{"id":9013,"date":"2018-03-06T00:00:00","date_gmt":"2018-03-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/superacao-da-violencia-2\/"},"modified":"2018-03-06T00:00:00","modified_gmt":"2018-03-06T03:00:00","slug":"superacao-da-violencia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/superacao-da-violencia-2\/","title":{"rendered":"Supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Edney Gouv\u00eaa Mattoso<br \/>\n<\/strong><em><strong>Bispo de Nova Friburgo (RJ)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros amigos, este ano somos convidados pela Igreja no Brasil \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia pela constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e pela promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz, da reconcilia\u00e7\u00e3o e da justi\u00e7a. Para isso, \u00e9 preciso compreender que esta reflex\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 esfera da viol\u00eancia caracterizada pelo uso intencional da for\u00e7a f\u00edsica, antes se faz necess\u00e1rio entender que a fonte da viol\u00eancia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano que vive distante da Verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, vivia no para\u00edso em estado de amizade com o Criador e de harmonia consigo e com toda a cria\u00e7\u00e3o. Pelo pecado da desobedi\u00eancia foi perdido este estado de harmonia prevista no plano de Deus (cfr. Catecismo, 374-379). Deste modo, o pecado \u00e9, por assim dizer, a primeira forma de viol\u00eancia sofrida pelo Homem. Por ele, entra no mundo a morte e o sofrimento (cfr. Rm 5,19), instaura-se no cora\u00e7\u00e3o humano a concupisc\u00eancia e a injusti\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A narra\u00e7\u00e3o b\u00edblica testemunha que a consequ\u00eancia do pecado \u00e9 a ruptura do Homem com Deus, consigo e com o mundo circunstante, rompe-se o fio da amizade que une toda a fam\u00edlia humana. O homem e a mulher acusam-se um ao outro como respons\u00e1veis pela queda (cfr. Gn 3,12), um de seus filhos, por inveja, tira a vida do irm\u00e3o (Gn 4,2-16), dentre tantos outros fatos que evidenciam a hostilidade instaurada nas rela\u00e7\u00f5es, como fruto da gan\u00e2ncia e da inveja. (cfr. Comp\u00eandio da Doutrina Social, 116).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o podemos nos esquecer que a indiferen\u00e7a religiosa e a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 Revela\u00e7\u00e3o difundidas na mentalidade hodierna, fazem diminuir em nosso meio o sentido da alian\u00e7a de Deus e do valor dos seus mandamentos. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o abandono de alguns valores morais fundamentais tem sua origem na perda do sentido do pecado. (cfr. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u00e2ngelus de 25\/08\/1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>O mist\u00e9rio do pecado \u00e9 formado por uma dupla ferida, que o pecador abre no seu pr\u00f3prio seio e na rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo. Por isso, pode falar-se de pecado pessoal e social: todo o pecado sob um aspecto \u00e9 pessoal, e todo o pecado sob um outro aspecto \u00e9 social, enquanto e porque tem tamb\u00e9m consequ\u00eancias sociais (Reconciliatio et paenitentia, 15).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pecado, no sentido pr\u00f3prio e verdadeiro, \u00e9 sempre um ato de um homem individualmente considerado e, por isso, tem suas primeiras e mais importantes consequ\u00eancias no pr\u00f3prio pecador, enfraquece-lhe a vontade e obscurece-lhe a intelig\u00eancia, al\u00e9m de atrapalhar sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Contudo,\u00a0<em>\u201cem virtude de uma solidariedade humana t\u00e3o misteriosa e impercept\u00edvel quanto real e concreta, o pecado de cada um repercute, de algum modo, sobre os outros\u201d (idem, 16).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A avidez exclusiva do lucro, a sede do poder e o fechamento nas ideologias, com o objetivo de impor ao outro a sua pr\u00f3pria vontade faz crescer na sociedade estruturas de pecado que promovem a viol\u00eancia, ferem a dignidade humana e corrompem a busca pelo bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Urge restituir \u00e0 consci\u00eancia o sentido de Deus, de sua miseric\u00f3rdia e da gratuidade de seu amor para com toda a sua cria\u00e7\u00e3o, e, por conseguinte, reconhecer a gravidade do pecado. Pois, faz parte do caminho de supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e das estruturas de pecado o reconhecimento de que somos pecadores. \u00c9 preciso aceitar, como Davi, a nossa indignidade, confessar nossa infidelidade (cfr. 2 Sam 12, 13) e, assumir o compromisso de converter o cora\u00e7\u00e3o (cfr. Sl 50,19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A experi\u00eancia do amor de Deus nos faz romper com o pecado, e faz crescer em nosso cora\u00e7\u00e3o a humaniza\u00e7\u00e3o integral e a cultura do encontro e do relacionamento, condi\u00e7\u00f5es para a promo\u00e7\u00e3o do bem comum e da felicidade de viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Edney Gouv\u00eaa Mattoso Bispo de Nova Friburgo (RJ) &nbsp; Caros amigos, este ano somos convidados pela Igreja no Brasil \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia pela constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e pela promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz, da reconcilia\u00e7\u00e3o e da justi\u00e7a. Para isso, \u00e9 preciso compreender que esta reflex\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/superacao-da-violencia-2\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/9013"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=9013"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/9013\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=9013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=9013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=9013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}