{"id":933374,"date":"2022-11-11T11:08:54","date_gmt":"2022-11-11T14:08:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=933374"},"modified":"2022-11-11T11:09:23","modified_gmt":"2022-11-11T14:09:23","slug":"seculo-xx-seculo-da-violencia-paroxistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/seculo-xx-seculo-da-violencia-paroxistica\/","title":{"rendered":"S\u00e9culo XX: s\u00e9culo da viol\u00eancia parox\u00edstica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jacinto Bergmann<br \/>\nArcebispo de Pelotas (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Lendo no &#8220;Livro do Sentido&#8221; do te\u00f3logo Clodovis Boff os v\u00e1rios pontos que ele dedica ao tema da \u201cviol\u00eancia\u201d, encontrei elementos sobre a viol\u00eancia parox\u00edstica presente no s\u00e9culo passado. Dessa leitura, saiu o meu artigo de hoje.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A din\u00e2mica niilizante da modernidade chegou o seu ponto culminante no s\u00e9culo XX (1900-1999). Para o Papa Jo\u00e3o Paulo II, o &#8220;s\u00e9culo XX ser\u00e1 considerado uma \u00e9poca de ataques maci\u00e7os contra a vida, uma s\u00e9rie infind\u00e1vel de guerras e o massacre permanente de vidas humanas inocentes&#8221;.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">\u00a0<\/span> <span data-contrast=\"auto\">Concordando com esse ju\u00edzo, muitos historiadores marcaram a fogo este s\u00e9culo XX com defini\u00e7\u00f5es como: &#8220;o s\u00e9culo mais criminoso da hist\u00f3ria&#8221; (J. Delumeau); &#8220;o s\u00e9culo mais violento da hist\u00f3ria da humanidade&#8221; (E. Hobsbawm); &#8220;o s\u00e9culo mais cruel dos que o precederam&#8221; (A. J. Soljenitsyn); &#8220;o s\u00e9culo das ideias assassinas&#8221; (R. Conquest); &#8220;o s\u00e9culo do \u00f3dio&#8221; (G. Mariani); &#8220;o s\u00e9culo do medo&#8221; (G. Pinzani); &#8220;o s\u00e9culo do genoc\u00eddio&#8221; (R. Gellately e Ben Kiernan); &#8220;o s\u00e9culo dos <\/span><i><span data-contrast=\"none\">gulags<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> e dos campos de exterm\u00ednio\u201d (T. Todorov); &#8220;o s\u00e9culo do mal&#8221; (M. Martelli); &#8220;o s\u00e9culo das grandes cat\u00e1strofes humanas&#8221; (S. Courtois); &#8220;o matadouro da hist\u00f3ria&#8221; (De Carli); &#8220;um r\u00e9quiem sat\u00e2nico&#8221; (L. Begley).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Na folha corrida deste s\u00e9culo sangrento encontramos duas guerras mundiais, regimes totalit\u00e1rios, ideologias criminosas, revolu\u00e7\u00f5es end\u00eamicas, racismo, genoc<\/span><span data-contrast=\"auto\">\u00ed<\/span><span data-contrast=\"auto\">dios (desde o dos arm\u00eanios at\u00e9 os de Ruanda), <\/span><i><span data-contrast=\"none\">gulags,<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> campos de concentra\u00e7\u00e3o, fornos cremat\u00f3rios, persegui\u00e7\u00e3o religiosa e destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Nunca na hist\u00f3ria se matou tanto! No s\u00e9culo passado a viol\u00eancia atingiu n\u00edveis parox\u00edsticos de crueldade s\u00e1dica e ostensiva. Autores apresentam estat\u00edsticas que assustam: 61 milh\u00f5es de mortos em guerras e 127 a 175 milh\u00f5es em genoc\u00eddios e outras chacinas de massa.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Johann Baptist Metz, te\u00f3logo cat\u00f3lico, definiu o s\u00e9culo passado com uma &#8220;hist\u00f3ria de sofrimento e cat\u00e1strofe&#8221;, pelo que &#8220;a crise de Deus&#8221;, para ele, seria &#8220;a assinatura do tempo&#8221;. Por sua vez, o te\u00f3logo Joseph Ratzinger, atual Papa Em\u00e9rito Bento XVI, ainda na P\u00e1scoa de 1969, perguntava: &#8220;N\u00e3o come\u00e7a nosso s\u00e9culo a ser um grande s\u00e1bado santo, dia da aus\u00eancia de Deus?&#8221; Seria \u00e0 toa que o s\u00e9culo passado, o mais violento da hist\u00f3ria, foi, ao mesmo tempo, o mais ateu? O niilismo religioso leva ao niilismo \u00e9tico e este ao totalitarismo mort\u00edfero.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ademais, <\/span><span data-contrast=\"auto\">\u00e9<\/span><span data-contrast=\"auto\"> preciso tamb\u00e9m dizer que este <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">horribile saeculum<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, ao tempo em que viu a derrocada do ideologismo nadificante, inaugurou, em \u00e2mbito mundial, um processo decisivo de reavivamento espiritual. Como nunca a esperan\u00e7a entrou na pauta do dia. Foi &#8220;bom demais&#8221;, que a &#8220;estrela da esperan\u00e7a&#8221; ficou na terra como parabolicamente \u00e9 afirmada na &#8220;F<\/span><span data-contrast=\"auto\">\u00e1bula d<\/span><span data-contrast=\"auto\">a Estrela Verde&#8221;. Segue a f\u00e1bula: <\/span><span data-contrast=\"none\">\u201cHavia milhares de estrelas no c\u00e9u. Estrelas de todas as cores: brancas, prateadas, verdes, douradas, vermelhas e azuis. Um dia, elas procuraram Deus e lhe disseram: &#8211; \u201c<\/span><span data-contrast=\"none\">Senhor, gostar\u00edamos de viver na terra, entre as pessoas\u201d.