{"id":949569,"date":"2023-08-10T11:39:07","date_gmt":"2023-08-10T14:39:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=949569"},"modified":"2023-08-10T11:40:20","modified_gmt":"2023-08-10T14:40:20","slug":"sao-bernardo-de-claraval-monge-cisterciense-e-doutor-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sao-bernardo-de-claraval-monge-cisterciense-e-doutor-da-igreja\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Bernardo de Claraval, monge cisterciense e doutor da Igreja\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">S\u00e3o Bernardo de Claraval, celebrado no dia 20 de agosto, \u00e9 monge cisterciense e doutor da Igreja. Ele, a justo t\u00edtulo, pode ser considerado cofundador da Ordem Cisterciense \u2013 depois de S\u00e3o Roberto, Santo Alberico e Santo Est\u00eav\u00e3o Harding, dado o seu empenho por revitaliz\u00e1-la num tempo de grande crise de voca\u00e7\u00f5es \u2013 e tamb\u00e9m o pai do movimento m\u00edstico que, com seguran\u00e7a, podemos chamar de Escola Cisterciense de Espiritualidade. Estes pontos, fundamentado em grandes autoridades sobre o nosso santo, d\u00e3o o escopo deste artigo.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O Papa Bento XVI \u00e9 quem nos apresenta uma s\u00edntese simples, mas tamb\u00e9m abarcante sobre a vida de S\u00e3o Bernardo nos albores de sua busca religiosa: \u201cN\u00e3o conhecemos os pormenores dos anos da sua inf\u00e2ncia; sabemos, contudo, que ele nasceu, em 1090, em\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Fontaines<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">\u202fna Fran\u00e7a, numa fam\u00edlia numerosa e discretamente abastada. Ainda jovem, prodigalizou-se no estudo das chamadas artes liberais\u202f\u2013\u202fespecialmente da gram\u00e1tica, da ret\u00f3rica e da dial\u00e9tica\u202f\u2013\u202fna escola dos C\u00f4negos da igreja de\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Saint-Vorles<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, em\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Ch\u00e2tillon-sur-Seine<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">\u202fe amadureceu lentamente a decis\u00e3o de entrar na vida religiosa. Por volta dos vinte anos, entrou em\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">C\u00eeteaux<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, uma funda\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica nova, mais ativa em rela\u00e7\u00e3o aos antigos e vener\u00e1veis mosteiros de ent\u00e3o e, ao mesmo tempo, mais rigorosa na pr\u00e1tica dos conselhos evang\u00e9licos. Alguns anos mais tarde, em 1115, Bernardo foi enviado por Santo Est\u00eav\u00e3o Harding, terceiro Abade de\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">C\u00eeteaux<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, para fundar o mosteiro de Claraval (<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Clairvaux<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">). Aqui o jovem Abade, que tinha apenas vinte e cinco anos, p\u00f4de apurar a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o da vida mon\u00e1stica, e empenhar-se em p\u00f4-la em pr\u00e1tica. Olhando para a disciplina de outros mosteiros, Bernardo recordou, com decis\u00e3o, a necessidade de uma vida s\u00f3bria e comedida, tanto \u00e0 mesa como no vestu\u00e1rio e nos edif\u00edcios mon\u00e1sticos, recomendando o sustento e a aten\u00e7\u00e3o aos pobres. No entanto, a comunidade de Claraval tornava-se cada vez mais numerosa, e multiplicava as suas funda\u00e7\u00f5es\u201d (<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Audi\u00eancia geral<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, 21\/10\/2009, on-line). Para uma leitura r\u00e1pida, por\u00e9m escrita com maestria, al\u00e9m das obras citadas neste artigo, o leitor interessado em melhor conhecer nosso santo pode recorrer a Daniel Rops. \u201cBernardo de Claraval: testemunha do seu tempo perante Deus\u201d, da conceituada Editora Quadrante, de S\u00e3o Paulo.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Gostar\u00edamos tamb\u00e9m de enfatizar a ideia de que o santo de Claraval pode ser considerado o cofundador da Ordem Cisterciense. Por qu\u00ea? \u2013 Porque certo tempo ap\u00f3s o glorioso 1098, quando S\u00e3o Roberto, Santo Alberico, Santo Est\u00eav\u00e3o Harding e mais 21 companheiros, fundam Cister com a inten\u00e7\u00e3o de voltar ao primitivo rigor da Regra de S\u00e3o Bento, o mosteiro come\u00e7a a sentir a falta de voca\u00e7\u00f5es. Por um lado, devido \u00e0 peste que ceifara a vida de n\u00e3o poucos monges e por outro pela pr\u00f3pria falta de candidatos. Deus, no entanto, no abaciado de Santo Est\u00eav\u00e3o Harding, chamou, em 1113, para a Ordem, o jovem Bernardo, depois mundialmente conhecido como \u201cde Claraval\u201d, com mais 30 amigos. Ocorre, ent\u00e3o, um crescimento estupendo da Ordem Cisterciense.