{"id":932958,"date":"2022-11-03T10:53:01","date_gmt":"2022-11-03T13:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=932958"},"modified":"2022-11-03T10:53:23","modified_gmt":"2022-11-03T13:53:23","slug":"morte-dar-raizes-a-flor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/morte-dar-raizes-a-flor\/","title":{"rendered":"Morte: dar ra\u00edzes \u00e0 flor!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jacinto Bergmann<br \/>\nArcebispo de Pelotas (RS)<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">No dia de Finados fiquei em casa. Iniciei a Leitura do Livro \u201cAve Maria\u201d do papa Francisco, resultado de uma \u201cConversa com o te\u00f3logo Marco Pozza\u201d. No 15\u00ba Cap\u00edtulo, o papa comenta o trecho da Ora\u00e7\u00e3o Ave-Maria: \u201cAgora e na hora da nossa morte\u201d.\u00a0 N\u00e3o tive d\u00favidas: preciso tornar esse cap\u00edtulo em meu artigo semanal.<\/span><span data-contrast=\"auto\"> \u00c9 o que fiz<\/span><span data-contrast=\"auto\">! Seguem algumas perguntas do te\u00f3logo Marco e as respostas do papa. Espero que ajudem como ajudaram a mim.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Marco: <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">\u201cOuvir falar de morte sempre provoca em n\u00f3s um pouco de ang\u00fastia. Papa Francisco, o senhor disse certa vez que a morte nos recorda que n\u00e3o somos eternos: somos homens e mulheres a caminho no tempo, um tempo que inicia e um tempo que termina. Mas, quando a morte se aproxima, ainda que alguns a chamam de &#8220;irm\u00e3 morte&#8221; (Francisco de Assis), a maioria de n\u00f3s experimenta uma sensa\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia\u201d.<\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Papa Francisco: \u201cO diabo d\u00e1 a entender a Eva que, se provar daquele fruto, ser\u00e1 como uma deusa, n\u00e3o ver\u00e1 a morte. O pecado \u00e9 a ilus\u00e3o de n\u00e3o morrer jamais. Durante uma vida de pecado, a pessoa diz que sabe que morrer\u00e1, mas n\u00e3o procura n\u00e3o pensar nisso. \u00c9 uma ilus\u00e3o! Sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas pensar na morte como final do caminho \u00e9 uma realidade.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Marco: \u201c<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Nos semin\u00e1rios, antigamente faziam-se o &#8220;exerc\u00edcio da boa morte&#8221;. Qual era o significado, Papa Francisco?\u201d<\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Papa Francisco: \u201cEu mesmo fiz esse exerc\u00edcio. O significado era acostumar-se com o fato de que devemos morrer. Existia tamb\u00e9m um exerc\u00edcio espiritual: pensar na pr\u00f3pria morte. Fazer aquele exerc\u00edcio ao longo do dia ajudava a encarar a morte como algo normal. Naquele tempo nos contavam sobre S\u00e3o Domingos S\u00e1vio, ao qual, enquanto jogava com seus companheiros, perguntaram: \u2018Se neste momento o Senhor dissesse que voc\u00ea est\u00e1 para morrer, o que voc\u00ea faria?\u2019 \u2018Ora, continuaria jogando\u2019, respondeu. Para um santo, a morte \u00e9 t\u00e3o natural que n\u00e3o muda absolutamente nada da normalidade da vida\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Marco: \u201c<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Esse fato de S\u00e3o Domingos S\u00e1vio tem tamb\u00e9m aquela pitada de humor t\u00edpico dos santos. Deus n\u00e3o havia sonhado a morte. Por\u00e9m, como o senhor recordou v\u00e1rias vezes, a morte entrou no mundo por inveja do dem\u00f4nio. Consegue chamar a morte de \u2018irm\u00e3\u2019, como Francisco de Assis?\u201d<\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Papa Francisco: \u201cFrancisco de Assis \u00e9 genial, mas eu pessoalmente n\u00e3o chamaria a morte de \u2018irm\u00e3\u2019. Gosto de pensar na morte como ato de justi\u00e7a final. Assim, a morte \u00e9, por um lado, o sal\u00e1rio do pecado, mas, por outro lado, abre a porta para reden\u00e7\u00e3o. Conviver com a morte n\u00e3o faz parte da minha cultura, mas cada um de n\u00f3s tem a sua\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Marco: \u201cUma das formas de morte \u00e9, infelizmente, o suic\u00eddio. Sempre me pergunto, quando leio nos jornais hist\u00f3rias de jovens que n\u00e3o conseguiram administrar o peso da vergonha de uma imagem veiculada pelas redes sociais de uma foto espalhada por meio de um \u2018chat \u2018, e decidiram antecipar a sua partida deste mundo. S\u00e3o mortes dif\u00edceis de digerir\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Papa Francisco: \u201cS\u00e3o dif\u00edceis. O suic\u00eddio \u00e9 um pouco como fechar a porta da pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o. Mas estou consciente de que nos suic\u00eddios n\u00e3o h\u00e1 liberdade plena. Assim ao menos acredito. Ajuda-me o que disse S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney <\/span><span data-contrast=\"auto\">\u00e0<\/span><span data-contrast=\"auto\">quela vi\u00fava cujo marido havia cometido suic\u00eddio jogando-se de uma ponte: \u2018Senhora, entre a ponte e o rio est\u00e1 a miseric\u00f3rdia de Deus\u2019&#8221;.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Marco: \u201c<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">No pres\u00eddio, me contaram, que h\u00e1 pessoas furiosas porque n\u00e3o conseguem se suicidar. Depois de encontrarem coragem para se matar, parece que a vida no momento final encontra for\u00e7as para reagir com um \u00faltimo golpe e n\u00e3o aceita simplesmente morrer. Isso provoca um vazio em suas almas. O que o senhor sente, papa Francisco, diante da sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o e abandono das gera\u00e7\u00f5es mais jovens?\u201d<\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Papa Francisco: \u201cTamb\u00e9m n\u00f3s somos culpados desse abandono e dessa solid\u00e3o, porque, com nossa cultura, com nossas propostas, deixamos esses jovens sem ra\u00edzes. Oferecemos uma cultura sem concretude, uma cultura \u2018l\u00edquida\u2019 usando a express\u00e3o de um fil\u00f3sofo (Zygmunt Bauman): eu diria at\u00e9 mesmo \u2018gasosa\u2019. Sem ra\u00edzes. Penso que nossa civiliza\u00e7\u00e3o seja culpada. Os jovens de hoje t<\/span><span data-contrast=\"auto\">\u00ea<\/span><span data-contrast=\"auto\">m necessidade de radicar-se. Maria de Nazar\u00e9 jamais perdeu as pr\u00f3prias ra\u00edzes. \u00c9 a filha de Israel, a filha de Jerusal\u00e9m. Sempre foi fiel <\/span><span data-contrast=\"auto\">\u00e0<\/span><span data-contrast=\"auto\">s ra\u00edzes, mas foi para al\u00e9m, muito al\u00e9m. Sem d\u00favida, na vida n\u00e3o se pode ir al\u00e9m sem se apegar \u00e0s ra\u00edzes, dar ra\u00edzes <\/span><span data-contrast=\"auto\">\u00e0<\/span><span data-contrast=\"auto\"> flor, para formar a \u00e1rvore e depois o fruto\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann Arcebispo de Pelotas (RS) \u00a0 No dia de Finados fiquei em casa. Iniciei a Leitura do Livro \u201cAve Maria\u201d do papa Francisco, resultado de uma \u201cConversa com o te\u00f3logo Marco Pozza\u201d. 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