{"id":964139,"date":"2024-05-24T13:57:20","date_gmt":"2024-05-24T16:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=964139"},"modified":"2024-05-24T13:57:46","modified_gmt":"2024-05-24T16:57:46","slug":"a-dignidade-infinita-da-pessoa-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-dignidade-infinita-da-pessoa-humana\/","title":{"rendered":"A dignidade infinita da pessoa humana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dom Leomar Brustolin<br \/>\nArcebispo de Santa Maria (RS)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 25 de mar\u00e7o passado, o Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 da Santa S\u00e9 publicou a <em>Declara\u00e7\u00e3o Dignitas infinita<\/em>, com aprova\u00e7\u00e3o do Papa Francisco. O texto traz diversos aspectos do nosso tempo que incidem diretamente em nossa sociedade, e que nos fazem refletir sobre o conceito que temos de pessoa humana e sua dignidade. Situa\u00e7\u00f5es novas e quest\u00f5es in\u00e9ditas merecem aten\u00e7\u00e3o e considera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel perder os fundamentos do ser e do agir humano por causa de desafios novos. Precisamos revisitar essas bases que sustentam nossa exist\u00eancia para n\u00e3o perdermos a nossa identidade, que n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea de cada mudan\u00e7a de \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre a dignidade humana, a Declara\u00e7\u00e3o inicia afirmando que se trata de uma dignidade infinita, fundada no pr\u00f3prio ser de cada pessoa, independente do estado ou circunst\u00e2ncia na qual se encontre. Para a Igreja, trata-se de um princ\u00edpio fundamental de quem cr\u00ea em Jesus Cristo, sobretudo quando h\u00e1 desaten\u00e7\u00e3o aos sujeitos mais simples e indefesos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia ensina que todos os seres humanos possuem dignidade intr\u00ednseca, porque s\u00e3o criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus: \u00abDeus disse: \u201cfa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem, segundo a nossa semelhan\u00e7a\u201d [&#8230;]. E Deus criou o ser humano \u00e0 sua imagem, \u00e0 imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou\u00bb (<em>Gn<\/em>\u00a01, 26-27). Com essa perspectiva, a antropologia crist\u00e3 antiga e medieval se desenvolveu e colocou em relevo a doutrina do ser humano criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus e o seu papel singular na cria\u00e7\u00e3o.\u00a0Nesse sentido, recupera-se o que escreveu Santo Tom\u00e1s de Aquino: \u201cpessoa significa o que de mais nobre existe em todo o universo, isto \u00e9, o subsistente de natureza racional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na era moderna tamb\u00e9m se desenvolveram ideias nesse sentido. E hoje, o termo \u201cdignidade\u201d \u00e9 utilizado prevalentemente para sublinhar o car\u00e1ter \u00fanico da pessoa humana, incomensur\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o aos outros seres do universo. O texto destaca que o termo \u201cdignidade\u201d na\u00a0Declara\u00e7\u00e3o\u00a0das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 1948, se trata \u00abda dignidade inerente a todos os membros da fam\u00edlia humana e dos seus direitos, iguais e inalien\u00e1veis\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o faltam questionamentos em nosso tempo. H\u00e1 quem procure outras leituras sobre essa dignidade. H\u00e1 quem proponha que seria melhor usar a express\u00e3o \u201cdignidade pessoal\u201d (e direitos \u201cda pessoa\u201d) ao inv\u00e9s de \u201cdignidade humana\u201d (e direitos do ser humano), porque entendem como pessoa somente \u201cum ser que \u00e9 capaz de raciocinar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir daqui a <em>Declara\u00e7\u00e3o Dignitas Infinita<\/em> alerta que tal vis\u00e3o se expande sustentando que a dignidade e os direitos se deduzem da capacidade de conhecimento e de liberdade, que nem todos os seres humanos possuem. Consequentemente, n\u00e3o teria dignidade pessoal a crian\u00e7a ainda n\u00e3o-nascida, nem o idoso n\u00e3o autossuficiente, nem o portador de defici\u00eancia mental.<a name=\"_ftnref39\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a Declara\u00e7\u00e3o insiste no fato que a dignidade de cada pessoa humana permanece \u201cpara al\u00e9m de toda circunst\u00e2ncia\u201d, e o seu reconhecimento n\u00e3o pode absolutamente depender do ju\u00edzo sobre a capacidade da pessoa de entender e de agir livremente.\u00a0 Se assim fosse, a dignidade n\u00e3o seria, como tal, inerente \u00e0 pessoa, independente dos seus condicionamentos e merecedora de um respeito incondicionado. Somente reconhecendo ao ser humano uma dignidade intr\u00ednseca, que n\u00e3o se perde jamais, \u00e9 poss\u00edvel garantir a tal qualidade um inviol\u00e1vel e seguro fundamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Garantir a dignidade de cada e de toda pessoa humana ainda \u00e9 uma tarefa que a todos n\u00f3s compromete e afeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS) No dia 25 de mar\u00e7o passado, o Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 da Santa S\u00e9 publicou a Declara\u00e7\u00e3o Dignitas infinita, com aprova\u00e7\u00e3o do Papa Francisco. 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