{"id":8943,"date":"2018-02-22T00:00:00","date_gmt":"2018-02-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/militarismo-nao-soluciona-violencia\/"},"modified":"2018-02-22T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-22T03:00:00","slug":"militarismo-nao-soluciona-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/militarismo-nao-soluciona-violencia\/","title":{"rendered":"Militarismo n\u00e3o soluciona viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Reginaldo Andrietta<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Jales<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A interven\u00e7\u00e3o federal na seguran\u00e7a p\u00fablica do Estado do Rio de Janeiro tornou-se publicamente pol\u00eamica. Os proveitos pol\u00edticos do governo federal, dos militares e dos mancomunados com essa interven\u00e7\u00e3o s\u00e3o evidentes, tanto quanto o desinteresse deles por solucionar as causas reais da inseguran\u00e7a p\u00fablica nesse e nos outros Estados, onze deles com \u00edndices mais altos ainda de viol\u00eancia. Se os intervencionistas fossem bem-intencionados dialogariam com os muitos setores da sociedade civil desse Estado, que trabalham para a supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, antes de recorrerem \u00e0s for\u00e7as militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O militarismo nunca foi nem ser\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia gerada e fomentada por modelos socioecon\u00f4micos, como o qual estamos submetidos. A Igreja Cat\u00f3lica no Brasil, por meio do texto base de sua Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema \u00e9 \u201cFraternidade e Supera\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia\u201d, faz esse alerta, dizendo que \u201co incremento da viol\u00eancia \u00e9 determinado por m\u00faltiplos fatores, dificilmente reduzido a uma causalidade \u00fanica. Entretanto, n\u00e3o se pode ignorar a influ\u00eancia do contexto socioecon\u00f4mico na gera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cTem sido uma tend\u00eancia, em diferentes partes do mundo, a institui\u00e7\u00e3o de um modelo de combate \u00e0 viol\u00eancia em que o cidad\u00e3o abre m\u00e3o de parte de seus direitos e concede ao Estado maior poder de interven\u00e7\u00e3o e de repress\u00e3o\u201d. O texto base da Campanha da Fraternidade \u00e9, nisso, incisivo ao enfatizar que \u201cmuitas vezes a sociedade tem desistido de seus direitos para vislumbrar alguma seguran\u00e7a\u201d. Muitos, assim, no Brasil, hoje, est\u00e3o desejando um regime militar, em lugar de se engajarem na luta por uma na\u00e7\u00e3o economicamente justa e socialmente solid\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enganam-se os defensores de um governo militar, por muitas raz\u00f5es, entre as quais por desconhecerem que o militarismo no Brasil sempre defendeu o interesse das elites, em nome de uma falsa seguran\u00e7a nacional. Grande parte de nossos recursos, por exemplo, foram e continuam sendo apoderados por grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, com graves consequ\u00eancias sociais e ambientais, sem que isso seja entendido por muitos pol\u00edticos e militares como afronta \u00e0 nossa soberania e agress\u00e3o ao nosso povo. Os grandes inimigos do povo est\u00e3o, ent\u00e3o, realmente, nos morros do Rio de Janeiro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Afinal, os cariocas necessitam de defesa militar ou de investimento, at\u00e9 mesmo dos milh\u00f5es de reais da interven\u00e7\u00e3o militar, em profissionaliza\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o empregos de qualidade, em melhoria das condi\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outros servi\u00e7os? \u00a0\u00c9 triste saber que muitos jovens dos bairros pobres do Rio de Janeiro e de todo o Brasil, encontram mais oportunidades de ocupa\u00e7\u00e3o e renda no tr\u00e1fico de entorpecentes do que em atividades educacionais e profissionais. O Estado que queremos \u00e9 esse que despreza e at\u00e9 trata os socialmente exclu\u00eddos como inimigos sociais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cOs governadores das na\u00e7\u00f5es as dominam e os grandes t\u00eam poder sobre elas. Entre voc\u00eas n\u00e3o dever\u00e1 ser assim\u201d (Mt 20,25-26). Essas palavras de Jesus mostram a incompatibilidade do amor ao pr\u00f3ximo por ele vivido e ensinado, com o poder, sobretudo militarista. Os meios violentos para resolver quest\u00f5es sociais, disfar\u00e7ados de seguran\u00e7a, s\u00f3 geram mais viol\u00eancia. Aprendamos, ent\u00e3o de Jesus, o valor do seu ensinamento: \u201cv\u00f3s sois todos irm\u00e3os! (Mt 23,8), lema, ali\u00e1s, da Campanha da Fraternidade deste ano. Recusemos, portanto, todos os meios violentos de gest\u00e3o p\u00fablica e resolu\u00e7\u00e3o de problemas sociais, por mais justos que possam parecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Reginaldo Andrietta Bispo de Jales &nbsp; A interven\u00e7\u00e3o federal na seguran\u00e7a p\u00fablica do Estado do Rio de Janeiro tornou-se publicamente pol\u00eamica. 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