{"id":947325,"date":"2023-07-05T11:34:09","date_gmt":"2023-07-05T14:34:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=947325"},"modified":"2023-07-06T14:07:40","modified_gmt":"2023-07-06T17:07:40","slug":"a-via-sacra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-via-sacra\/","title":{"rendered":"A Via-Sacra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli<br \/>\nBispo de Santa Cruz do Sul (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:2,&quot;335551620&quot;:2}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Caros diocesanos. Na mensagem de hoje pretendemos continuar a reflex\u00e3o sobre a piedade popular, como forma de express\u00e3o de f\u00e9, semelhante ao que j\u00e1 vimos anteriormente em rela\u00e7\u00e3o ao <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">\u00e2ngelus<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> e ao <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">ros\u00e1rio<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> ou <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">ter\u00e7o<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">. Assim, nosso tema da presente reflex\u00e3o ser\u00e1 sobre a origem hist\u00f3rica da tradi\u00e7\u00e3o da <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Via-Sacra<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">J\u00e1 \u00e9 do nosso conhecimento que, nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, o mist\u00e9rio da Paix\u00e3o-Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, narrado pelos evangelistas, centralizou a vida de ora\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o da Igreja. \u00c9 justamente a partir do mist\u00e9rio pascal do Senhor que foi surgindo o Ano Lit\u00fargico da Igreja, com suas celebra\u00e7\u00f5es, enriquecidas ao longo da hist\u00f3ria. Mas a profundidade do mist\u00e9rio pascal nem sempre se tornou t\u00e3o acess\u00edvel a todo povo crist\u00e3o, por motivos diversos. Na Idade M\u00e9dia, por exemplo, o clero e os monges tinham acesso \u00e0 liturgia oficial e com ela nutriam sua espiritualidade, mas o povo simples, que n\u00e3o entendia mais a l\u00edngua usada na liturgia (latim) e suas complexas cerim\u00f4nias, nutria sua piedade com diversas devo\u00e7\u00f5es, normalmente paralelas \u00e0s cerim\u00f4nias oficiais. Esta realidade se acentuaria at\u00e9 o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965). Privado, de certa forma, do alimento da Palavra de Deus e da participa\u00e7\u00e3o consciente e ativa nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, o povo recorreu a formas alternativas ou substitutivas. Tentou concentrar sua f\u00e9 e piedade em torno dos mist\u00e9rios essenciais da reden\u00e7\u00e3o: encarna\u00e7\u00e3o, paix\u00e3o\/morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 neste contexto que se abriram as portas para o surgimento do ros\u00e1rio (ter\u00e7o), do \u00e2ngelus, da via-sacra e de outras devo\u00e7\u00f5es. Estas se difundiram rapidamente, sobretudo atrav\u00e9s dos pregadores itinerantes (dominicanos e franciscanos), respondendo a uma necessidade pastoral da \u00e9poca, como vimos acima. Outro elemento que favoreceu a difus\u00e3o das devo\u00e7\u00f5es foi a forte tend\u00eancia \u00e0 teatraliza\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o na liturgia da \u00e9poca. Dentro deste contexto, os mist\u00e9rios da encarna\u00e7\u00e3o (pres\u00e9pio), da paix\u00e3o e morte (via-sacra) receberam aten\u00e7\u00e3o especial pelo realismo c\u00eanico e pelo toque da sensibilidade dos fi\u00e9is.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Desta forma, o mundo medieval acolheu o surgimento da Via-Sacra, conhecida e praticada at\u00e9 hoje. J\u00e1 no s\u00e9c. XIII existiam muitas dramatiza\u00e7\u00f5es da paix\u00e3o, com fins de catequese e contempla\u00e7\u00e3o. No s\u00e9culo seguinte as dramatiza\u00e7\u00f5es continuaram e se acentuou sempre mais a medita\u00e7\u00e3o. As esta\u00e7\u00f5es se multiplicaram, chegando at\u00e9 mais de quarenta. Al\u00e9m da inspira\u00e7\u00e3o das cenas dos evangelhos foram surgindo tamb\u00e9m aspectos lend\u00e1rios do caminho da cruz, como as quedas de Jesus e os encontros com Ver\u00f4nica e com Maria Sant\u00edssima, a M\u00e3e de Jesus. Somente no s\u00e9culo XVII encontraremos, na Espanha, as 14 esta\u00e7\u00f5es que conhecemos at\u00e9 hoje. Se no in\u00edcio tudo era encenado ao vivo, aos poucos as representa\u00e7\u00f5es passariam para est\u00e1tuas e a quadros representativos ou simples cruzes nas paredes das igrejas ou orat\u00f3rios, como ainda hoje vemos em nossos templos.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Com esta s\u00edntese hist\u00f3rico-evolutiva da Via-Sacra, percebemos que o mist\u00e9rio da paix\u00e3o e morte do Senhor sempre impressionou o Povo de Deus de forma profunda. Na Idade M\u00e9dia, a Semana Santa recebeu inclusive o t\u00edtulo de \u201c<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Semana Dolorosa<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">\u201d, devido ao acento predominantemente emocional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paix\u00e3o e morte de Jesus Cristo, perdendo-se at\u00e9 a unidade do mist\u00e9rio pascal, como passagem da morte para a ressurrei\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m em nosso tempo, a paix\u00e3o do Senhor atinge profundamente nossos sentimentos. As encena\u00e7\u00f5es da Paix\u00e3o de Cristo e as Via-Sacras se multiplicam e s\u00e3o bem acolhidas pela piedade popular.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:3,&quot;335551620&quot;:3}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:3,&quot;335551620&quot;:3}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) \u00a0 Caros diocesanos. Na mensagem de hoje pretendemos continuar a reflex\u00e3o sobre a piedade popular, como forma de express\u00e3o de f\u00e9, semelhante ao que j\u00e1 vimos anteriormente em rela\u00e7\u00e3o ao \u00e2ngelus e ao ros\u00e1rio ou ter\u00e7o. 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