{"id":944688,"date":"2023-05-17T13:14:02","date_gmt":"2023-05-17T16:14:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=944688"},"modified":"2023-05-17T13:15:28","modified_gmt":"2023-05-17T16:15:28","slug":"a-escravidao-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-escravidao-humana\/","title":{"rendered":"A escravid\u00e3o humana\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br \/>\nBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:2,&quot;335551620&quot;:2}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A escravid\u00e3o humana \u00e9 um flagelo! Esculpida na hist\u00f3ria da humanidade a escravid\u00e3o sempre foi o crime mais radical contra a humanidade. Ela mata a pr\u00f3pria humanidade, a humanidade em todos n\u00f3s, n\u00e3o apenas no escravizado.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ao negar a condi\u00e7\u00e3o humana do outro, que sempre ser\u00e1 um fim em si mesmo, nega-se a condi\u00e7\u00e3o humana universal. Ou a condi\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 em todos n\u00f3s ou n\u00e3o estar\u00e1 em ningu\u00e9m. \u00c9 uma dial\u00e9tica da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de ser.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ser humano \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que se constitui sobre direitos e deveres, at\u00e9 chegar a ser aquilo que somos, pessoas.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Uma pessoa \u00e9 determinada por ser possuidora de vontade e liberdade. Pela vontade ela se move para ser sempre mais. Para ser colaborativa e cooperacionista atrav\u00e9s de sua inten\u00e7\u00e3o de deixar neste mundo um legado.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Pela liberdade, a pessoa define-se a si mesma e o mundo ao seu redor, construindo cultura, hist\u00f3ria, arte, filosofia e religi\u00e3o.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ao avan\u00e7ar sobre outras pessoas, com interesses abomin\u00e1veis de utilizar a sua personalidade em proveito pr\u00f3prio, o senhor de escravos destr\u00f3i todo e qualquer tipo de vida que h\u00e1 no outro.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ao mirar o lucro na supress\u00e3o dos sal\u00e1rios correspondentes ao trabalho do outro \u00e9 ainda pior. O senhor de escravo se alvora sobre os demais, e sobre a humanidade inteira, para satisfazer o seu insaci\u00e1vel desejo de lucro. Desconsidera a personalidade do outro e a personalidade de Deus. O senhor de escravo \u00e9 menos que um traste, \u00e9 um s\u00ednico da condi\u00e7\u00e3o humana que ele n\u00e3o reconhece em nenhum lugar, inclusive nele pr\u00f3prio.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Vemos voltar, com estupor, essa abomina\u00e7\u00e3o, que hoje come\u00e7a, mais uma vez, a mostrar o seu lado sombrio. Agora mesmo na produ\u00e7\u00e3o moderna dos in\u00fameros empregados dom\u00e9sticos nas grandes cidades, aos terceirizados de empresas e <\/span><i><span data-contrast=\"none\">fornitur<\/span><\/i><i><span data-contrast=\"auto\">as<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> de todo tipo. Na produ\u00e7\u00e3o da seda, dos eletr\u00f4nicos e do vinho, a abomina\u00e7\u00e3o se mostra presente em nosso mundo. Ela aguarda nas sombras, esperando o momento oportuno para se revelar. Um mal contradit\u00f3rio. Silencioso e estridente ele se esconde por tr\u00e1s de boas inten\u00e7\u00f5es, aparente ignor\u00e2ncia e cinismo, mas nunca est\u00e1 envergonhado.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A abomina\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o n\u00e3o se envergonha. Ela precisa ser envergonhada por aqueles que amam a liberdade e n\u00e3o a desconsidera como for\u00e7a sinistra deste mundo.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O lucro e a vida f\u00e1cil s\u00e3o os seus pais; o cora\u00e7\u00e3o turvo e o cinismo os seus filhos. A humanidade \u00e9 desconstru\u00edda quando essa fam\u00edlia mal\u00e9fica se estabelece e encontra, entre humanos, apoio para crescer.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Surge, assim, a inumanidade. Pois n\u00e3o se pode chamar humano aquele que reduz a humanidade do outro.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Os inumanos cederam a tenta\u00e7\u00e3o do mal e trocaram a sua liberdade, e a dos outros, pelo dinheiro e pelo respeito, que sendo incapazes de construir por si mesmos, o buscam por meios s\u00f3rdidos.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Entretanto, o respeito que pensam ter alcan\u00e7ado jamais ser\u00e1 autorrespeito. Pois, o autorrespeito (<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Self-respect<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">), s\u00f3 surge quando o indiv\u00edduo reconhece, antes de tudo, a sua pr\u00f3pria humanidade como fim em si mesma. Ao sacrificar a sua humanidade e a dos outros, o senhor de escravo aliena a sua pr\u00f3pria vida. Senhor \u00e9 um correlato que s\u00f3 sobrevive se se escravizar algu\u00e9m; portanto, as suas vidas se entrela\u00e7am, reduzindo o mundo \u00e0 escurid\u00e3o e frio. \u00c9 o mais pobre de todos os mundos. Uma pobreza feia e carente, em cujas faltas se espelham o pior tipo de exist\u00eancia, uma exist\u00eancia abaixo da exist\u00eancia, uma quase n\u00e3o exist\u00eancia. Assim, como no <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">sheol<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, \u00e9 apenas sombra, um quase nada, uma ilus\u00e3o de exist\u00eancia perniciosa e pobre, daquela pobreza que n\u00e3o possui nada de valor.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A escravid\u00e3o, portanto, deve ser combatida, perseguida e eliminada da face da terra, sob pena de contaminar e extinguir a pr\u00f3pria humanidade que h\u00e1 em todos n\u00f3s.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha Mota Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0 \u00a0 A escravid\u00e3o humana \u00e9 um flagelo! Esculpida na hist\u00f3ria da humanidade a escravid\u00e3o sempre foi o crime mais radical contra a humanidade. 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