{"id":929255,"date":"2022-09-01T10:38:30","date_gmt":"2022-09-01T13:38:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=929255"},"modified":"2022-09-01T10:39:31","modified_gmt":"2022-09-01T13:39:31","slug":"para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/para-todos\/","title":{"rendered":"Para todos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo veio para todos, sem desejar nem planejar qualquer exclus\u00e3o. O Plano de Salva\u00e7\u00e3o inclui todas as gera\u00e7\u00f5es, homens e mulheres de todas as ra\u00e7as, povos e l\u00ednguas. Entretanto, a Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus aconteceu num tempo determinado, fazendo que a hist\u00f3ria humana alcan\u00e7asse a sua maturidade e plenitude. Jesus se relacionou com pessoas concretas, num ambiente cultural da regi\u00e3o da Palestina, com todas os condicionamentos hist\u00f3ricos, falou a l\u00edngua daquele povo, convocou gente que vivia de modo especial em torno do Mar da Galileia, onde passou a maior parte de seu minist\u00e9rio. Judeus e Galileus foram os primeiros destinat\u00e1rios da mensagem do Evangelho, que deveria chegar aos confins da terra. Tal expans\u00e3o foi confiada a pessoas concretas, que se sucedem no correr dos s\u00e9culos, e n\u00f3s participamos como os destinat\u00e1rios de hoje, feitos por nossa vez mission\u00e1rios e portadores da Boa Nova da Salva\u00e7\u00e3o. Podemos considerar os nossos confins da terra como o horizonte da Igreja hoje, levando em conta, de forma especial, as pessoas que nos est\u00e3o pr\u00f3ximas e ainda n\u00e3o receberam o an\u00fancio do nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, e estas podem estar em nossas fam\u00edlias, vizinhan\u00e7a e cidade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o relacionamento de Jesus com as pessoas foi direto, afetivo e positivamente provocativo. N\u00f3s o vemos cultivando a amizade, como o Evangelho no-lo mostra vizinho a Jo\u00e3o, chamado Disc\u00edpulo amado, aquele que entrou nos segredos do cora\u00e7\u00e3o do Mestre, na \u00daltima Ceia, e esteve com Maria, aos p\u00e9s da Cruz, num testamento de maternidade e filia\u00e7\u00e3o que envolveu toda a humanidade. Sim\u00e3o, a quem o Senhor chamou de Pedro, mesmo convocado a ser rocha de firmeza e coragem, era muito humano, na generosidade, na inseguran\u00e7a na ousadia do Gets\u00eamanie tamb\u00e9m nas falhas ou pecados. Com Pedro e Jo\u00e3o, aparece tamb\u00e9m Tiago. Os tr\u00eas devem ter desfrutado aberturas sinceras e rec\u00edprocas de cora\u00e7\u00e3o, que lhes permitiram estar em situa\u00e7\u00f5es preciosas, como a Transfigura\u00e7\u00e3o e a Agonia no Horto das Oliveiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alargando nosso olhar, vemos doze ap\u00f3stolos, escolhidos a dedo, colunas da Igreja, novo Israel de Deus. Temperamentos diversos, origens profissionais diferentes, v\u00e1rios deles pescadores, para se tornarem depois pescadores de homens. Humanamente, passaram por crises, houve momentos em que pareciam se dispersar, como aconteceu a pris\u00e3o de Jesus, para se reunirem depois, ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o, nas v\u00e1rias apari\u00e7\u00f5es de Nosso Senhor Jesus Cristo. \u201cPor meio de homens ignorantes a cruz persuadiu, e mais, persuadiu a terra inteira. N\u00e3o falava de coisas sem import\u00e2ncia, mas de Deus, da verdadeira religi\u00e3o, do modo de viver o Evangelho e do futuro ju\u00edzo. De incultos e ignorantes fez amigos da sabedoria. V\u00ea como a loucura de Deus \u00e9 mais s\u00e1bia que os homens e a fraqueza, mais forte. Donde lhes veio que, durante a vida de Cristo, n\u00e3o resistiram \u00e0 f\u00faria dos judeus, mas, uma vez ele morto e sepultado \u2013 visto que, como dizeis, Cristo n\u00e3o ressuscitou, nem lhes falou, nem os encorajou \u2013 entraram em luta contra o mundo inteiro? N\u00e3o teriam dito, ao contr\u00e1rio: \u2018Que \u00e9 isto? n\u00e3o p\u00f4de salvar-se, vai proteger-nos agora? Ainda vivo, n\u00e3o socorreu a si mesmo, e morto, nos estender\u00e1 a m\u00e3o? Vivo, n\u00e3o sujeitou povo algum, e n\u00f3s iremos convencer o mundo inteiro, s\u00f3 com dizer seu nome? Como n\u00e3o ser\u00e1 insensato n\u00e3o s\u00f3 fazer, mas at\u00e9 pensar tal coisa?