{"id":9106,"date":"2018-03-15T00:00:00","date_gmt":"2018-03-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/caritas-promove-seminario-internacional-sobre-o-rosto-da-mulher-migrante\/"},"modified":"2018-03-15T00:00:00","modified_gmt":"2018-03-15T03:00:00","slug":"caritas-promove-seminario-internacional-sobre-o-rosto-da-mulher-migrante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/caritas-promove-seminario-internacional-sobre-o-rosto-da-mulher-migrante\/","title":{"rendered":"C\u00e1ritas promove semin\u00e1rio sobre o &#8220;rosto da mulher migrante&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A programa\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Social Mundial 2018 iniciou, nesta quarta-feira (14), com o Semin\u00e1rio Internacional \u201cO Rosto da Mulher Migrante\u201d, no Convento de S\u00e3o Francisco, em Salvador (BA). Foram trazidas, durante o debate, contribui\u00e7\u00f5es de migrantes, agentes C\u00e1ritas de entidades membros de Norte a Sul do Brasil, de representantes do Secretariado Nacional, da C\u00e1ritas Internacionalis e de outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para a assessora nacional da C\u00e1ritas Brasileira, Cristina dos Anjos, o f\u00f3rum \u00e9 uma oportunidade para aprofundar as discuss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, \u00e1rea priorit\u00e1ria prevista no V Congresso Nacional, realizado em 2016, na cidade de Aparecida (SP). \u201cO fato de estarmos no m\u00eas da mulher nos inspirou a estender a reflex\u00e3o para a tem\u00e1tica das migra\u00e7\u00f5es e articular esse semin\u00e1rio com os nossos parceiros\u201d, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O encontro trouxe \u00e0 tona, nas falas de especialistas no assunto e das pr\u00f3prias migrantes, as condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social que atingem esse p\u00fablico. Segundo dados de 2016 da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (ACNUR), as mulheres representam 49% da popula\u00e7\u00e3o que recorrem ao ref\u00fagio. Ainda \u00e9 importante considerar, segundo a diretora de Incid\u00eancia Pol\u00edtica da C\u00e1ritas Internacionalis, Martina Liebsch, que as mulheres sempre migraram, mas, nos dias de hoje, \u00e9 poss\u00edvel dizer que h\u00e1 um car\u00e1ter diferenciado, visto que se tem percebido um n\u00famero cada vez maior de mulheres que migram sozinhas, situa\u00e7\u00e3o que traz consequ\u00eancias mais complexas. \u201cO significado desse debate \u00e9 dar mais protagonismo \u00e0s mulheres que, muitas vezes, ainda s\u00e3o consideradas acompanhantes no processo, e n\u00e3o como agentes migrantes por elas mesmas. E creio que \u00e9 necess\u00e1rio dar mais visibilidade a isso\u201d, salientou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Considerando a necessidade de organizar melhor a solidariedade entre os pa\u00edses, a diretora ainda tratou do Pacto Global para as Migra\u00e7\u00f5es que, entre os seus objetivos, traz a perspectiva feminina. \u201cPede-se aos governantes que os Estados ajudem no combate ao preconceito, na inser\u00e7\u00e3o e empoderamento das mulheres. Mas, isso n\u00e3o termina na hora que s\u00e3o firmados os pactos. Na medida em que os gestores aceitam as propostas, devem surgir pol\u00edticas p\u00fablicas que fa\u00e7am isso acontecer na vida delas\u201d, considerou a diretora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A assessora do Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios, Carmem Lussi tamb\u00e9m fez parte da mesa e falou sobre o cen\u00e1rio das migrantes e refugiadas na Am\u00e9rica Latina e Caribe. Na apresenta\u00e7\u00e3o, ela trouxe as condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade que as mulheres se submetem quando saem de suas origens, durante o processo migrat\u00f3rio e quando chegam aos destinos. Viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o sexual, xenofobia e marginaliza\u00e7\u00e3o social s\u00e3o algumas das situa\u00e7\u00f5es que ocorrem diante da invisibilidade dada ao tema, inclusive no \u00e2mbito acad\u00eamico, que n\u00e3o oferece muitos trabalhos no segmento. \u201cE cabe-nos, como organismo da Igreja que atua nessa tem\u00e1tica, diante do cen\u00e1rio que vivemos, reinventar as solu\u00e7\u00f5es, oferecendo solidariedade e integra\u00e7\u00e3o\u201d, disse a assessora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #800000\"><strong>Hist\u00f3rias