{"id":937797,"date":"2023-01-23T21:48:45","date_gmt":"2023-01-24T00:48:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=937797"},"modified":"2023-01-24T15:23:30","modified_gmt":"2023-01-24T18:23:30","slug":"dom-ricardo-como-definir-povo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-ricardo-como-definir-povo-brasileiro\/","title":{"rendered":"Como definir o povo brasileiro?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Ricardo Hoepers<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Rio Grande (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 2023 come\u00e7ou intenso. Continuamos acompanhando com muita apreens\u00e3o a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. O Papa Francisco expressou, quando da nossa visita em maio de 2022, na audi\u00eancia privada para os Bispos do Rio Grande do Sul, que esta era \u201ca sua maior tristeza\u201d. De fato, ele acompanhava de perto os imigrantes que chegavam \u00e0 Pol\u00f4nia para se refugiar, atrav\u00e9s do seu esmoleiro pontif\u00edcio, Cardeal Krajewski e o Cardeal Czerny, prefeito interino do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o de Desenvolvimento Humano Integral, que foram at\u00e9 l\u00e1 para levar apoio, solidariedade e recursos, num trabalho em conjunto de ajuda humanit\u00e1ria. Infelizmente os conflitos continuam, e a Igreja continua incessantemente em ora\u00e7\u00e3o e ajuda fraterna \u00e0s fam\u00edlias mais afetadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, tamb\u00e9m no Brasil, passamos por momentos de conflitos, de intoler\u00e2ncias, crimes cometidos contra a P\u00e1tria, atentados contra a Democracia. Esses fatos nos abalaram e tocaram profundamente o cora\u00e7\u00e3o dos brasileiros. Nosso povo sempre foi muito unido, especialmente nos momentos dif\u00edceis da nossa hist\u00f3ria, sejam por desastres naturais ou por trag\u00e9dias encomendadas, o povo brasileiro sempre se demonstrou capaz de se mobilizar rapidamente para ajudar os mais necessitados. Os atos criminosos que aconteceram em Bras\u00edlia n\u00e3o representam, em nada, a vontade do povo, que trabalha e ama a sua P\u00e1tria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos lembrar dos desastres naturais como o de Petr\u00f3polis e Itagua\u00e7u, no Rio de Janeiro, em 2022. Ou ainda, das trag\u00e9dias de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019. Foi impressionante a mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, de grupos de apoio, de todos os tipos de agrega\u00e7\u00e3o, provando o quanto o\u00a0<strong>nosso povo \u00e9 solid\u00e1rio e unido<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o real sentimento que predomina e define o brasileiro:\u00a0<strong>um povo unido para fazer o bem<\/strong>. Mesmo que a gest\u00e3o p\u00fablica seja ineficaz, burocr\u00e1tica, morosa, anal\u00f3gica, o povo brasileiro, ao contr\u00e1rio, \u00e9 mobilizado, veloz, contundente, e acima de tudo, solid\u00e1rio. Bastou chegar at\u00e9 as redes sociais as imagens do esc\u00e2ndalo da inani\u00e7\u00e3o Yanomami, para que grupos de solidariedade se formassem e a ajuda concreta chegasse at\u00e9 mesmo antes dos discursos e promessas do poder p\u00fablico. Essa trag\u00e9dia vem se arrastando desde a d\u00e9cada de 70. Basta perguntar ao CIMI (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio), o quanto esse povo j\u00e1 sofreu para sobreviver. Quando o valor econ\u00f4mico est\u00e1 acima das pessoas, toda viol\u00eancia \u00e9 permitida e ainda justificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O povo brasileiro est\u00e1 para muito al\u00e9m da pol\u00edtica partid\u00e1ria e da polariza\u00e7\u00e3o quando se trata de salvar vidas.<\/strong>\u00a0Com tanta aus\u00eancia do poder p\u00fablico, com tanta indiferen\u00e7a \u00e0s reais necessidades do povo por aqueles que chegam ao poder e, acima de tudo, com tanta corrup\u00e7\u00e3o e beliger\u00e2ncia pelo dinheiro p\u00fablico sequestrado e desviado, acumulam-se de governo em governo, uma moral fraca, um discurso fl\u00e1cido, um comprometimento l\u00edquido, um car\u00e1ter disforme e uma neglig\u00eancia viciada. