{"id":944026,"date":"2023-05-02T10:18:22","date_gmt":"2023-05-02T13:18:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=944026"},"modified":"2023-05-02T10:21:25","modified_gmt":"2023-05-02T13:21:25","slug":"espiritualidade-que-vence-o-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/espiritualidade-que-vence-o-medo\/","title":{"rendered":"Espiritualidade que vence o medo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo Metropolitano de Santa Maria (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A era bacteriol\u00f3gica foi vencida pelos antibi\u00f3ticos. A nova patologia \u00e9 neuronal: s\u00edndrome de hiperatividade, d\u00e9fice de aten\u00e7\u00e3o, transtorno de personalidade lim\u00edtrofe, S\u00edndrome de Burnout. Isso \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o ao desaparecimento da estranheza e da alteridade. O estranho cede lugar ao ex\u00f3tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na crise de alteridade e de estranheza, o outro e o estranho n\u00e3o mais nos afetam. Na correria do cotidiano, desaparece o esp\u00edrito contemplativo e profundo. A lam\u00faria do indiv\u00edduo depressivo de que nada \u00e9 poss\u00edvel, s\u00f3 se torna poss\u00edvel numa sociedade que cr\u00ea que nada \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sujeito entra em guerra consigo mesmo. H\u00e1 um excesso de est\u00edmulos, informa\u00e7\u00f5es e impulsos. Isso gera uma aten\u00e7\u00e3o ampla, mas rasa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparentemente, temos tudo: s\u00f3 nos falta o essencial: o mundo. Esse perdeu sua alma e sua fala. O alarido da comunica\u00e7\u00e3o sufoca o sil\u00eancio. A prolifera\u00e7\u00e3o e massifica\u00e7\u00e3o das coisas expulsam o vazio que faz pensar. Vive-se a era do vazio por falta e n\u00e3o por op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sinais dos tempos, a hist\u00f3ria, o cosmo, tudo fala de Deus. Justamente por ser hist\u00f3rica, a espiritualidade crist\u00e3 tamb\u00e9m sofre tenta\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis: o medo, a fuga e a impaci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo \u00e9 sintoma de nosso medo de Deus, de suas exig\u00eancias, de suas solicita\u00e7\u00f5es. \u00c9 medo do futuro. \u00c9 o que os medievais denominavam ac\u00eddia, ou pregui\u00e7a espiritual. Por outro lado, realmente, as exig\u00eancias de Deus s\u00e3o mortais, pois, quem o encontra deve morrer para sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de pecado e desvios. Ele convida o velho homem a morrer, para que possa o novo homem caminhar por caminhos novos, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 exigente, porque a nossa tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 de nos defendermos diante do futuro que s\u00f3 a Deus pertence; queremos as garantias e a seguran\u00e7a daquilo que j\u00e1 possu\u00edmos e nos fechamos \u00e0s surpresas de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o medo nega o futuro, a fuga nega o presente. \u00c9 a atitude comum de quem vive sempre fora da realidade e repete: \u201cSe eu estivesse numa situa\u00e7\u00e3o diversa&#8230;, se eu tivesse outra fam\u00edlia&#8230;, se eu trabalhasse em outro lugar&#8230;, ent\u00e3o seria feliz, ent\u00e3o teria alegria de trabalhar e me sentiria melhor.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tenta\u00e7\u00e3o da fuga \u00e9 basicamente aquela de fechar os olhos diante do presente humilde no qual Deus nos colocou e que \u00e9 o lugar no qual Deus fala \u00e0 nossa vida. O grande desafio \u00e9 acolher a presen\u00e7a de Deus, n\u00e3o numa dimens\u00e3o a-hist\u00f3rica, mas no aqui e agora, no nosso humilde presente, na hist\u00f3ria do nosso hoje<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se algu\u00e9m reza colocando somente uma parte de sua vida ou de sua hist\u00f3ria nas m\u00e3os de Deus, n\u00e3o reza verdadeiramente. O que n\u00e3o foi assumido n\u00e3o foi redimido, determina o antigo axioma patr\u00edstico, e, nesse contexto, vale lembrar que o Verbo de Deus assumiu nossas dores e pecados para curar e salvar todo nosso ser. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o momento no qual Deus nos muda e nos torna capazes de reconhec\u00ea-lo no nosso presente, sem fugas, para sermos capazes de am\u00e1-lo onde estamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impaci\u00eancia \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do passado. Ela nos faz esquecer o que temos atr\u00e1s de n\u00f3s: a hist\u00f3ria da qual proviemos, da nossa fam\u00edlia. Essa hist\u00f3ria exige amadurecimento, e h\u00e1 processos lentos que muitas vezes rejeitamos. A ora\u00e7\u00e3o nos faz compreender que Deus n\u00e3o violenta o tempo humano. H\u00e1 uma paci\u00eancia de Deus que, antes de ser um sinal de sua infinita miseric\u00f3rdia, \u00e9 sinal do imenso respeito que ele tem por n\u00f3s, seres humanos, at\u00e9 mesmo diante de nossos erros e pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aceitar essa paci\u00eancia significa ter a coragem de aceitar que as coisas podem mudar somente num crescimento gradual e complexo e de compreender que este mundo jamais ser\u00e1 nossa p\u00e1tria definitiva. Nada aqui \u00e9 permanente, por isso, tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, mesmo se em tempos diferentes do que imaginamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Arcebispo Metropolitano de Santa Maria (RS) A era bacteriol\u00f3gica foi vencida pelos antibi\u00f3ticos. 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