de migrantes<\/strong><\/span> &#8211;\u00a0O semin\u00e1rio tamb\u00e9m contou com as participa\u00e7\u00f5es da venezuelana Marifer Rangel, da congolesa Prudence Kalambay, e da s\u00edria Myria Tokmaji. Elas trouxeram relatos das experi\u00eancias de persegui\u00e7\u00e3o e fuga de suas terras natais e as condi\u00e7\u00f5es que precisaram enfrentar na chegada ao Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O risco de perder a vida, diante dos conflitos que se arrastam h\u00e1 sete anos, motivou a sa\u00edda de Myria Tokmaji de seu pa\u00eds de origem. \u201cEstava vivendo um sonho, terminando minha faculdade. Mas os conflitos que, meu pai dizia que ia acabar logo, foram se prolongando e deixando a situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil. Meus familiares, amigos e eu precisamos enfrentar bombas e atiradores\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A chegada ao Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o foi f\u00e1cil para nenhuma das tr\u00eas. Para Prudence, o conhecimento e escolha para vir ao pa\u00eds, fugindo da persegui\u00e7\u00e3o da \u00c1frica surgiram a partir das belas paisagens do Rio de Janeiro e dos cen\u00e1rios das casas das telenovelas brasileiras exibidas pelas emissoras de Angola, lugar que viveu assim que saiu do Congo. \u201cQuando cheguei, descobri aqui que era negra. As pessoas ficavam olhando e at\u00e9 se afastavam\u201d, relatou a congolesa, acrescentando a realidade de pobreza e viol\u00eancia que se deparou ao desembarcar na capital carioca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para a venezuelana, a realidade n\u00e3o foi diferente. Marifer Rangel destacou que, entre tantos problemas, teve que arrumar for\u00e7as para ajudar a filha que a acompanhou na vinda ao Brasil. Com apenas 13 anos, a saudade do pa\u00eds de origem e o choque cultural levaram a jovem \u00e0 depress\u00e3o que, depois de alguns meses de tratamento, est\u00e1 se recuperando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #800000\"><strong>Desafios<\/strong><\/span> &#8211;\u00a0A consolida\u00e7\u00e3o de pactos globais de solidariedade entre os pa\u00edses podem ser cruciais para a mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios. E, nesse sentido, as migrantes da mesa, reconhecem que s\u00e3o necess\u00e1rios v\u00e1rios esfor\u00e7os para uma qualidade de vida para elas e suas fam\u00edlias longe de suas terras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Marifer Rangel destacou, por exemplo, que as leis de migra\u00e7\u00e3o precisam ser ajustadas \u00e0s necessidades de g\u00eanero. \u201c\u00c9 preciso que os pol\u00edticos e a sociedade entendam que n\u00f3s, mulheres migrantes, somos iguais a qualquer uma. Temos apenas hist\u00f3rias diferentes, mas as mesmas necessidades\u201d, ressaltou a venezuelana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As leis atuais ainda est\u00e3o distantes, segundo elas, das necessidades. A migrante s\u00edria, ao ser demitida de uma empresa no Brasil, teve dificuldade de acessar os recursos do seguro-desemprego; demorou seis meses para abrir uma empresa, como Micro Empreendedora Individual, para sua m\u00e3e vender esfirras; n\u00e3o conseguiu revalidar seu diploma, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No mesmo contexto, \u00e9 importante, para as migrantes que elas tenham oportunidade de falar e ser ouvidas pelo poder p\u00fablico. \u201cVejo que \u00e9 necess\u00e1rio um migrante trabalhando em Bras\u00edlia, sendo nosso porta-voz. Porque sabe bem a nossa realidade, passou pela experi\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O encontro trouxe \u00e0 tona, nas falas de especialistas no assunto e das pr\u00f3prias migrantes, as condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social que atingem esse p\u00fablico<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":9107,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[816,762],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/9106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=9106"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/9106\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/9107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=9106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=9106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=9106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}