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o recordar as palavras de Hannah Arendt sobre a banaliza\u00e7\u00e3o do mal, do v\u00edcio social e da perda da habilidade de julgar na engrenagem das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Apesar disso, o povo brasileiro reaprende a superar muito de suas car\u00eancias atrav\u00e9s da solidariedade, da ajuda m\u00fatua, desde pequenos grupos de apoio, associa\u00e7\u00f5es, comunidades religiosas, igrejas de diversas denomina\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, que mant\u00eam viva a esperan\u00e7a de muitos vulnerabilizados, invisibilizados e exclu\u00eddos que s\u00e3o atendidos de imediato, quando mais precisam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que precisamos reivindicar ao poder p\u00fablico, melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e maior compet\u00eancia na implanta\u00e7\u00e3o de projetos que equilibrem o desenvolvimento econ\u00f4mico com a justi\u00e7a e a equidade social. \u00c9 objetivo fundamental do Estado Democr\u00e1tico, segundo a nossa Constitui\u00e7\u00e3o (Art. 3\u00ba, IV) \u2013 promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra\u00e7a, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O povo brasileiro j\u00e1 aprendeu a n\u00e3o esperar de bra\u00e7os cruzados<\/strong>, pois j\u00e1 tem esse princ\u00edpio no cora\u00e7\u00e3o e um amor maior que o impulsiona a fazer o bem sem olhar a quem. O que seria de nosso pa\u00eds se n\u00e3o fossem os homens e mulheres an\u00f4nimos, her\u00f3is do dia a dia que d\u00e3o suas vidas sem esperar nada em troca? N\u00e3o fazem por voto, n\u00e3o fazem por marketing, n\u00e3o fazem por interesse ideol\u00f3gico, etc. Fazem simplesmente porque respeitam a dignidade humana e cuidam daqueles que mais necessitam. Eles n\u00e3o t\u00eam microfones, n\u00e3o t\u00eam redes sociais, n\u00e3o t\u00eam m\u00eddia e nem recursos financeiros, mas fazem tanto que nunca seremos capazes de mensurar.\u00a0<strong>Esse \u00e9 o povo brasileiro an\u00f4nimo, mas cheio de amor e compaix\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco tem apontado para essa realidade com esmero e com um testemunho inquestion\u00e1vel. Talvez se rel\u00eassemos sua\u00a0<strong><em>Enc\u00edclica Fratelli tutti\u00a0<\/em><\/strong>(03 de outubro de 2020), poder\u00edamos gastar mais energia no essencial. Ficamos nos digladiando com uma vis\u00e3o reducionista e mesquinha da vida, distribuindo temas para quem \u00e9 de \u201cdireita\u201d e temas para quem \u00e9 de \u201cesquerda\u201d. Esta vis\u00e3o desvirtuada do \u201ctoma l\u00e1, da c\u00e1\u201d ou \u201cisso \u00e9 meu, este \u00e9 teu\u201d mostra uma imaturidade de enfrentarmos juntos, como responsabilidade de todos, os grandes dilemas que tocam \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso recuperar o princ\u00edpio da totalidade e da vis\u00e3o integral do ser humano, onde reconhecemos a nossa perten\u00e7a \u00e0 casa comum, isto \u00e9, o mundo em que habitamos. Na\u00a0<strong>Fratelli tutti (FT),<\/strong>\u00a0o Papa nos recorda do tema basilar da perten\u00e7a.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\">\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\" style=\"text-align: left;\">O \u00e1rduo esfor\u00e7o por superar o que nos divide, sem perder a identidade de cada um, pressup\u00f5e que em todos permane\u00e7a vivo um sentimento basilar de perten\u00e7a. Porque a nossa sociedade ganha, quando cada pessoa, cada grupo social\u00a0<em>se sente verdadeiramente de casa<\/em>. Numa fam\u00edlia, os pais, os av\u00f3s, os filhos s\u00e3o de casa; ningu\u00e9m fica exclu\u00eddo. Se algu\u00e9m tem uma dificuldade, mesmo grave, ainda que seja por culpa dele, os outros correm em sua ajuda, apoiam-no; a sua dor \u00e9 de todos.