<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":8242,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[869],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/8864"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=8864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/8864\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/8242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=8864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=8864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=8864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}