<\/span><span data-contrast=\"none\"> \u2013\u202f\u201cAssim ser\u00e1 feito\u201d, respondeu Deus. \u201cConservarei todas voc\u00eas pequeninas como s\u00e3o vistas e podem descer para a terra\u201d. Conta-se que naquela noite houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar de correr com os vaga-lumes nos campos, outras misturaram-se aos brinquedos das crian\u00e7as e a terra ficou maravilhosamente iluminada. Por\u00e9m, passando o tempo, as estrelas resolveram abandonar os seres humanos e voltaram ao c\u00e9u, deixando a terra escura e triste. \u2013 \u201cPor qu\u00ea voltaram?\u201d, perguntou Deus, \u00e0 medida que elas chegavam ao c\u00e9u. \u2013 <\/span><i><span data-contrast=\"none\">\u201c<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">Senhor, n\u00e3o nos foi poss\u00edvel permanecer na terra! L\u00e1 existe muita mis\u00e9ria e viol\u00eancia, muita maldade, muita injusti\u00e7a\u2026\u201d.<\/span> <span data-contrast=\"none\">E Deus lhes disse: &#8211; \u201cClaro! O lugar de voc\u00eas \u00e9 aqui no c\u00e9u! A terra \u00e9 o lugar de passagem, daquilo que passa, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, onde nada \u00e9 perfeito! O c\u00e9u \u00e9 o lugar da perfei\u00e7\u00e3o, do imut\u00e1vel, do eterno, onde nada perece e sobretudo onde reside a gl<\/span><span data-contrast=\"none\">\u00f3<\/span><span data-contrast=\"none\">ria do Alt\u00edssimo! Mesmo, assim, eu amo as pessoas\u201d. Depois que chegaram todas as estrelas e conferindo o seu n\u00famero,\u202fDeus falou de novo: &#8211; \u201cMas est\u00e1 faltando uma estrela! Perdeu-se no caminho?\u201d. <\/span><span data-contrast=\"none\">Um anjo que estava perto retrucou:<\/span><i><span data-contrast=\"none\"> &#8211; \u201c<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">N\u00e3o Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens! Ela descobriu que seu lugar \u00e9 exatamente onde existe a imperfei\u00e7\u00e3o, onde as coisas n\u00e3o v\u00e3o bem, onde h\u00e1 luta e dor!\u201d<\/span> <span data-contrast=\"none\">\u2013 \u201cMas que estrela \u00e9 essa?\u201d, voltou a perguntar Deus. \u2013 \u201c<\/span><span data-contrast=\"none\">\u00c9 a esperan\u00e7a<\/span><span data-contrast=\"none\">, Senhor! A \u2018estrela verde\u2019! A \u00fanica dessa cor!\u201d <\/span><span data-contrast=\"none\">E quando olharam para a terra, a estrela da esperan\u00e7a\u202fn\u00e3o estava s<\/span><span data-contrast=\"none\">\u00f3. Estava com os humanos. <\/span><span data-contrast=\"none\">O planeta ficou novamente iluminado com a volta das estrelas, mas tamb\u00e9m havia a estrela da esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"none\">Que essa estrela da esperan\u00e7a encontre ainda mais espa\u00e7o no cora\u00e7\u00e3o da humanidade neste s\u00e9culo XXI pelo qual atualmente somos protagonistas.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;134233117&quot;:false,&quot;134233118&quot;:false,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559738&quot;:0,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann Arcebispo de Pelotas (RS) \u00a0 Lendo no &#8220;Livro do Sentido&#8221; do te\u00f3logo Clodovis Boff os v\u00e1rios pontos que ele dedica ao tema da \u201cviol\u00eancia\u201d, encontrei elementos sobre a viol\u00eancia parox\u00edstica presente no s\u00e9culo passado. Dessa leitura, saiu o meu artigo de hoje.\u00a0 A din\u00e2mica niilizante da modernidade chegou o seu ponto culminante &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/seculo-xx-seculo-da-violencia-paroxistica\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">S\u00e9culo XX: s\u00e9culo da viol\u00eancia parox\u00edstica<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/933374"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=933374"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/933374\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":933375,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/933374\/revisions\/933375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=933374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=933374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=933374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}