<\/p>\n<p><cite>(FT, 230)<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"text-align: justify;\">Pela profunda experi\u00eancia que o povo brasileiro j\u00e1 viveu e continua a experimentar no seu cotidiano, a imagem da fam\u00edlia sempre nos traz aquela for\u00e7a necess\u00e1ria para prosseguir avante. \u00c9 um pai que sonha por dias melhores para seus filhos, uma m\u00e3e que triplica seu hor\u00e1rio de trabalho para manter a casa, os av\u00f3s que tiram da sua pens\u00e3o para ajudar filhos e netos. Poder\u00edamos fazer uma lista grande da ajuda m\u00fatua, quando olhamos para dentro de nossas fam\u00edlias.\u00a0<strong>O povo brasileiro sempre acreditou nos valores da fam\u00edlia como o fundamento para toda a sociedade<\/strong>. Na fam\u00edlia est\u00e1 a escola da vida, est\u00e3o os la\u00e7os mais fundamentais de afeto que nos levam a amadurecer. Na fam\u00edlia se encontra a experi\u00eancia da gratuidade, do cuidado, da responsabilidade sobre o outro.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\">\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\" style=\"text-align: left;\">Nas fam\u00edlias, todos contribuem para o projeto comum, todos trabalham para o bem comum, mas sem anular o indiv\u00edduo; pelo contr\u00e1rio, sustentam-no, promovem-no. Podem brigar entre si, mas h\u00e1 algo que n\u00e3o se move: este la\u00e7o familiar. As brigas de fam\u00edlia tornam-se reconcilia\u00e7\u00f5es mais tarde. As alegrias e as penas de cada um s\u00e3o assumidas por todos. Isto sim \u00e9 ser fam\u00edlia! Oh, se pud\u00e9ssemos conseguir ver o advers\u00e1rio pol\u00edtico ou o vizinho de casa com os mesmos olhos com que vemos os filhos, esposas, maridos, pais ou m\u00e3es, como seria bom.<\/p>\n<p><cite>FT, 230<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mesmo que tenhamos diferentes posi\u00e7\u00f5es, diferentes pensamentos, diferentes vis\u00f5es sobre a vida, o la\u00e7o familiar ainda \u00e9 a nossa refer\u00eancia mais segura para construirmos uma sociedade justa e solid\u00e1ria. Quando esquecemos desses la\u00e7os, quando desprezamos o outro, quando manipulamos a vida, quando partidarizamos e terceirizamos nossos valores essenciais, podemos cair num s\u00e9rio risco de perda de identidade, nos dizermos defensores dos direitos humanos, mas nos odiarmos, nos matarmos e nos alimentarmos do \u00f3dio e da vingan\u00e7a, que geram toda viol\u00eancia social: \u201cAmamos a nossa sociedade, ou continua a ser algo distante, algo an\u00f4nimo, que n\u00e3o nos corresponde, n\u00e3o nos insere, n\u00e3o nos compromete<a>?<\/a>\u201d (FT, 230).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar em in\u00edcio da vida, do desenvolvimento humano integral, do entardecer da vida, significa falar da nossa responsabilidade sobre o nosso destino. Significa assumir total solidariedade com a nossa natureza em todas as suas etapas, n\u00e3o s\u00f3 durante nosso \u00ednfimo tempo pessoal de exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m da nossa presen\u00e7a humana na terra. Significa assumirmos o protagonismo de promover, defender e cuidar da humanidade garantindo o futuro das novas gera\u00e7\u00f5es. Diante de tanta destrui\u00e7\u00e3o (moral, econ\u00f4mica, social, familiar, espiritual) \u00e9 necess\u00e1rio reconstruir a paz. Novamente o Papa Francisco ecoa no nosso cora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\">\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\" style=\"text-align: left;\">Muitas vezes h\u00e1 grande necessidade de negociar e, assim, desenvolver percursos concretos para a paz. Mas os processos efetivos duma paz duradoura s\u00e3o, antes de mais nada, transforma\u00e7\u00f5es artesanais realizadas pelos povos, onde cada pessoa pode ser um fermento eficaz com o seu estilo de vida di\u00e1ria.