{"id":8877,"date":"2018-02-15T00:00:00","date_gmt":"2018-02-15T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-violencia-em-debate\/"},"modified":"2018-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-15T02:00:00","slug":"a-violencia-em-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-violencia-em-debate\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia em debate"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade deste ano, que ser\u00e1 lan\u00e7ada na Quarta-feira de Cinzas, in\u00edcio da caminhada quaresmal, traz para o debate o tema da viol\u00eancia e sua supera\u00e7\u00e3o. Com certeza n\u00e3o esgotaremos este tema, pela sua amplitude e pela sua complexidade, durante o tempo quaresmal, mas deseja-se \u201crefletir a realidade da viol\u00eancia, rezar por todos os que sofrem viol\u00eancia e unir as for\u00e7as da comunidade para super\u00e1-la\u201d (Texto Base CF 2018, n. 8). O objetivo geral proposto \u00e9 \u201cconstruir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconcilia\u00e7\u00e3o e da justi\u00e7a, \u00e0 luz da Palavra de Deus, como caminho de supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia\u201d (Texto Base CF 2018, n. 15). Olhando para a realidade da viol\u00eancia no Brasil, somos menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas respondemos por 13% dos assassinatos do mundo. Em 2014, por exemplo, foram 59.627 mortes (cf Texto Base, n. 18). N\u00e3o podemos nos conformar com esta realidade, achando que \u00e9 normal ou que n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 que existem algumas formas de viol\u00eancia que s\u00e3o \u201cculturais\u201d. A viol\u00eancia \u00e9 sempre um mal e \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o humana, nunca natural, pois o ser humano foi criado para a comunh\u00e3o e a fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde a chegada dos europeus, a viol\u00eancia marca nossa hist\u00f3ria. A compreens\u00e3o da superioridade do colonizador branco em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndios e negros marcou as rela\u00e7\u00f5es sociais que perduram at\u00e9 hoje. Esta diferencia\u00e7\u00e3o excludente, desde a coloniza\u00e7\u00e3o, produz uma viol\u00eancia que resulta da desigualdade econ\u00f4mica. Ao gerar exclus\u00e3o e perpetuar desigualdades sociais, a economia produz viol\u00eancia e morte. \u201cDigamos N\u00c3O a uma economia de exclus\u00e3o e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui\u201d, disse nosso Papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dentre as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia, algumas s\u00e3o destacadas no Texto Base da Campanha da Fraternidade, para serem debatidas e superadas. A primeira \u00e9 a viol\u00eancia racial. O preconceito e a viol\u00eancia atingem os negros, os \u00edndios e, recentemente, no Brasil os migrantes. Os jovens tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas da viol\u00eancia, sobretudo quando ligados ao tr\u00e1fico de drogas. A maioria \u00e9 formada de jovens negros, do sexo masculino. O n\u00famero de homic\u00eddios por arma de fogo cresceu 592,8% entre 1980 e 2014 (cf. Texto Base, n. 81). A viol\u00eancia dom\u00e9stica tamb\u00e9m \u00e9 preocupante, pois, normalmente, ela permanece velada. A viol\u00eancia contra a mulher acontece, normalmente, dentro de casa (71,8% dos casos), sendo, normalmente, o parceiro o agressor. Tamb\u00e9m as crian\u00e7as e adolescentes sofrem viol\u00eancia dentro de casa, pelos abusos sexuais, ataques verbais ou neglig\u00eancia no cuidado e educa\u00e7\u00e3o. A pobreza, que atinge sobretudo as crian\u00e7as, \u00e9 a maior viol\u00eancia: \u201ccerca de 1 bilh\u00e3o de crian\u00e7as vivem na pobreza no mundo\u201d (cf. Texto Base, n. 95). Segue a lista das formas de viol\u00eancia com a explora\u00e7\u00e3o sexual e o tr\u00e1fico humano, que constitui uma das tr\u00eas atividades criminosas mais rent\u00e1veis, ao lado do tr\u00e1fico de drogas e de armas. 75% das v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas s\u00e3o mulheres e meninas. Vis\u00edvel \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia com o narcotr\u00e1fico, que movimenta 400 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. O combate \u00e0s drogas atinge, normalmente, os traficantes em pequena escala e os usu\u00e1rios, o que leva ao aprisionamento e a superlota\u00e7\u00e3o dos c\u00e1rceres. Dos 650 mil presos no Brasil, 40% est\u00e3o envolvidos com drogas e o sistema prisional n\u00e3o consegue recuper\u00e1-los para uma reinser\u00e7\u00e3o social, antes, aumenta ainda mais a viol\u00eancia. H\u00e1 ainda a viol\u00eancia ligada \u00e0 pol\u00edtica, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, ao fundamentalismo e intoler\u00e2ncia religiosa, \u00e0s redes sociais e ao tr\u00e2nsito, bem como tantas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos pr\u00f3ximos artigos continuaremos a aprofundar este debate e apontar caminhos para construirmos uma cultura da paz. Ao caminharmos para Jerusal\u00e9m, cidade da paz, no tempo quaresmal, construamos projetos de paz!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta \u00a0 A Campanha da Fraternidade deste ano, que ser\u00e1 lan\u00e7ada na Quarta-feira de Cinzas, in\u00edcio da caminhada quaresmal, traz para o debate o tema da viol\u00eancia e sua supera\u00e7\u00e3o. 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