{"id":956409,"date":"2023-12-21T16:53:20","date_gmt":"2023-12-21T19:53:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=956409"},"modified":"2023-12-21T16:53:20","modified_gmt":"2023-12-21T19:53:20","slug":"o-povo-kaapor-pede-ajuda-a-igreja-na-defesa-da-vida-da-floresta-e-das-terras-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-povo-kaapor-pede-ajuda-a-igreja-na-defesa-da-vida-da-floresta-e-das-terras-indigenas\/","title":{"rendered":"O povo Ka\u2019apor, ap\u00f3s os dois dias de conviv\u00eancia, pede ajuda \u00e0 Igreja na defesa da vida, da floresta e das Terras Ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Foram dois dias de imers\u00e3o e conviv\u00eancia com o povo Ka\u2019apor, na maior Terra Ind\u00edgena (TI) do Maranh\u00e3o, ao noroeste do Estado. Ao retornarem da miss\u00e3o, o grupo realizou, no dia 21\/12, uma coletiva de imprensa no Instituto Instituo de Estudos Superiores do Maranh\u00e3o (IESMA), para partilhar o que ouviram e viram junto ao povo Ka\u2019apor. Os Ka\u2019apor vivem sob constantes amea\u00e7as de madeireiros, garimpeiros e de empresas de minera\u00e7\u00e3o. As comunidades tamb\u00e9m v\u00eam sofrendo com a sedu\u00e7\u00e3o dos projetos para cr\u00e9ditos de carbono.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio est\u00e1 inserido no Mosaico Gurupi, do qual fazem parte as TIs Awa, Caru, Alto Turia\u00e7u e Reserva Biol\u00f3gica do Gurupi. Nesse espa\u00e7o, o conselho dos Tuxa Ta Pame, conselho dos ancestrais, convidou membros da Comiss\u00e3o Especial para a Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o (CEEM) da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Rede Igrejas e Minera\u00e7\u00e3o, do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Grupo de Estudo sobre Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente, da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (GEDMMA-UFMA), para escutar e ver a realidade de amea\u00e7as e destrui\u00e7\u00e3o que o povo e seu territ\u00f3rio est\u00e3o vivendo. Participou tamb\u00e9m o padre Paulo Ricardo, referente pela pastoral indigenista da Diocese de Z\u00e9 Doca.<\/p>\n<p><strong>Veja abaixo um v\u00eddeo-s\u00edntese da visita:<\/strong><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container\" style=\"height: 100%;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Visita solid\u00e1ria ao Povo Ka`apor do Maranh\u00e3o\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ND_Yr23o5MQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bispo de Floresta (PE) e membro da Comiss\u00e3o para a Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o, dom Gabriel Marchesi, conta: \u201cO povo est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de invas\u00f5es e amea\u00e7as, n\u00e3o s\u00f3 do territ\u00f3rio, mas da pr\u00f3pria vida. Uma coisa que aprendemos junto com eles \u00e9 que a vida do povo Ka\u2019apor \u00e9 interligada com a vida da floresta: educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, defesa do territ\u00f3rio. Tudo depende da floresta. Eles falam de aprender com a floresta. E a vida na floresta \u00e9 fundamental para a cultura deles\u201d.<\/p>\n<p>O bispo conta que o povo Ka\u2019apor est\u00e1 sofrendo invas\u00f5es por parte de ca\u00e7adores, madeireiros e mineradoras. \u201cEssas empresas, muitas vezes, atuam sem nenhuma autoriza\u00e7\u00e3o, isso fragiliza ainda mais a rea\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia dos povos. Essas a\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de provocar a devasta\u00e7\u00e3o, promovem a divis\u00e3o nessas comunidades, por meio de privil\u00e9gios e favores; isso cria conflito de interesses\u201d, descreve dom Gabriel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO povo Ka\u2019apor pediu para nossa Comiss\u00e3o e para a Igreja em geral que pud\u00e9ssemos tomar consci\u00eancia de sua realidade, ver e escutar as suas palavras, se dar conta dos sofrimentos e das preocupa\u00e7\u00f5es e por fim dar resson\u00e2ncia pelo Brasil afora do que est\u00e1 acontecendo com os Ka\u2019apor. Vida e dignidade n\u00e3o podem ser trocadas por dinheiro. Encontramos duas realidades, uma de defesa da vida e da floresta e outra de destrui\u00e7\u00e3o e morte da vida e da floresta\u201d, conclui dom Marchesi.<\/p>\n<p>O coordenador da colegiada do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio do Maranh\u00e3o (Cimi-MA), Gilderlan Rodrigues, lembra que nessa luta de defesa e prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios os Ka\u2019apor s\u00e3o criminalizados e deslegitimados. \u201c\u00c9 um trabalho que busca o autogoverno, que visa integrar a quest\u00e3o da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, como forma interligada de conex\u00e3o com o territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Alian\u00e7a entre Igreja e povo Ka&#8217;apor<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO assessor da CEEM-CNBB, padre D\u00e1rio Bossi, afirma que a miss\u00e3o continua, depois da visita, com o compromisso e uma alian\u00e7a selada pela Igreja junto ao povo Ka&#8217;apor, a partir do pedido de colabora\u00e7\u00e3o deles, primeiramente dando visibilidade \u00e0s den\u00fancias deste povo e refor\u00e7ar suas reivindica\u00e7\u00f5es junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Padre D\u00e1rio ressalta que um relat\u00f3rio detalhado da visita est\u00e1 sendo preparado, como insumo para outras a\u00e7\u00f5es de incid\u00eancia pol\u00edtica, com particular destaque na luta contra a impunidade frente \u00e0s amea\u00e7as e \u00e0s mortes que o povo Ka&#8217;apor sofre. \u201cNeste sentido, membros da miss\u00e3o confirmaram sua participa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3xima Marcha da Floresta, prevista em 2024 para honrar a mem\u00f3ria do l\u00edder ind\u00edgena Sarap\u00f3\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sarap\u00f3 era um dos principais respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de sistemas de autodefesa ind\u00edgena do pa\u00eds; era alvo de amea\u00e7as e integrava o Programa de Prote\u00e7\u00e3o a Defensores e Defensoras de Direitos Humanos do Maranh\u00e3o desde 2015. O l\u00edder ind\u00edgena morreu de forma misteriosa, com fortes suspeitas de envenenamento, no dia 14 de maio de 2022, aos 45 anos.\u00a0 O assessor conclui que \u201cos membros da miss\u00e3o ofereceram sua disponibilidade para colaborar na forma\u00e7\u00e3o sobre os riscos e as ambiguidades dos projetos de cr\u00e9dito de carbono. Tamb\u00e9m, abrem-se perspectivas de colabora\u00e7\u00e3o para den\u00fancias e incid\u00eancia internacional, junto a institui\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos, com participa\u00e7\u00e3o ativa da Igreja\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram dois dias de imers\u00e3o e conviv\u00eancia com o povo Ka\u2019apor, na maior Terra Ind\u00edgena (TI) do Maranh\u00e3o, ao noroeste do Estado. 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