<\/p>\n<p><cite>FT, 231<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez que nos organizamos para o bem comum, estamos ampliando a for\u00e7a de garantir vida mais digna no planeta. O desengajamento moral que predomina sobre muitos, \u00e9 um sinal de que o desgaste social pode acarretar um descr\u00e9dito sobre o bem. Quando parece estranho fazer o bem, defender valores, pode ser sinal de uma moral que est\u00e1 adoentada, enfraquecida, desnutrida de amor. \u00c9 preciso engajamento, bons prop\u00f3sitos e perseveran\u00e7a nas atitudes, pois a humanidade precisa acreditar de novo que \u00e9 poss\u00edvel sonhar e realizar os sonhos<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\">\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\" style=\"text-align: left;\">As grandes transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddas \u00e0 escrivaninha ou no escrit\u00f3rio. Por isso, cada qual desempenha um papel fundamental, num \u00fanico projeto criador, para escrever uma nova p\u00e1gina da hist\u00f3ria, uma p\u00e1gina cheia de esperan\u00e7a, cheia de paz, cheia de reconcilia\u00e7\u00e3o. Existe uma \u201carquitetura\u201d da paz, na qual interv\u00eam as v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es da sociedade, cada uma dentro de sua compet\u00eancia, mas h\u00e1 tamb\u00e9m um \u201cartesanato\u201d da paz que nos envolve a todos. A partir de distintos processos de paz que se desenvolvem em v\u00e1rios lugares do mundo, \u00abaprendemos que estes caminhos de pacifica\u00e7\u00e3o, de primazia da raz\u00e3o sobre a vingan\u00e7a, de delicada harmonia entre a pol\u00edtica e o direito, n\u00e3o podem prescindir das pessoas implicadas nos processos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\" style=\"text-align: left;\"><cite>FT, 231<\/cite><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, est\u00e1 mais do que na hora de deixarmos de lado nossas desaven\u00e7as pol\u00edticas, partid\u00e1rias e ideol\u00f3gicas, e nos unirmos no cuidado do humano, da sua integral dignidade. O bom samaritano (Lc 10,25-37) n\u00e3o pensou duas vezes em ajudar o homem assaltado e correndo perigo de vida, pois se tratava de uma urg\u00eancia humanit\u00e1ria. Naquele momento, as desaven\u00e7as entre samaritanos e judeus, os conflitos entre religi\u00e3o e doutrina, as exig\u00eancias entre status social e lei, foram superadas, para ajudar a pessoa concreta, real, enfim, o humano com o qual todos nos identificamos.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\">\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\" style=\"text-align: left;\">N\u00e3o basta o desenho de quadros normativos e acordos institucionais entre grupos pol\u00edticos ou econ\u00f4micos de boa vontade. Al\u00e9m disso, \u00e9 sempre enriquecedor incorporar nos nossos processos de paz a experi\u00eancia de setores que, em muitas ocasi\u00f5es, foram deixados de lado, para que sejam precisamente as comunidades a revestir os processos de mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n<p><cite>FT, 231<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, de maneira particular, tem sempre o protagonismo de trazer \u00e0 tona os temas mais candentes, para que todas as pessoas de boa vontade possam aderir \u00e0 arquitetura da paz, que extrapola nossos muros eclesi\u00e1sticos e nos lan\u00e7a para sermos irm\u00e3os e irm\u00e3s no mundo, numa acolhida global das car\u00eancias sociais que atingem a todos n\u00f3s. Sempre teremos as vozes, inspiradas pelo Esp\u00edrito Santo, em cada canto do mundo, em cada drama da vida, em cada cora\u00e7\u00e3o entristecido, que v\u00e3o fazer brotar a semente do Verbo e n\u00e3o v\u00e3o permitir que roubem a esperan\u00e7a da humanidade.<\/p>\n<ul>\n<li>Toda vez que algu\u00e9m defende uma vida e \u00e9 contra o aborto, \u00e9 um cuidado que toca a responsabilidade para com todas as mulheres gestantes e com todas as crian\u00e7as que est\u00e3o por nascer;<\/li>\n<li>Toda vez que algu\u00e9m denuncia a fome de grupos exclu\u00eddos ou de cidades e na\u00e7\u00f5es, \u00e9 a voz da humanidade inteira sendo chamada a extinguir esse esc\u00e2ndalo e esse mau como inadmiss\u00edvel nos tempos atuais;<\/li>\n<li>Toda vez que algu\u00e9m grita por paz em situa\u00e7\u00f5es de conflitos e de guerras, todos nos sentimos impelidos a colaborar e pressionar para amenizar a dor das consequ\u00eancias dos conflitos armados, come\u00e7ando a paz em nossos lares;<\/li>\n<li>Toda vez que algu\u00e9m chora a perda de um filho para o tr\u00e1fico e a droga, todos somos convocados a atuar para a diminui\u00e7\u00e3o desse v\u00edcio e a buscarmos as causas e os causadores dessa trag\u00e9dia humana;<\/li>\n<li>Toda vez que algu\u00e9m est\u00e1 na rua, sem nada e sem destino, todos n\u00f3s nos sentimos absorvidos pela dignidade perdida, sem fam\u00edlia, sem moradia, sem destino e, podemos pensar: Se fosse comigo? Se eu estivesse na rua? Como seria? \u00c9 imposs\u00edvel desprezar essas pessoas.