{"id":917625,"date":"2022-07-18T13:13:55","date_gmt":"2022-07-18T16:13:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=917625"},"modified":"2022-07-18T13:13:55","modified_gmt":"2022-07-18T16:13:55","slug":"equipe-executiva-se-encontra-pela-segunda-vez-para-preparar-o-processo-da-jornada-mundial-dos-pobres-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/equipe-executiva-se-encontra-pela-segunda-vez-para-preparar-o-processo-da-jornada-mundial-dos-pobres-2022\/","title":{"rendered":"Equipe Executiva se encontra pela segunda vez para preparar o processo da Jornada Mundial dos Pobres 2022"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a A\u00e7\u00e3o Sociotransformadora (Cepast) da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que articula e anima as Pastorais e Organismos Sociais, realizou o 2\u00aa encontro com a equipe executiva que mobiliza a Jornada Mundial dos Pobres.<\/p>\n<p>A equipe, representada pelas Pastorais e Organismos Sociais, vem a refletir para incluir a Jornada Mundial dos Pobres num processo de enfretamento \u00e0 pobreza no pa\u00eds. \u201cAqui no Brasil estamos avan\u00e7ando com o objetivo de envolver as Pastorais, os Organismo e Movimentos para pensar processos, n\u00e3o somente o evento no Dia Mundial Pobres, n\u00e3o ficarmos somente em a\u00e7\u00f5es caritativas, mas pensar a\u00e7\u00f5es que desencadeie processos. Ou seja, como a Jornada se conecta com as demais a\u00e7\u00f5es da Igreja no Brasil?\u201d, ressaltou frei Olavio Dotto, assessor da Cepast-CNBB.<\/p>\n<p>Com isso, para o 2\u00ba encontro ocorrido na quarta-feira (13\/07), colaboraram na reflex\u00e3o, para fortalecer a constru\u00e7\u00e3o desse processo, a professora M\u00e1rcia Maria de Oliveira, Doutora em Sociedade e Cultura na Amaz\u00f4nia e o professor Francisco Aquino Junior, Doutor em Teologia. M\u00e1rcia contribuiu na perspectiva do combate \u00e0 fome, a partir da enfrentamento a crise socioambiental, pois segundo ela, n\u00e3o se trata somente de uma crise clim\u00e1tica, mas moral e \u00e9tica, que leva o descarte humano e \u00e0 a\u00e7\u00e3o predadora ambiental. J\u00e1 Aquino trouxe a provoca\u00e7\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio articular simultaneamente tr\u00eas elementos para enfrentar \u00e0 pobreza: a dimens\u00e3o assistencial imediata, as pol\u00edticas p\u00fablicas e o estrutural.<\/p>\n<p>O professor ressaltou que no \u00e2mbito interno da Igreja o mais comum \u00e9 o assistencial e as pastorais e organismos est\u00e3o mais centradas nas politicas p\u00fablicas. Contudo, segundo ele, \u00e9 preciso perceber que h\u00e1 limites e trouxe como exemplo a experi\u00eancia que vive em seu territ\u00f3rio, no Vale do Jaguaribe, no Cear\u00e1. \u201cEstou no Vale do Jaguaribe, na fronteira com o Rio Grande do Norte, terra do agroneg\u00f3cio, regi\u00e3o de disputa h\u00eddrica. \u00c9 muito importante a politica de um milh\u00e3o de cisternas, \u00e9 uma pol\u00edtica de estado muito importante. Mas enquanto o estado banca cisterna de placa para os pobres, toda a macro pol\u00edtica h\u00eddrica est\u00e1 voltada para o agroneg\u00f3cio: \u00e9 transposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 barragem, \u00e9 canal. A \u00e1gua tem um direcionamento\u201d, observou.<\/p>\n<p>Aquino lembrou, ainda, que h\u00e1 comunidades que moram em cima do aqu\u00edfero Janda\u00edra \u2013 uma das maiores reservas h\u00eddricas do Nordeste \u2013, e recebem \u00e1gua de caminh\u00e3o pipa para abastecimento das cisternas. \u201cA \u00e1gua da transposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para os pobres, essa \u00e1gua sempre teve um destino\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>O professor colocou a pergunta: \u201cComo articular o assistencial imediato, que \u00e9 necess\u00e1rio; as pol\u00edticas p\u00fablicas, que t\u00eam a sua import\u00e2ncia com o aspecto estrutural?. H\u00e1 v\u00e1rias iniciativas que barram no aspecto estrutural do acesso \u00e0 agua, \u00e0 terra, por exemplo\u201d. Ele lembrou que quando o papa Francisco provoca \u00e0 dimens\u00e3o da a\u00e7\u00e3o social, ele t\u00eam no horizonte os processos de movimenta\u00e7\u00e3o da sociedade em torno de lutas por direitos concretos, por pol\u00edticas concretas.<\/p>\n<p>Por fim, o professor sugere que os temas da fome e da viol\u00eancia devem iniciar um processo que desencadeie na apresenta\u00e7\u00e3o de uma agenda pol\u00edtica, pois s\u00e3o problemas que articulam e conectam uma s\u00e9rie de viol\u00eancias e problemas na sociedade e que atinge diretamente a popula\u00e7\u00e3o empobrecida.