{"id":940789,"date":"2023-03-21T11:43:45","date_gmt":"2023-03-21T14:43:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=940789"},"modified":"2023-03-23T10:00:17","modified_gmt":"2023-03-23T13:00:17","slug":"fraternidade-e-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fraternidade-e-fome\/","title":{"rendered":"Fraternidade e fome"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Carlos Jos\u00e9<br \/>\n<\/strong><span data-contrast=\"auto\"><strong>Bispo de Apucarana (PR)<\/strong> <\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span data-contrast=\"auto\">\u201cDai-lhes v\u00f3s mesmos de comer.\u201d<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> (Mt 14,16)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Idealizada de forma t\u00edmida, em 1961, como forma de conseguir recursos para a manuten\u00e7\u00e3o das obras assistenciais da pr\u00f3pria Igreja, a Campanha da Fraternidade, como eles a chamaram na \u00e9poca, obteve os resultados esperados a que se propunha. Em 1962, o projeto \u00e9 repetido em Natal, capital do Rio Grande do Norte, com resultados bem positivos, o que fez com fosse expandido, nos anos subsequentes para outras 16 Dioceses nordestinas, como uma experi\u00eancia mais ampla. A resposta, sempre positiva, motivou a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto abrangendo todo o territ\u00f3rio nacional, para que todas as Igrejas pudessem fazer parte de uma mesma e \u00fanica Campanha da Fraternidade (nome adotado oficialmente) estruturada e organizada de acordo com as necessidades de cada \u00e9poca. A vivencia da Campanha, atrelada sempre ao per\u00edodo quaresmal, tem como objetivo despertar ou relembrar em cada crist\u00e3o um novo sentido de solidariedade fraterna: o outro que sofre \u00e9 meu irm\u00e3o! Poderia ser eu! A quaresma \u00e9 tempo de convers\u00e3o pessoal, intensa e verdadeira, o que \u00e9 necess\u00e1rio e essencial para que aconte\u00e7a tamb\u00e9m a convers\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades dos que vivem ao nosso redor. Se os irm\u00e3os menos favorecidos, exclu\u00eddos, famintos e vulner\u00e1veis s\u00e3o invis\u00edveis, as penit\u00eancias, jejuns e abstin\u00eancias de pouco valem. Os quarenta dias representam uma caminhada das trevas da indiferen\u00e7a rumo \u00e0 Luz que emana do Cristo Ressuscitado, o mesmo Cristo que passou pela indiferen\u00e7a de tantos, pela incredulidade de muitos e pela falta de f\u00e9 e coragem de outros e, mesmo assim, morreu por todos. \u00c9 esse mesmo Cristo, Vivo e Ressuscitado que nos pede hoje: <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">\u201cDai-lhes v\u00f3s mesmos de comer\u201d <\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">(Mt 14,16), nos apontando o caminho a seguir. Depois da partilha da Palavra, por compaix\u00e3o, Jesus d\u00e1 de comer a todos, sem questionar quem, naquela multid\u00e3o, deveria ser alimentado, ou tivesse mais ou menos merecimento. Ao contr\u00e1rio, todos foram saciados, independente do estado em que se encontravam seus cora\u00e7\u00f5es. Amados irm\u00e3os, a Campanha da Fraternidade nos exorta, pela terceira vez em sua hist\u00f3ria, a deixarmos o julgamento (que na realidade n\u00e3o nos cabe) e a olharmos com compaix\u00e3o e amor para os que tem menos que n\u00f3s e se encontram famintos, sem condi\u00e7\u00f5es de suprir sua subsist\u00eancia pessoal e familiar. Somos chamados a repartir o que temos com quem tem menos ou nada. Isso \u00e9 caridade, amor fraterno, isso \u00e9 agir como Cristo ensinou. Somos t\u00e3o r\u00e1pidos em cobrar, apontar os dedos, achar culpados, dar desculpas, n\u00e3o assumir a parte de nossa responsabilidade e lentos em demasia em ajudar. Em alguns momentos \u00e9 preciso fechar os olhos da raz\u00e3o e abrir as fontes de miseric\u00f3rdia do nosso cora\u00e7\u00e3o e do amor fraterno, sem cobran\u00e7as e exig\u00eancias e, com verdadeira alegria e gratid\u00e3o pelo que temos, ajudar aquele que precisa tanto. Se temos para ajudar e sempre temos alguma coisa, \u00e9 fato, \u00e9 porque recebemos muito mais que merecemos. O que sobra em nossa mesa, o desperd\u00edcio que vai para o lixo&#8230; quanto poderia valer para o outro? Questionamentos que a Campanha da Fraternidade nos faz nessa quaresma, exigindo uma a\u00e7\u00e3o imediata e que devemos levar adiante, depois de vivermos a P\u00e1scoa de Cristo, de nos transformarmos em novas criaturas que, de olhos e cora\u00e7\u00f5es abertos, passemos a enxergar o irm\u00e3o necessitado como um de n\u00f3s, filhos amados de Deus, tanto como somos. N\u00f3s, crist\u00e3os e cidad\u00e3os, temos a obriga\u00e7\u00e3o de cobrar tamb\u00e9m de toda sociedade e dos respons\u00e1veis pelo bem-estar do povo, a\u00e7\u00f5es que visem minorar o sofrimento de nossos irm\u00e3os. Para isso, fa\u00e7amos a nossa parte, pois toda pessoa tem a mesma dignidade de filho de Deus e isso estabelece o car\u00e1ter fundamental da fraternidade: a responsabilidade individual, coletiva e social. Quando a humanidade perceber que o que separa o irm\u00e3o excessivamente carente daquele excessivamente abastado \u00e9 a pr\u00e1tica da solidariedade fraterna, e que essa pr\u00e1tica torna todos igualmente necessitados uns dos outros, certamente haver\u00e1 menos cr\u00edticas e dedos apontados e mais solu\u00e7\u00f5es adequadas que proporcionem mais qualidade de vida num mundo carente de afeto, compreens\u00e3o e unidade. Que a Virgem Maria, Senhora da Quaresma, nos auxilie nessa caminhada quaresmal, para que cheguemos um dia, com Ela, a contemplar a Gl\u00f3ria de Deus!<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:259}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Carlos Jos\u00e9 Bispo de Apucarana (PR) \u00a0 &nbsp; &nbsp; \u201cDai-lhes v\u00f3s mesmos de comer.\u201d (Mt 14,16) Idealizada de forma t\u00edmida, em 1961, como forma de conseguir recursos para a manuten\u00e7\u00e3o das obras assistenciais da pr\u00f3pria Igreja, a Campanha da Fraternidade, como eles a chamaram na \u00e9poca, obteve os resultados esperados a que se propunha. &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fraternidade-e-fome\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Fraternidade e fome<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":101,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/940789"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=940789"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/940789\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":940791,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/940789\/revisions\/940791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=940789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=940789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=940789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}