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Enfim, poderia ter uma lista infinita de situa\u00e7\u00f5es concretas. \u00c9 poss\u00edvel entender que essas agendas n\u00e3o s\u00e3o somente deste ou daquele governo, mas de todos n\u00f3s. N\u00e3o precisamos ir longe para perceber que tem sempre algu\u00e9m, ou um grupo mobilizado precisando de volunt\u00e1rios para salvar vidas e recuperar dignidades feridas. Basta ter um cora\u00e7\u00e3o generoso e n\u00e3o cruzar os bra\u00e7os esperando que a resposta venha do alto. \u00c9 um trabalho incessante que j\u00e1 existe, bem perto de voc\u00ea que est\u00e1 lendo esse texto agora. E se chegou neste ponto, vale a pena terminar com mais esse recado do Papa Francisco:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\">\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\" style=\"text-align: left;\">Nunca est\u00e1 terminada a constru\u00e7\u00e3o da paz social num pa\u00eds, mas \u00e9 uma tarefa que n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas e exige o compromisso de todos. Uma obra que nos pede para n\u00e3o esmorecermos no esfor\u00e7o por construir a unidade da na\u00e7\u00e3o e \u2013 apesar dos obst\u00e1culos, das diferen\u00e7as e das diversas abordagens sobre o modo como conseguir a conviv\u00eancia pac\u00edfica \u2013 persistirmos na labuta por favorecer a cultura do encontro que exige que, no centro de toda a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica, se coloque a pessoa humana, a sua sublime dignidade e o respeito pelo bem comum. Que este esfor\u00e7o nos fa\u00e7a esquivar de toda a tenta\u00e7\u00e3o de vingan\u00e7a e busca de interesses apenas particulares e a curto prazo.<\/p>\n<p><cite>FT, 232<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, somos todos chamados a fortalecer a cultura do encontro como o caminho para a arquitetura da paz. Construamos juntos esse projeto, pensando de maneira especial, para as novas gera\u00e7\u00f5es, que poder\u00e3o ter as refer\u00eancias sociais necess\u00e1rias para distinguir o que leva \u00e0 exclus\u00e3o social e o que leva \u00e0 unidade social em prol do bem comum. Em tempos de crise, resta-nos buscar a sabedoria, a lucidez, o bom senso e, acima de tudo, a humildade de reaprendermos a nos encontrar para um bom di\u00e1logo, onde os sonhos sejam reconstru\u00eddos e recuperados, e a vontade do povo brasileiro \u00e9 que ningu\u00e9m fique de fora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Ricardo Hoepers Bispo de Rio Grande (RS) &nbsp; &nbsp; O ano de 2023 come\u00e7ou intenso. Continuamos acompanhando com muita apreens\u00e3o a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. O Papa Francisco expressou, quando da nossa visita em maio de 2022, na audi\u00eancia privada para os Bispos do Rio Grande do Sul, que esta era \u201ca sua &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-ricardo-como-definir-povo-brasileiro\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Como definir o povo brasileiro?<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":61,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837,1671],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/937797"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/61"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=937797"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/937797\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":937898,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/937797\/revisions\/937898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=937797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=937797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=937797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}