{"id":957461,"date":"2023-12-22T13:13:51","date_gmt":"2023-12-22T16:13:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=957461"},"modified":"2024-01-22T13:15:32","modified_gmt":"2024-01-22T16:15:32","slug":"22-de-dezembro-uma-gruta-faixas-e-manjedoura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/22-de-dezembro-uma-gruta-faixas-e-manjedoura\/","title":{"rendered":"22 de dezembro. Uma gruta, faixas e manjedoura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Santa Maria (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o s\u00e9culo II a tradi\u00e7\u00e3o costuma representar o nascimento de Cristo numa gruta. A sua vida terrena \u00e9 fechada no mist\u00e9rio de duas grutas, a do pres\u00e9pio e a do sepulcro. Primeiro, envolto em faixas de rec\u00e9m-nascido, depois, numa mortalha; primeiro, colocado no lenho do ber\u00e7o, depois, no lenho da cruz. E Maria estava l\u00e1: impressiona ver essa jovem m\u00e3e enfaixar seu filho e coloc\u00e1-lo repousar numa manjedoura. Impacta saber que ele \u00e9 retirado do lenho da cruz e depositado nos bra\u00e7os da m\u00e3e senhora das dores, como vemos na escultura marm\u00f3rea da Piet\u00e1 de Michelangelo Buonarroti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00edcones orientais, quando se pinta a cena do nascimento de Jesus, a gruta \u00e9 feita num fundo bem escuro, num azul quase preto. Essa cor representa o Hades, a morada dos mortos, e indica que o rec\u00e9m-nascido est\u00e1 agora sujeito \u00e0 morte. Na representa\u00e7\u00e3o do \u00edcone da P\u00e1scoa, essa cor escura tinge os infernos, ao qual Jesus desce, e cujas portas esmaga, para nos salvar. \u00c9 o que rezamos no creio: desceu \u00e0 mans\u00e3o dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A condi\u00e7\u00e3o mortal \u00e9 indicada tamb\u00e9m pelas faixas de linho que envolvem o Menino, e remetem \u00e0s faixas que o envolver\u00e3o em sua Paix\u00e3o. Maria o \u201cenfaixou\u201d: Deus quis necessitar dos cuidados humanos. Deus confiou-se nas suas m\u00e3os, fr\u00e1gil e indefeso, envolto de ternura. Era costume no tempo de Jesus lavar o rec\u00e9m-nascido, limp\u00e1-lo com sal e envolv\u00ea-lo em faixas de linho. Igualmente na morte, o corpo da pessoa era muito cuidado: ap\u00f3s ser bem lavado e ungido com perfumes como mirra e alo\u00e9s, o cad\u00e1ver era envolto em faixas para ser depositado no sepulcro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os panos ser\u00e3o, para os pastores, sinal de reconhecimento do menino, e para as mulheres, Pedro e Jo\u00e3o, ser\u00e3o sinal tang\u00edvel da Ressurrei\u00e7\u00e3o ante o sepulcro vazio (Lc 2, 13; Jo 20, 1ss). Os panos do menino s\u00e3o as roupas mortu\u00e1rias que, depois, aparecer\u00e3o espalhadas pelo sepulcro, quando ressuscitou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Maria colocou o menino numa manjedoura. &#8220;Colocou-o\u201d \u00e9 uma express\u00e3o que tanto pode ser usada para deitar: colocar o beb\u00ea no ber\u00e7o, quanto para a refei\u00e7\u00e3o: colocar o alimento na mesa. Nesse caso, Jesus \u00e9 deitado para dormir no lugar onde se come, numa manjedoura. Faz-se uma alus\u00e3o \u00e0 Eucaristia: o p\u00e3o dos anjos, o alimento descido do c\u00e9u, que d\u00e1 a vida, \u00e9 colocado no lugar onde comem os animais. Deus se doa como vida e alimento ao humano pecador. Deus, que \u00e9 amor e acolhida, est\u00e1 necessitado de amor e de acolhida. Mas n\u00e3o encontra lugar entre n\u00f3s sen\u00e3o num lugar dos animais, e na manjedoura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destaca-se ainda\u202fque a manjedoura aqui retratada lembra, \u00e0s vezes, um altar, profetizando o sacrif\u00edcio oferecido por Cristo uma vez por todas no altar da cruz. Sua mat\u00e9ria-prima, a madeira, evoca justamente a cruz, \u00e1rvore da vida, e a \u00e1rvore do para\u00edso, junto da qual os primeiros pais pecaram. A manjedoura tem a forma de um sepulcro, numa alus\u00e3o ao momento em que Ele ser\u00e1 deposto da cruz, envolto em uma mortalha e colocado num sepulcro cavado na rocha (cf. Lc 2,7; 23,53).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perceber os sinais simples da gruta, das faixas e do coxo de animais como lugares onde Deus se manifesta \u00e9 ter sabedoria para perceber que o Natal ilumina as trevas do cotidiano. N\u00e3o pode haver tristeza quando nasce a vida!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin\u00a0 Arcebispo de Santa Maria (RS) &nbsp; Desde o s\u00e9culo II a tradi\u00e7\u00e3o costuma representar o nascimento de Cristo numa gruta. A sua vida terrena \u00e9 fechada no mist\u00e9rio de duas grutas, a do pres\u00e9pio e a do sepulcro. Primeiro, envolto em faixas de rec\u00e9m-nascido, depois, numa mortalha; primeiro, colocado no lenho &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/22-de-dezembro-uma-gruta-faixas-e-manjedoura\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">22 de dezembro. 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