\u2019 Por este motivo \u00e9 evidente que, se n\u00e3o o tivessem visto ressuscitado e recebido assim a grande prova de seu poder, jamais se teriam lan\u00e7ado em tamanha aventura\u201d. (Cf. Homilias sobre a Primeira Carta aos Cor\u00edntios, de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, bispo \u2013 Hom. 4,3.4: PG 61,34-36)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os setenta e dois e tantos outros, inclusive n\u00f3s, que viemos depois, todos fomos chamados, com nossas limita\u00e7\u00f5es e qualidades. E podemos incluir outros grupos que conviveram com o Senhor, como seus amigos de Bet\u00e2nia, ou mulheres que serviram com seus bens os disc\u00edpulos, al\u00e9m de tantas pessoas por eles curados, perdoados e restaurados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, se o Senhor dedicou palavras e chamado a pessoas e grupos, a palavra proclamada no Evangelho neste final de semana (Lc 14,15-33) abre o leque a todos que vierem a segui-lo. H\u00e1 algumas condi\u00e7\u00f5es a serem observadas por todos: \u201cSe algu\u00e9m vem a mim, mas n\u00e3o me prefere a seu pai e sua m\u00e3e, sua mulher e seus filhos, seus irm\u00e3os e suas irm\u00e3s, e at\u00e9 \u00e0 sua pr\u00f3pria vida, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo. Quem n\u00e3o carrega sua cruz e n\u00e3o caminha ap\u00f3s mim, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo. Qualquer um de v\u00f3s, se n\u00e3o renunciar a tudo o que tem, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo!\u201d (Cf. Lc 14,25-33) Preferir a Jesus, carregar a cruz, renunciar a si mesmo, para ser disc\u00edpulo. Liberdade quanto aos bens, chama-se pobreza, na busca da partilha e servi\u00e7o aos mais pobres; liberdade quanto \u00e0s pessoas \u00e9 castidade, cada pessoa em sua voca\u00e7\u00e3o e estado de vida; liberdade em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo \u00e9 o nome da obedi\u00eancia, prontid\u00e3o para ouvir, para que todos escutem mais os outros. Todos n\u00f3s precisamos fazer esta experi\u00eancia, para seguir efetivamente a Jesus. E carregar a Cruz n\u00e3o \u00e9 gostar do sofrimento, mas transformar tudo, inclusive as dores mais exigentes, em amor. S\u00f3 assim se transforma em Cruz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode acontecer que na percep\u00e7\u00e3o popular pobreza, castidade e obedi\u00eancia s\u00e3o passos a serem dados pelos religiosos, religiosas e outras pessoas consagradas, o que limita a radicalidade a ser pedida a todos os crist\u00e3os que seguem a Jesus. Diferente \u00e9 o estado de vida de cada crist\u00e3o, com as exig\u00eancias a cada um deles correspondente. Para dar um exemplo, Castidade \u00e9 proposta para quem se casa! Significa fidelidade, unicidade e fecundidade! As pessoas casadas podem e ser castas tanto quanto a vida religiosa! Obedientes ser\u00e3o os esposos e esposas um ao outro, dando a vida na vida conjugal! Viver\u00e1 a pobreza o casal que trabalha com dedica\u00e7\u00e3o e dignidade pela pr\u00f3pria fam\u00edlia. Castidade do sacerdote tem o nome de celibato, ao renunciar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia pr\u00f3pria para dedicar-se a formar a grande fam\u00edlia dos filhos de Deus. Pobre o padre ser\u00e1 quando se dedicar a forma\u00e7\u00e3o de comunidades vivas e abertas \u00e0 caridade. Sua obedi\u00eancia o far\u00e1 ter o esp\u00edrito mission\u00e1rio necess\u00e1rio a dedicar-se ao povo que a Igreja lhe confiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem n\u00e3o aceita dar estes passos parecer\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser levada a termo, e a casa da vida n\u00e3o \u00e9 feita para ser ridicularizada. E na guerra contra o mal, \u00e9 necess\u00e1rio ter as armas adequadas, e n\u00e3o algo diferente do que saber escolher Deus em primeiro lugar. Jesus Cristo, acolhido como Senhor e Salvador ser\u00e1 sempre fonte de vida e alegria para as demais escolhas a serem feitas. Da\u00ed nasce uma escala de valores, e todos s\u00e3o convidados a ser coerentes como consequ\u00eancia. E para concluir nossa reflex\u00e3o, vale uma outra pequena par\u00e1bola de Jesus: \u201cO sal \u00e9 bom. Mas se at\u00e9 o sal perder o sabor, com que se h\u00e1 de salgar? N\u00e3o serve nem para a terra, nem para o esterco, mas s\u00f3 para ser jogado fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ou\u00e7a\u201d (Lc 14,34-35). O Crist\u00e3o, ou \u00e9 o que deve ser, ou&#8230;!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) Jesus Cristo veio para todos, sem desejar nem planejar qualquer exclus\u00e3o. O Plano de Salva\u00e7\u00e3o inclui todas as gera\u00e7\u00f5es, homens e mulheres de todas as ra\u00e7as, povos e l\u00ednguas. 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