{"id":942801,"date":"2023-04-14T15:42:37","date_gmt":"2023-04-14T18:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=942801"},"modified":"2023-04-14T15:43:01","modified_gmt":"2023-04-14T18:43:01","slug":"tendes-algo-de-comer-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/tendes-algo-de-comer-2\/","title":{"rendered":"Tendes algo de comer?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Belo Horizonte (MG)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta pergunta &#8211; \u201cTendes algo de comer?\u201d &#8211; veio do cora\u00e7\u00e3o do Mestre Jesus, ressuscitado, o vencedor da morte. Era uma manh\u00e3 na praia, conforme narra o evangelista Jo\u00e3o. Os pescadores, disc\u00edpulos de Jesus, ouviram o questionamento e, desolados, responderam que nada tinham. Ent\u00e3o o Mestre indicou: \u201cLan\u00e7ai a rede \u00e0 direita do barco e achareis\u201d. Eles obedeceram e n\u00e3o conseguiram pux\u00e1-la, por causa da grande quantidade de peixes.Neste momento, os disc\u00edpulos reconheceram o milagre, tamb\u00e9m aquele que o promovera: \u00e9 o Senhor! Um mist\u00e9rio que remete \u00e0 aprendizagem da nova e definitiva li\u00e7\u00e3o, formulada pelo ap\u00f3stolo Paulo, na Carta aos Romanos. Paulo sublinha que Cristo Ressuscitado dos mortos n\u00e3o morre mais, a morte j\u00e1 n\u00e3o tem poder sobre Ele. Pois Aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas, mas Aquele que vive \u00e9 para Deus que vive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discipulado no seguimento de Jesus Ressuscitado toca a vida no seu n\u00facleo de sustenta\u00e7\u00e3o: Cristo, refer\u00eancia insubstitu\u00edvel e inigual\u00e1vel, \u00e9 fonte da l\u00f3gica que deve presidir toda a exist\u00eancia. Ter algo para comer \u00e9 imprescind\u00edvel para viver. O alimento definitivo vem pela ilumina\u00e7\u00e3oalcan\u00e7ada na oferta redentora que Cristo faz de si, na ceia pascal, consumada no alto da cruz, pela obla\u00e7\u00e3o que faz de Seu corpo e sangue.\u00a0 Os disc\u00edpulos compreendem e s\u00e3o desafiados a reger-se pela compet\u00eancia de responder \u00e0 interroga\u00e7\u00e3o do Mestre Jesus: a partir de Cristo, o ser humano encontra seu verdadeiro alimento, aquele que conduz \u00e0 vida.\u00a0 Longe desse alimento, o caminho da humanidade ser\u00e1 orientado por din\u00e2micas destrutivas: ressentimentos em\u00e1goas que sufocam a fraternidade, deixam esp\u00edritos conturbados, impondo uma cegueira nas pessoas que passam a enxergar apenas nos limites dos pr\u00f3prios ju\u00edzos e escolhas, aprisionadas em interesses pequenos, pouco nobres. Com isso, deixa-se de reconhecer a presen\u00e7a de Deus na pr\u00f3pria vida. Uma perda grave, que leva a adoecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTendes algo de comer?\u201d\u00c9 uma interroga\u00e7\u00e3o com for\u00e7a de advert\u00eancia, explicitando os limites humanos. Remete \u00e0 import\u00e2ncia determinante de escutar os clamores dos outros, especialmente daqueles que n\u00e3o t\u00eam algo para comer -s\u00e3o milhares e milh\u00f5es pelo mundo afora. A escuta dos clamores daqueles que sofrem, particularmente de quem enfrenta a fome, \u00e0 luz da pergunta formulada por Jesus, conduz \u00e0 l\u00f3gica da generosidade e da partilha &#8211; rem\u00e9dio para as inimizades e m\u00e1goas forjadas por limita\u00e7\u00f5es humanas e espirituais: a incapacidade para perdoar e alargar o cora\u00e7\u00e3o e hospedar o amor. O amor \u00e9 o \u00fanico agente de reconcilia\u00e7\u00e3o e de recomposi\u00e7\u00e3o da fraternidade universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta do Mestre remete ao flagelo da fome \u2013 uma amea\u00e7a \u00e0 dignidade humana. Sabe-se que uma car\u00eancia prolongada de alimenta\u00e7\u00e3o provoca debilidades graves, instaura apatias, imp\u00f5e a perda do sentido social. Compreende-se a urg\u00eancia da escuta da pergunta do Mestre e a importante celeridade para respond\u00ea-la com um \u201csim\u201d. S\u00e3o urgentes os envolvimentos organizacionais da sociedade e a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicascapazes de vencer a fome. Uma vit\u00f3ria que depende tamb\u00e9m da efetiva\u00e7\u00e3o de um novo estilo de vida &#8211; compromisso de todos &#8211; distante dos h\u00e1bitos que levam ao esgotamento do meio ambiente.Reverter os cen\u00e1rios abomin\u00e1veis de desola\u00e7\u00e3o e de abandono provocados pela fomesignifica tamb\u00e9m contribuir para superarsitua\u00e7\u00f5es que destroem as fam\u00edlias, levam viol\u00eancia aos lares, \u00e0s cidades e ao campo. A car\u00eancia alimentar gera, ainda, adoecimentos f\u00edsicos e ps\u00edquicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolher a pergunta que brotou do cora\u00e7\u00e3o de Cristo Ressuscitado,voz dos famintos e exclu\u00eddos,\u00e9 o primeiro passo para reverter a aporofobiat\u00e3o disseminada na sociedade. \u00c9 desolador constatar que muitos cultivam avers\u00e3o e desprezo em rela\u00e7\u00e3o aos pobres, hostilizando ainda as iniciativas que buscam oferecer dignidade a quem sofre. A interpelante interroga\u00e7\u00e3o feita por Jesus aos seus disc\u00edpulosdesafia todos os cidad\u00e3os, especialmente os crist\u00e3os. Deve inspirar sensatez e humanismo, para que sejam alcan\u00e7adas novas respostas, mais eficazes no enfrentamento de muitos flagelos sociais, particularmente no combate \u00e0 fome. Aqueles que exemplarmente trabalham pela cura dessa chaga social podem ser inspira\u00e7\u00e3o, convencendo cada vez mais pessoas a tamb\u00e9m se unirem para amparar quem n\u00e3o tem o que comer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de Cristo, \u00e9 urgente forrar cora\u00e7\u00f5es com o tecido da compaix\u00e3o, capaz de inspirar uma nova ordem social livre do flagelo da fome. Especialmente os crist\u00e3os devem ter sempre presente a advert\u00eancia de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo que, por volta do s\u00e9culo quarto da era crist\u00e3, disse: \u201cMuitos crist\u00e3os saem da Igreja e contemplam fileiras de pobres,e passam longe, sem se comover, como se vissem colunas e n\u00e3o corpos humanos. Apertam o passo como se vissem est\u00e1tuas em lugar de homens que respiram. E, depois de tamanha desumanidade, se atrevem a levantar as m\u00e3os aos c\u00e9us e pedir a Deus miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o pelos seus pecados\u201d. A voz de Jesus seja escutada como clamor dos pobres e famintos: \u201cTendes algo de comer?\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG) &nbsp; Esta pergunta &#8211; \u201cTendes algo de comer?\u201d &#8211; veio do cora\u00e7\u00e3o do Mestre Jesus, ressuscitado, o vencedor da morte. 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