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Eis o que sobre isso p\u00f4de escrever Dom Lu\u00eds Alberto Ruas Santos, O. Cist.: \u201cHouve um momento em que a Europa foi cisterciense: uma rede de mosteiros desta ordem mon\u00e1stica estendia-se por todo o continente, de Portugal \u00e0 Est\u00f4nia, da Noruega \u00e0 Sic\u00edlia. O s\u00e9culo XII marcou o apogeu dos cistercienses, um ramo do grande tronco beneditino, que procurou dar novo vigor aos valores tradicionais do monaquismo, busca de Deus na solid\u00e3o e no sil\u00eancio, no quadro de uma comunidade fraterna, ascetismo liberador das melhores energias espirituais do ser humano, despojamento e simplicidade em todas as coisas, da liturgia e arquitetura ao vestu\u00e1rio e alimenta\u00e7\u00e3o. Essa era a \u00e9poca da Reforma Gregoriana, em que se buscava uma maior autenticidade evang\u00e9lica e crist\u00e3 em todos os aspectos da vida da Igreja, seja nas estruturas hier\u00e1rquicas, livrando-a de inger\u00eancias seculares, seja na pr\u00f3pria vida religiosa que era ent\u00e3o predominantemente mon\u00e1stica\u201d (<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Os cistercienses. Documentos primitivos<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">. S\u00e3o Paulo: Musa\/Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1997, p. 7). Ainda que, infelizmente, esse avan\u00e7o muito tenha se retra\u00eddo na Europa, foi poss\u00edvel aos cistercienses chegarem e se estabelecerem no Brasil, no s\u00e9culo XX, com a gra\u00e7a de Deus, e aqui levarem avante o carisma da Ordem a servi\u00e7o da Igreja.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Passamos, agora, a outro ponto. Durante longo tempo, alguns grandes mestres da Espiritualidade e M\u00edstica, como Pe. Adolphe Tanquerey e Frei Antonio Royo Mar\u00edn, por exemplo, inseriram, sem mais, os cistercienses na mesma escola de Espiritualidade dos nossos irm\u00e3os beneditinos. Tal inser\u00e7\u00e3o \u00e9, de si, leg\u00edtima, uma vez que a Regra de S\u00e3o Bento e a tradi\u00e7\u00e3o beneditina s\u00e3o suportes de base ou alicerces da vida cisterciense. Somos gratos devedores dos beneditinos em tudo o que nos legaram de suas ra\u00edzes profundas. No entanto, mais recentemente, come\u00e7ou, sem romper com a base, a se perceber um fato not\u00f3rio, conforme anota Dom Lu\u00eds Alberto Ruas Santos, O. Cist: \u201cOs mosteiros cistercienses produziram grandes m\u00edsticos. O mais importante deles foi S\u00e3o Bernardo de Claraval. H\u00e1 muitos outros nomes, sobretudo no s\u00e9culo XII, como Guilherme de Saint-Thierry, Elredo de Rievaulx ou Isaac de Estrela, para citar apenas os mais conhecidos. Todos eles escreveram sobre sua experi\u00eancia m\u00edstica pessoal. O florescimento da escola cisterciense \u00e9 o grande atestado de sucesso da aventura espiritual vivida nos mosteiros da Ordem. Esses autores oferecem em suas obras riquezas espirituais que guardam, ainda hoje, todo o seu valor, n\u00e3o s\u00f3 para os monges, mas para todos os crist\u00e3os. Talvez n\u00e3o tenha havido na Igreja uma escola de espiritualidade t\u00e3o uniforme na tem\u00e1tica e com tantos autores como a cisterciense\u201d (<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Bernardo de Claraval. Vida e obra do \u00faltimo dos padres<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">. Campinas: Ecclesiae, p. 47).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Essa espiritualidade comporta \u201cuma s\u00edntese feliz e atraente dos tr\u00eas elementos que predominavam nos movimentos de reforma mon\u00e1stica. Os mosteiros da Ordem ofereciam um\u202falto grau de solid\u00e3o, seja pelo afastamento da sociedade e da trama de seus relacionamentos, seja pela estrita disciplina de sil\u00eancio que neles vigorava, com longas horas dedicadas \u00e0\u202flectio\u202f\u2013 leitura orante e meditada da Palavra de Deus \u2013 e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o privada, e ao mesmo tempo o consolo de uma\u202fcomunidade fraterna. Por outras palavras, havia na vida cisterciense uma boa dose de eremitismo dentro de um quadro de comunh\u00e3o fraterna pr\u00f3pria ao cenobitismo e ao ideal de vida apost\u00f3lica. Enfim, os cistercienses quiseram ser\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">pauperes Christi<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, pobres de Cristo, ou seja,\u202fpobres com o Cristo pobre\u202fe, com isso, encontraram a terceira tend\u00eancia do monaquismo reformado do s\u00e9culo XI\u201d (<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">idem<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, p. 44).