{"id":9111,"date":"2018-03-16T00:00:00","date_gmt":"2018-03-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/todos-baterao-no-peito\/"},"modified":"2018-03-16T00:00:00","modified_gmt":"2018-03-16T03:00:00","slug":"todos-baterao-no-peito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/todos-baterao-no-peito\/","title":{"rendered":"Todos bater\u00e3o no peito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo de Belo Horizonte<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bater no peito \u00e9 um gesto simb\u00f3lico, forte. \u00c9 a demonstra\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia iluminada para a necessidade inadi\u00e1vel de convers\u00e3o e mudan\u00e7a no contexto atual, com suas lacunas e crises de todos os tipos. Sabe-se que n\u00e3o se avan\u00e7a sem inova\u00e7\u00f5es na tecnologia, nos funcionamentos das institui\u00e7\u00f5es, na ado\u00e7\u00e3o de novas estrat\u00e9gias capazes de alcan\u00e7ar solu\u00e7\u00f5es para os desafios contempor\u00e2neos. Tudo isso \u00e9 importante. Mas, acima de tudo, \u00e9 preciso promover transforma\u00e7\u00f5es no jeito de ser de cada cidad\u00e3o, para que fam\u00edlias, comunidades, institui\u00e7\u00f5es, toda a sociedade, sejam constitu\u00eddas por pessoas qualificadas.\u00a0 Assim, fica claro que a convers\u00e3o e a mudan\u00e7a podem ser os pilares insubstitu\u00edveis para que as consci\u00eancias tornem-se a for\u00e7a capaz de dar novo rumo \u00e0 humanidade. Eis o maior desafio existencial e \u00e9tico-moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem a necess\u00e1ria revis\u00e3o interior, permanecem os passivos e atrasos. S\u00e3o perdidos valores culturais e religiosos. Habitua-se a conviver com a incompet\u00eancia human\u00edstico-existencial nos mais diversos ambientes. Os indiv\u00edduos se tornam espectros, sem for\u00e7a para desencadear necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es. Contentam-se a realizar um \u201cvoo cego\u201d, sem rumos, desprovido de clarivid\u00eancia. \u00a0Quando n\u00e3o se revisa a pr\u00f3pria consci\u00eancia, a tend\u00eancia \u00e9 agir com certa permissividade na defesa de interesses esp\u00farios, revelando mesquinhez.\u00a0 O resultado \u00e9 uma sociedade moralmente desarticulada, com segmentos e institui\u00e7\u00f5es que servem como ancoradouro dos med\u00edocres. O ser humano perde a capacidade e a sensibilidade para reconhecer o inestim\u00e1vel valor do semelhante &#8211; a express\u00e3o do que \u00e9 nobre e grandioso na promo\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As muitas dificuldades enfrentadas atualmente podem ser, em grande parte, resultado do que \u00e9 produzido nas mentes daqueles que n\u00e3o adotam o gesto ritual, com for\u00e7a de tocar a consci\u00eancia, de bater no pr\u00f3prio peito. Esse gesto simb\u00f3lico significa reconhecer, humildemente, as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. \u00c9 o primeiro passo para se viver processos de requalifica\u00e7\u00e3o. Hoje, bate-se no peito como sinal de v\u00e1rias outras coisas: para se gabar do pouco que se fez, para a autopromo\u00e7\u00e3o, para justificar o que \u00e9 da pr\u00f3pria conveni\u00eancia, para querer apresentar-se como melhor do que o outro, para tentar conquistar admira\u00e7\u00e3o, enaltecendo o que julga possuir em termos de qualidades. Perde-se, assim, a oportunidade de se exercitar na indispens\u00e1vel tarefa de reconhecer os pr\u00f3prios limites. Com isso, corremos o risco de acentuar formas perigosas de individualismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Progressivamente, as pessoas tornam-se menos habilitadas para o necess\u00e1rio embate de ideias e perspectivas, din\u00e2mica fundamental para a revis\u00e3o das pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es e, consequentemente, para o amadurecimento. Sem abertura para mudan\u00e7a, indiv\u00edduos se agarram a crit\u00e9rios que produzem ju\u00edzos equivocados. Na contram\u00e3o de processos de convers\u00e3o, v\u00ea-se o aumento de posturas enrijecidas, pela manuten\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es cristalizadas, levando a humanidade a conviver com tantas situa\u00e7\u00f5es cru\u00e9is: preconceitos, \u00f3dios, indiferen\u00e7as. \u00a0S\u00e3o alimentadas disputas e tornam-se cada vez mais distantes as possibilidades de reconcilia\u00e7\u00e3o. Essas situa\u00e7\u00f5es revelam mediocridades human\u00edsticas e espirituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o tempo precioso da Quaresma, delicadeza de Deus para com o seu Povo, \u00e9 a oportunidade para resgatar o nobre sentido de bater no peito como experi\u00eancia existencial-penitencial, investimento para corrigir a pr\u00f3pria conduta, compreendendo-se como instrumento para promover conviv\u00eancias saud\u00e1veis. Ao bater no pr\u00f3prio peito, reconhecendo limita\u00e7\u00f5es, com abertura para evoluir, cada pessoa torna-se agente no processo de qualifica\u00e7\u00e3o do tecido social, human\u00edstico, religioso e cultural no mundo contempor\u00e2neo. Pode oferecer, assim, contribui\u00e7\u00e3o para edificar uma civiliza\u00e7\u00e3o fraterna e solid\u00e1ria, capaz de superar os variados tipos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O gesto de bater no peito, com humildade e altru\u00edsmo, exige vencer qualquer postura narc\u00edsica. Ao inv\u00e9s disso, o olhar deve dirigir-se para a pessoa capaz de transformar o cora\u00e7\u00e3o de todos: Jesus Cristo, contemplando o seu caminho redentor de paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00a0Bater no peito, com a abertura para reconhecer as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, cultivando a disponibilidade para evoluir, \u00e9 exerc\u00edcio que ilumina consci\u00eancias. Caminho indispens\u00e1vel para o surgimento de l\u00edderes capazes de cumprir a miss\u00e3o que assumiram, cidad\u00e3os que prezam e t\u00eam gosto pela solidariedade fraterna, gente que reconhece e valoriza os bens hist\u00f3ricos, culturais e ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bater no peito, sem medo e at\u00e9 por gosto terap\u00eautico, examinar a pr\u00f3pria consci\u00eancia, reconhecer erros e mediocridades, um esfor\u00e7o da raz\u00e3o e, acima de tudo, com abertura para a gra\u00e7a de Deus, com o olhar fixo n\u2019Ele, o Cristo. A\u00ed est\u00e1 o exerc\u00edcio transformador que qualifica a interioridade humana para alcan\u00e7ar novos prop\u00f3sitos, a alegria de sair da pr\u00f3pria pris\u00e3o existencial para fazer-se instrumento do amor e da verdade, edificando um tempo novo, o tempo de Deus!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte &nbsp; Bater no peito \u00e9 um gesto simb\u00f3lico, forte. \u00c9 a demonstra\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia iluminada para a necessidade inadi\u00e1vel de convers\u00e3o e mudan\u00e7a no contexto atual, com suas lacunas e crises de todos os tipos. 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