{"id":957431,"date":"2023-10-27T11:35:19","date_gmt":"2023-10-27T14:35:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=957431"},"modified":"2024-01-22T11:38:54","modified_gmt":"2024-01-22T14:38:54","slug":"morte-uma-reflexao-para-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/morte-uma-reflexao-para-a-vida\/","title":{"rendered":"Morte: Uma reflex\u00e3o para a vida \u202f"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin\u00a0\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Santa Maria (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande poeta ga\u00facho M\u00e1rio Quintana escreveu uma poesia denominada:\u202fInscri\u00e7\u00e3o para um port\u00e3o de cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma pedra se encontram, Conforme o povo traduz,<br \/>\nQuando se nasce\u202f\u2013\u202fuma estrela, Quando se morre\u202f\u2013\u202fuma cruz.<br \/>\nMas quantos que aqui repousam H\u00e3o de emendar-nos assim:<br \/>\n\u201cPonham-me a cruz no princ\u00edpio&#8230; E a luz da estrela no fim!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, o \u201cDia de Finados\u201d nos recorda que \u00e9 preciso considerar a morte no contexto da vida e uma realidade iluminar a outra. Afinal, morte reprimida pode ser traduzida como\u202fvida reduzida. Morrer faz parte da experi\u00eancia humana. Negar essa realidade \u00e9 fugir da condi\u00e7\u00e3o humana e se anestesiar numa exist\u00eancia superficial e fraca de sentido. Perdas, lutos e mortes povoam nossa hist\u00f3ria. Refletir sobre isso e celebrar a mem\u00f3ria dos que partiram significa entender quem, de fato, somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, perguntar sobre a morte implica investigar a quest\u00e3o da vida. Vale, aqui, recordar o que S\u00e3o Paulo Ap\u00f3stolo pregava:\u202fIrm\u00e3os, n\u00e3o queremos que voc\u00eas ignorem coisa alguma a respeito dos mortos, para n\u00e3o ficarem tristes como os outros que n\u00e3o t\u00eam esperan\u00e7a. Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, acreditamos tamb\u00e9m que aqueles que morreram em Jesus ser\u00e3o levados por Deus em sua companhia. (1Ts 4,13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preparar-se para o entardecer da vida n\u00e3o \u00e9 olhar para a noite da morte, mas perceber que o sol se p\u00f5e desse lado da exist\u00eancia, mas continua a iluminar a outra, onde \u00e9 sempre dia. Podemos at\u00e9 usar a compara\u00e7\u00e3o com o dia: quando \u00e9 noite aqui, \u00e9 dia no outro lado do Planeta. De certa forma, isso nos ajuda a compreender a vida: quando morremos, \u201capagamos\u201d para este mundo, mas vivemos e somos iluminados na vida eterna que Deus nos preparou. Para quem cr\u00ea, a vida n\u00e3o \u00e9 tirada, mas transformada. Desfeito nosso corpo mortal, Deus nos garante uma vida nova e plena, imperec\u00edvel. Algu\u00e9m pode se perguntar como \u00e9 poss\u00edvel saber sobre essa realidade. Ora, Jesus nos garantiu com palavras seguras:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em 1999, escreveu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinto\u202fuma grande paz quando penso no momento em que o Senhor me chamar: de vida em vida! Por isso, tenho frequentemente, nos l\u00e1bios, sem qualquer sentimento de tristeza, uma ora\u00e7\u00e3o que o sacerdote recita ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica: na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para V\u00f3s. \u00c9 a ora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a crist\u00e3, que n\u00e3o priva, em nada, de alegria a hora presente, enquanto confia o futuro \u00e0 divina bondade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u201cDia de Finados\u201d, entretanto, a saudade e a dor da perda dos entes queridos pode se intensificar. Nesse momento, vale a pena meditar palavras de um santo bispo de Sarago\u00e7a, S\u00e3o Br\u00e1ulio, que no escrito \u201cDiante da morte, nos perguntamos sobre o sentido da vida\u201d nos ajuda a refletir: \u202fQue a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o nos anime, pois os que perdemos neste mundo tornaremos a v\u00ea-los no outro; basta para isso crermos no Senhor com\u202fverdadeira f\u00e9, obedecendo aos seus mandamentos. Para Ele, Todo-Poderoso, \u00e9 mais f\u00e1cil despertar os mortos que acordarmos n\u00f3s os que dormem.\u202f Dizemos essas coisas e, no entanto, levados n\u00e3o sei por que sentimento desfazemo-nos em l\u00e1grimas, e a saudade nos perturba a f\u00e9. Como \u00e9 miser\u00e1vel a condi\u00e7\u00e3o humana, e nossa vida sem Cristo torna-se sem sentido! \u00d3 morte, que separas os casados e, t\u00e3o dura e cruelmente, separas tamb\u00e9m os amigos! Mas teu poder j\u00e1 est\u00e1 esmagado! Basta-nos, por\u00e9m, a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o e termos os olhos fixos na gl\u00f3ria de nosso Redentor. Pela f\u00e9 j\u00e1 nos consideramos ressuscitados com Ele, conforme diz o Ap\u00f3stolo: Se morremos com Cristo, cremos que tamb\u00e9m viveremos com Ele.\u202f(Rm 6,8).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin\u00a0\u00a0 Arcebispo de Santa Maria (RS) &nbsp; O grande poeta ga\u00facho M\u00e1rio Quintana escreveu uma poesia denominada:\u202fInscri\u00e7\u00e3o para um port\u00e3o de cemit\u00e9rio. Na mesma pedra se encontram, Conforme o povo traduz, Quando se nasce\u202f\u2013\u202fuma estrela, Quando se morre\u202f\u2013\u202fuma cruz. 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