{"id":957439,"date":"2023-11-17T11:59:19","date_gmt":"2023-11-17T14:59:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=957439"},"modified":"2024-01-22T12:02:28","modified_gmt":"2024-01-22T15:02:28","slug":"pensar-no-futuro-da-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pensar-no-futuro-da-criacao\/","title":{"rendered":"Pensar no futuro da Cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Santa Maria (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos maiores problemas da atualidade \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente. Semelhante \u00e0 paranoia nuclear do auge da \u201cGuerra Fria\u201d, a crise ecol\u00f3gica imp\u00f5e mudan\u00e7a de atitudes e de paradigmas. Os cen\u00e1rios atuais s\u00e3o dram\u00e1ticos. O projeto de vida moderna e a ideologia do progresso sacrificaram muitas vidas, esp\u00e9cies e ecossistemas. Emerge uma nova radicalidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebe-se, hoje, uma crise sem precedentes, e civiliza\u00e7\u00f5es serem abaladas n\u00e3o \u00e9 um fato in\u00e9dito. O espec\u00edfico, por\u00e9m, deste tempo \u00e9 que, pela primeira vez, corre-se o risco da destrui\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e suas consequ\u00eancias destruidoras apresentam uma nova realidade ao ser humano atual: enquanto desfrutava do conforto consumista com o pressuposto dom\u00ednio sobre a natureza, tida como ilimitada, n\u00e3o se imaginava a ilus\u00e3o que se vivia e o quanto o estilo de vida predat\u00f3rio, ainda vivido na sociedade, causa a morte do Planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atual situa\u00e7\u00e3o do mundo expressa o fracasso da moderniza\u00e7\u00e3o e do progresso, o qual provocou a atual crise ecol\u00f3gica. A degrada\u00e7\u00e3o da natureza \u00e9 apenas uma parte de uma trag\u00e9dia maior: o esgotamento dos recursos, a eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de pobreza e mis\u00e9ria, o consumo desenfreado nos pa\u00edses ricos, a viol\u00eancia urbana e a injusti\u00e7a social, as guerras, a corrup\u00e7\u00e3o sem limites e as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebe-se como a Hist\u00f3ria apresenta uma bela fachada de progresso, de um futuro promissor atrav\u00e9s da evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, mas esconde o lado apocal\u00edptico, escuro e mortal das massas \u201csobrantes\u201d do Planeta e da crise ecol\u00f3gica que amea\u00e7a a vida humana na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma ambiguidade fundamental na atual fase do mundo. Enquanto uma minoria do Planeta j\u00e1 vive no futuro da inform\u00e1tica, do mundo digital, do conforto e da facilidade que a tecnologia pode oferecer, a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o global vive no passado, sem direito \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e moradia. Um sistema econ\u00f4mico alicer\u00e7ado na cobi\u00e7a, a promo\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o e o padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e consumo desenfreado for\u00e7ar\u00e3o a Terra para al\u00e9m de sua potencialidade regenerativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O hiato entre o padr\u00e3o de vida de quem j\u00e1 est\u00e1 no futuro e a falta de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de vida dos que est\u00e3o no passado da sobreviv\u00eancia, cresce como um abismo intranspon\u00edvel. Resultado desse processo \u00e9 a crescente viol\u00eancia urbana, a expans\u00e3o da drogadi\u00e7\u00e3o para aqueles que desejam eternizar o presente e a explora\u00e7\u00e3o desiquilibrada do meio ambiente a partir dos princ\u00edpios do mercado global que deve crescer: custe o que custar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preserva\u00e7\u00e3o do ambiente e da vida humana n\u00e3o pode ser apenas com vistas a um futuro remoto. A quest\u00e3o exige uma nova centralidade, pois se reflete sobre todos os saberes. H\u00e1 uma responsabilidade comum em vista da sobreviv\u00eancia. Hoje, se deve agir como se o futuro inteiro do g\u00eanero humano estivesse nas m\u00e3os da atual gera\u00e7\u00e3o. O tempo da salva\u00e7\u00e3o da Terra \u00e9 o presente. As previs\u00f5es s\u00e3o desanimadoras, principalmente no que se refere aos recursos h\u00eddricos, pois o problema da escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel, em muitas regi\u00f5es do Planeta, tende a se alastrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assumir a responsabilidade ecol\u00f3gica n\u00e3o significa fazer alarde ou prever infort\u00fanios, mas alertar, pedagogicamente, sobre os riscos que corremos. Precisamos tomar uma nova posi\u00e7\u00e3o: evitar toda viol\u00eancia sobre a natureza e buscar um novo paradigma de conviv\u00eancia pac\u00edfica e de coexist\u00eancia. Contra a acelerada explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, a f\u00e9 no futuro da Cria\u00e7\u00e3o tem uma dimens\u00e3o terap\u00eautica para o Planeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS) &nbsp; Um dos maiores problemas da atualidade \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente. 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