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Outro monge, desta vez um trapista, arremata este t\u00f3pico da exposi\u00e7\u00e3o com estas palavras: \u201cExiste uma \u2018espiritualidade cisterciense\u2019 (f\u00e9 levada \u00e0 vida com uma forma determinada), distingu\u00edvel das outras espiritualidades, inclusive mon\u00e1stica. Alguns dos elementos dessa espiritualidade seriam: a import\u00e2ncia da experi\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria, a afetividade, a Regra de S\u00e3o Bento sem acr\u00e9scimos, a caridade cenobita e contemplativa, a unanimidade, a amizade, a santa Humanidade de Jesus Cristo, a devo\u00e7\u00e3o mariana\u2026 N\u00e3o faltam os que opinam que n\u00e3o se pode falar de uma espiritualidade propriamente cisterciense (J. Lecrercq). Mas, existe sim, gra\u00e7as aos cistercienses, e sobretudo a S\u00e3o Bernardo de Claraval, uma \u2018teologia da espiritualidade ou da m\u00edstica\u2019\u201d (Dom Bernardo Olivera, OCSO. <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Introducci\u00f3n a los Padres e Madres cistercienses de los siglos XII e XIII<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">. Burgos: Fonte &amp; Monte Carmelo, 2020, p. 45). Louvemos, pois, nosso santo por inaugurar, com seu pensamento, suas prega\u00e7\u00f5es e escritas e suas a\u00e7\u00f5es concretas (que foram muitas!) em favor da Igreja, essa Escola de Espiritualidade t\u00e3o prof\u00edcua que tanto bem fez e faz ao Povo de Deus.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Com grande honra, celebramos tamb\u00e9m S\u00e3o Bernardo como Doutor da Igreja, ou seja, o (a) santo(a) que preenche as tr\u00eas notas necess\u00e1rias para tal: a) <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">ortodoxia<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> ou retid\u00e3o da doutrina; b) <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">santidade de vida<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> que tanto os contempor\u00e2neos quanto os posteriores reconhe\u00e7am; c) <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">aprova\u00e7\u00e3o da Igreja<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> \u2013 n\u00e3o necessariamente de modo expl\u00edcito \u2013 a partir do que ensinou pela palavra oral ou escrita (cf. <\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Pergunte e Responderemos<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\"> n. 429, p. 87-91). Mais ainda: nosso santo mereceu entre os santos doutores <\/span><span data-contrast=\"none\">o destac\u00e1vel apelativo de <\/span><span data-contrast=\"auto\">Doutor Mel\u00edfluo, isto \u00e9, aquele que tem palavras doces como mel <\/span><span data-contrast=\"none\">(cf. Pr 16,24<\/span><span data-contrast=\"auto\">).\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Com efeito, d<\/span><span data-contrast=\"none\">eclarado Doutor da Igreja, em 23 de julho de 1830, pelo Papa Pio VIII, no Breve <\/span><i><span data-contrast=\"none\">Quod unum<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">, S\u00e3o Bernardo de Claraval mereceu, em 24 de maio de 1953, por ocasi\u00e3o do oitavo centen\u00e1rio de sua morte, estas palavras do Santo Padre Pio XII: \u201cO doutor mel\u00edfluo, \u2018\u00faltimo dos padres, mas certamente n\u00e3o inferior aos primeiros\u2019 (Mabillon,\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"none\">Bernardi Opera<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">, Praef. generalis, n. 23;\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"none\">PL<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">\u202f182, 26), distinguiu-se por tais dotes de mente e de esp\u00edrito, enriquecidos por Deus com dons celestes, que pareceu dominar totalmente nas m\u00faltiplas e turbulentas vicissitudes da sua era, por santidade, sabedoria, suma prud\u00eancia e conselho na a\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o s\u00f3 os romanos pont\u00edfices e escritores da Igreja cat\u00f3lica, mas tamb\u00e9m n\u00e3o raramente os pr\u00f3prios hereges lhe tributam grandes louvores. E nosso predecessor de feliz mem\u00f3ria Alexandre III, quando o inseriu, com universal j\u00fabilo, no cat\u00e1logo dos santos, assim escreveu com venera\u00e7\u00e3o: \u2018&#8230;Evocamos a santa e vener\u00e1vel vida do mesmo bem-aventurado: pois que ele, amparado por singular prerrogativa da gra\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 resplandeceu em santidade e religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m irradiou, em toda a Igreja de Deus, a luz da sua f\u00e9 e doutrina. