{"id":950740,"date":"2023-08-28T11:29:47","date_gmt":"2023-08-28T14:29:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=950740"},"modified":"2023-08-28T11:30:24","modified_gmt":"2023-08-28T14:30:24","slug":"a-avaliacao-moral-do-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-avaliacao-moral-do-aborto\/","title":{"rendered":"A avalia\u00e7\u00e3o moral do aborto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Pedro Carlos Cipollini<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Santo Andr\u00e9 (SP)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00eamica sobre o aborto \u00e9 grande na sociedade. A favor ou contra? Permitido ou n\u00e3o? Legaliza-se sua pr\u00e1tica ou n\u00e3o? Do ponto de vista social o aborto \u00e9 um flagelo, pela enormidade dos males que causa \u00e0 sociedade. Quem j\u00e1 ouviu o depoimento de uma m\u00e3e que abortou e se arrependeu, sabe do que se trata. \u00c9 uma chaga oculta por onde se esvai um precioso potencial de vida, especialmente nas sociedades, nas quais diminui drasticamente o n\u00famero de crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o falo aqui do aborto do ponto de vista religioso, mas antropol\u00f3gico. \u00c9 uma quest\u00e3o humanit\u00e1ria que n\u00e3o pode considerar os direitos somente dos mais fortes, os adultos envolvidos, mas dos mais fracos, os fetos que perguntam: por que matar quem tem direito \u00e0 vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista moral, o aborto \u00e9 um atentado contra a vida de um ser humano, vivendo ainda na depend\u00eancia do organismo materno (encarregado de form\u00e1-lo e proteg\u00ea-lo, constituindo, por\u00e9m, j\u00e1 um ser aut\u00f4nomo), com uma lei peculiar \u00e0 sua evolu\u00e7\u00e3o. Dentre os crimes contra a vida, o aborto provocado apresenta caracter\u00edsticas que o tornam abjur\u00e1vel. Isto \u00e9 reconhecido por 90% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, segundo pesquisa Data\/Folha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, as propostas de certos vgrupos da sociedade para legalizar o aborto n\u00e3o est\u00e3o em sintonia com a democracia, que deve levar em conta a vontade da maioria. S\u00e3o grupos de interesses, revestidos de argumentos que n\u00e3o se sustentam diante da mais elementar consci\u00eancia humana, n\u00e3o subjugada por ideologias. Diante do direito \u00e0 vida, nenhum legislador pode se arvorar em \u201cDeus\u201d para decretar a morte de inocentes e indefesos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do valor intr\u00ednseco como membro da esp\u00e9cie humana, o feto n\u00e3o teria nenhum outro direito? Seria um feto humano, inferior aos fetos das tartarugas marinhas, protegidos por lei antes de sa\u00edrem do ovo, antes de nascerem? O Imp\u00e9rio Romano concedia \u00e0 p\u00e1tria potestas, o direito do infantic\u00eddio, do abandono das crian\u00e7as, venda dos filhos como escravos e do aborto. Na mentalidade do mundo greco-romano, somente o cidad\u00e3o livre \u00e9 sujeito do direito: n\u00e3o o escravo nem a crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece-nos que, ap\u00f3s um progresso significativo, uma evolu\u00e7\u00e3o do Direito, estamos involuindo, ao perder a percep\u00e7\u00e3o da gravidade e criminalidade do aborto. A aceita\u00e7\u00e3o do aborto na mentalidade, costumes e na pr\u00f3pria lei \u00e9 sinal de uma crise do sentido moral, que se torna cada vez mais incapaz de distinguir o bem do mal, mesmo quando est\u00e1 em jogo o direito fundamental \u00e0 vida: \u201cAi dos que ao mal chamam bem, e ao bem, chamam mal, os que tem as trevas por luz e a luz por trevas\u201d (Is 5,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo ser humano, inclusive o feto, tem direito \u00e0 vida que lhe vem imediatamente do Criador, n\u00e3o dos pais nem de qualquer autoridade humana. O ser humano \u00e9 chamado a colaborar com o Criador na transmiss\u00e3o da vida, mas n\u00e3o \u00e9 o senhor da vida. N\u00e3o existe ademais uma pessoa humana com t\u00edtulo v\u00e1lido ou indica\u00e7\u00e3o suficiente para uma disposi\u00e7\u00e3o deliberada sobre uma vida inocente. Apenas se justifica o aborto n\u00e3o provocado ou espont\u00e2neo, independente da vontade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados cient\u00edficos, interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos, correntes filos\u00f3ficas e morais com ideias equivocadas de liberdade, que inclui a elimina\u00e7\u00e3o do outro, soberba dos legisladores, que se arvoram em senhores da vida ou da morte, como se fossem Deuses, tudo isto vai aos poucos incutindo na sociedade o projeto de uma \u201csociedade abortista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa sociedade que legisla a morte de inocentes e crian\u00e7as, aos poucos se chega a legislar a morte dos idosos, depois a legislar a morte dos doentes incur\u00e1veis, dos in\u00fateis ao Mercado etc. \u00c9 urgente a \u201chumaniza\u00e7\u00e3o\u201d baseada na import\u00e2ncia de toda vida humana e que d\u00e1 o mesmo valor a todo ser humano desde seu in\u00edcio a seu fim natural.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Carlos Cipollini Bispo de Santo Andr\u00e9 (SP) &nbsp; &nbsp; A pol\u00eamica sobre o aborto \u00e9 grande na sociedade. A favor ou contra? Permitido ou n\u00e3o? Legaliza-se sua pr\u00e1tica ou n\u00e3o? Do ponto de vista social o aborto \u00e9 um flagelo, pela enormidade dos males que causa \u00e0 sociedade. Quem j\u00e1 ouviu o depoimento &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-avaliacao-moral-do-aborto\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A avalia\u00e7\u00e3o moral do aborto<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/950740"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=950740"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/950740\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":950744,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/950740\/revisions\/950744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=950740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=950740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=950740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}