{"id":943122,"date":"2023-04-21T09:33:05","date_gmt":"2023-04-21T12:33:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=943122"},"modified":"2023-04-21T09:33:31","modified_gmt":"2023-04-21T12:33:31","slug":"deus-habita-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/deus-habita-na-cidade\/","title":{"rendered":"Deus habita na cidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Santa Maria (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cidades surgiram para proteger a humanidade e favorecer processos de humaniza\u00e7\u00e3o. Elas nasceram contra um per\u00edodo de nomadismo que n\u00e3o situava o ser humano nem lhe permitia cuidar ou reinar sobre a Terra. Elas se posicionaram contra o absolutismo do cl\u00e3, que dava identidade ao indiv\u00edduo, mas o aprisionava no espa\u00e7o do parentesco e da semelhan\u00e7a. As cidades sempre foram lugares de manifesta\u00e7\u00e3o do ser humano, espa\u00e7os fecundos para a express\u00e3o e a exalta\u00e7\u00e3o do <em>ethos<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identidade que a cidade proporciona aos seres humanos \u00e9 uma identidade din\u00e2mica, constantemente reconstru\u00edda e renovada; logo, \u00e9 um cont\u00ednuo processo de mudan\u00e7a, exercido numa for\u00e7a centr\u00edpeta, capaz de atrair todos, inclusive o diferente, o desconhecido e o estrangeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade tem uma voca\u00e7\u00e3o de reconhecimento do <em>outro<\/em>, desconhecido e inesperado, uma voca\u00e7\u00e3o \u00e0 pluralidade e \u00e0 complexidade. A vida urbana, necessariamente, precisa dessa abertura, do reconhecimento, da capacidade de integrar o novo e o diverso, para instaurar uma profunda unidade, uma nova solidariedade, uma comunidade que enrique\u00e7a a <em>polis<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No Paganismo, as cidades eram tidas como sagradas, porque sua funda\u00e7\u00e3o era atribu\u00edda a deuses. No Cristianismo, o que torna as cidades sagradas \u00e9 o agir humano. As pessoas s\u00e3o templos do Esp\u00edrito Santo, s\u00e3o edifica\u00e7\u00f5es de Deus, por isso, a coletividade \u00e9 significativa para a reflex\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cidade, como representa\u00e7\u00e3o da humanidade, at\u00e9 pode ser constru\u00edda na autossufici\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Deus. Toda cidade pode ser Babil\u00f4nia ou Jerusal\u00e9m, por isso, ela \u00e9 par\u00e1bola da humanidade nas dimens\u00f5es social e coletiva. Ela pode ser Babel ou N\u00ednive. A cidade moderna \u00e9 secularizada, heter\u00f4noma, lugar comum para todos, campo da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nela se encontram e desencontram homens e mulheres, crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os e crentes e ateus, aqueles que buscam um sentido para viver, bem como os indiferentes. Mesmo assim, viver na cidade, para os crist\u00e3os, \u00e9 um desafio necess\u00e1rio. Na Igreja primitiva, o testemunho de vida e f\u00e9 dos seguidores de Jesus Cristo expressava sua capacidade de se integrar ao mundo no qual se encontravam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 interpelada pela cultura urbana. Trata-se de uma provoca\u00e7\u00e3o positiva, segundo o Papa Francisco, pois \u201ca presen\u00e7a de Deus acompanha a busca sincera que indiv\u00edduos e grupos efetuam para encontrar apoio e sentido para a sua vida. Ele vive entre os citadinos, promovendo a solidariedade e a fraternidade. O desejo do bem da verdade e da justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cristianismo, como todas as religi\u00f5es, inclui um itiner\u00e1rio para que o reconhecimento de Deus seja ou pela interioridade, ou pelo contato com a realidade externa da natureza ou da hist\u00f3ria. Especificamente evang\u00e9lica, entretanto, \u00e9 a experi\u00eancia de Deus na aproxima\u00e7\u00e3o com o <em>outro<\/em>. Essa situa\u00e7\u00e3o indica que nada est\u00e1 mais distante do individualismo, do ego\u00edsmo, da indiferen\u00e7a diante dos problemas sociais, do que o Evangelho de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Reino de Deus implica compromisso e engajamento social. Deus habita na cidade, e \u00e9 preciso reconhecer os sinais de sua presen\u00e7a em meio \u00e0s diversas formas de ser e viver em comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS) As cidades surgiram para proteger a humanidade e favorecer processos de humaniza\u00e7\u00e3o. Elas nasceram contra um per\u00edodo de nomadismo que n\u00e3o situava o ser humano nem lhe permitia cuidar ou reinar sobre a Terra. 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