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A fome vinculada \u00e0 quest\u00e3o socioambiental<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA quest\u00e3o ambiental est\u00e1 ligada a outras mis\u00e9rias na sociedade. Mis\u00e9ria produzida socialmente. N\u00f3s temos um sistema econ\u00f4mico que produz a mis\u00e9ria, que extrapola a condi\u00e7\u00e3o humana e atinge a sociedade e os grupos humanos organizados que fazem resist\u00eancia. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o que vem de cima para baixo\u201d, advertiu a professora M\u00e1rcia.<\/p>\n<p>Marcia lembrou que o discurso de ampliar a produ\u00e7\u00e3o da monocultura para combater a fome no mundo n\u00e3o se sustenta, pois a mesma promove impactados socioambientais devastadores. \u201cH\u00e1 um projeto de aniquila\u00e7\u00e3o, de viola\u00e7\u00e3o daqueles e daquelas que produzem alimentos. A parcela que produz o alimento est\u00e1 cada vez mais reduzida, cada vez mais criminalizada por fazer frente, por criar o embate com o sistema de produ\u00e7\u00e3o da monocultura, ou da produ\u00e7\u00e3o voltada apenas para a exporta\u00e7\u00e3o\u201d, observou.<\/p>\n<p>A professora lembrou que \u201co sistema capitalista n\u00e3o foi feito para toda sociedade, ele foi pensando para um grupo reduzido. \u00c9 parte desse sistema reduzir os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, ir eliminando as pessoas que n\u00e3o est\u00e3o contempladas nesse processo\u201d, advertiu.<\/p>\n<p>O enfrentamento \u00e0 fome e \u00e0 garantia da seguran\u00e7a alimentar, de acordo com M\u00e1rcia, \u201cpassa necessariamente pela agricultura familiar, pela agroecologia, pelos canteiros produtivos, pelos espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9sticos, caseiros, comunit\u00e1rios, coletivos\u201d. Ela lamentou que as pessoas que ocupam esses espa\u00e7os s\u00e3o atacadas pelo sistema que lhes tira a garantia de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Conforme a professora, diante da crise socioambiental, que faz parte de uma ciranda de outras crises, no processo acelerado de usurpa\u00e7\u00e3o da terra, celeiro a ser explorado, a quest\u00e3o da ecologia integral, proposta pelo papa Francisco \u00e9 fundante: a \u00e9tica do cuidado, da coopera\u00e7\u00e3o e reciprocidade, onde tudo est\u00e1 interligado. Com isso, segundo M\u00e1rcia, os sinais de esperan\u00e7a est\u00e3o na resist\u00eancia dos povos origin\u00e1rios, quilombolas, comunidades tradicionais, nas periferias das cidades que se somam numa grande alian\u00e7a para estabelecer um outro modo de sociedade.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A Jornada Mundial dos Pobres<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2016, no dia 20 de novembro, na conclus\u00e3o do Ano Santo Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, o papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres, data a ser lembrada um fim de semana antes da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Festa de Cristo Rei do Universo. Na mensagem de lan\u00e7amento Francisco disse: \u201cEste dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam \u00e0 cultura do descarte e do desperd\u00edcio, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite \u00e9 dirigido a todos, independentemente da sua perten\u00e7a religiosa, para que se abram \u00e0 partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, a CNBB confiou \u00e0 C\u00e1ritas Brasileira a anima\u00e7\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o do Dia Mundial dos Pobres. A entidade, nesse per\u00edodo, j\u00e1 realizava a Semana da Solidariedade para pensar e agir por um pa\u00eds justo, fraterno, igualit\u00e1rio, solid\u00e1rio e amoroso, por ocasi\u00e3o de seu anivers\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o, 12 de novembro de 1956. No decorrer dos anos, as demais Pastorais e Organismos Sociais se envolveram no processo de constru\u00e7\u00e3o e assumiram a anima\u00e7\u00e3o da Jornada Mundial dos Pobres da Igreja no Brasil.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">VI Dia Mundial dos Pobres<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mensagem deste ano, para o Dia Mundial dos Pobres, 13 de novembro, o papa Francisco enfatiza: \u201cA pobreza que mata \u00e9 a mis\u00e9ria, filha da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, da viol\u00eancia e da in\u00edqua distribui\u00e7\u00e3o dos recursos. \u00c9 a pobreza desesperada, sem futuro, porque \u00e9 imposta pela cultura do descarte que n\u00e3o oferece perspectivas nem vias de sa\u00edda&#8221;. Acesse a \u00edntegra da mensagem aqui.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es Osnilda Lima<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a A\u00e7\u00e3o Sociotransformadora (Cepast) da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que articula e anima as Pastorais e Organismos Sociais, realizou o 2\u00aa encontro com a equipe executiva que mobiliza a Jornada Mundial dos Pobres. 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