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m, por assim dizer, em toda a cristandade que ignore o fruto que ele produziu na casa de Deus com sua palavra e exemplo, visto que difundiu as institui\u00e7\u00f5es da nossa santa religi\u00e3o at\u00e9 \u00e0s terras estrangeiras e b\u00e1rbaras&#8230; e fez voltar uma infinita multid\u00e3o de pecadores&#8230; \u00e0 reta pr\u00e1tica da vida espiritual\u2019 (Carta Apost.\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"none\">Contigit olim<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">, 17 de janeiro de 1174). \u2018Ele foi com efeito como escreve o Cardeal Bar\u00f4nio \u2013 homem verdadeiramente apost\u00f3lico, aut\u00eantico ap\u00f3stolo enviado por Deus, poderoso em obras e palavras, tornando c\u00e9lebre em toda a parte e em todas as coisas o seu apostolado com os prod\u00edgios que o acompanhavam, de maneira que se deve dizer que em nada foi inferior aos grandes ap\u00f3stolos&#8230; ornamento e ao mesmo tempo amparo de toda a Igreja cat\u00f3lica\u2019 (<\/span><i><span data-contrast=\"none\">Annal<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">. t. XII, An. 1153, p. 385)\u201d (Enc\u00edclica <\/span><i><span data-contrast=\"none\">Doctor Mellifluus<\/span><\/i><span data-contrast=\"none\">, 1953, n. 1).<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Pio XII usa, logo de in\u00edcio, como se v\u00ea, uma cita\u00e7\u00e3o que \u00e9 bela, por\u00e9m emblem\u00e1tica. Sim, diz o seguinte: \u201cO doutor mel\u00edfluo, \u2018\u00faltimo dos padres, mas certamente n\u00e3o inferior aos primeiros\u2019\u201d. Como entender isto? \u2013 Comecemos por esclarecer que \u201cPadres da Igreja s\u00e3o escritores (n\u00e3o necessariamente presb\u00edteros ou bispos) que, nos primeiros s\u00e9culos, contribu\u00edram para a exata elabora\u00e7\u00e3o e a precisa formula\u00e7\u00e3o das verdades da f\u00e9 em tempos de debates teol\u00f3gicos com escolas her\u00e9ticas\u201d (Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt, OSB.\u202f<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Hist\u00f3ria da Igreja<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2012, p. 16). Pois bem, mas se esses Padres est\u00e3o nos primeiros s\u00e9culos da Igreja, como S\u00e3o Bernardo, vivendo no s\u00e9culo XII, pode ser considerado um deles? \u2013 \u00c9 o Papa Bento XVI quem nos esclarece desta vez: \u201cHoje gostaria de falar de S\u00e3o Bernardo de Claraval, chamado \u2018o \u00faltimo dos Padres\u2019 da Igreja, porque no s\u00e9culo XII, mais uma vez, renovou e tornou presente a grande teologia dos Padres\u201d (<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Audi\u00eancia geral<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, 21\/10\/2009, on-line).\u202f<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Pe\u00e7amos, pois, que o nosso grande S\u00e3o Bernardo de Claraval, monge dedicado a Deus e, por conseguinte, \u00e0 Igreja e a cada homens e mulher com quem tomava contato, interceda junto \u00e0 Trindade Sant\u00edssima por todos n\u00f3s a fim de que, saibamos, em pleno s\u00e9culo XXI, ouvir, discernir e corresponder ao chamado do Senhor em nossas vidas.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;134233279&quot;:true,&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:708,&quot;335559739&quot;:120,&quot;335559740&quot;:276}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta\u00a0 Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) &nbsp; S\u00e3o Bernardo de Claraval, celebrado no dia 20 de agosto, \u00e9 monge cisterciense e doutor da Igreja. Ele, a justo t\u00edtulo, pode ser considerado cofundador da Ordem Cisterciense \u2013 depois de S\u00e3o Roberto, Santo Alberico e Santo Est\u00eav\u00e3o Harding, dado o seu empenho por &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sao-bernardo-de-claraval-monge-cisterciense-e-doutor-da-igreja\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">S\u00e3o Bernardo de Claraval, monge cisterciense e doutor da Igreja\u00a0<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/949569"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=949569"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/949569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":949570,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/949569\/revisions\/949570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=949569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=949569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=949569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}