{"id":964388,"date":"2024-05-31T16:04:14","date_gmt":"2024-05-31T19:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=964388"},"modified":"2024-05-31T16:04:55","modified_gmt":"2024-05-31T19:04:55","slug":"a-violacao-da-dignidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-violacao-da-dignidade-humana\/","title":{"rendered":"A viola\u00e7\u00e3o da dignidade humana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dom Leomar Brustolin<br \/>\nArcebispo de Santa Maria (RS)<\/p>\n<p>Quando, em mar\u00e7o passado, o Dicast\u00e9rio da Doutrina da F\u00e9 publicou a Declara\u00e7\u00e3o Dignitas Infinita, refletindo sobre a dignidade humana, alertou-se sobre a redu\u00e7\u00e3o desse conceito com s\u00e9rias consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Especialmente quem pleiteia novos direitos que contrastam com o direito fundamental \u00e0 vida. O que se pretende \u00e9 garantir os direitos individuais e a satisfa\u00e7\u00e3o de desejos subjetivos. Nesses casos, quem pretende uma liberdade isolada e individualista tende a impor direitos que a coletividade deve acolher.<\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o, entretanto, denuncia que a dignidade humana n\u00e3o pode ser baseada sobre pretens\u00f5es meramente individuais. Ela n\u00e3o pode ser identificada somente com o bem-estar psicof\u00edsico do indiv\u00edduo. Afinal, \u201ca dignidade humana, \u00e0 luz do car\u00e1ter relacional da pessoa, ajuda a superar a perspectiva redutiva de uma liberdade autorreferencial e individualista, que pretende criar os pr\u00f3prios valores prescindindo das normas objetivas do bem e da rela\u00e7\u00e3o com os outros seres viventes.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto de subjetividades que se repetem narrativas que trazem graves consequ\u00eancias na viola\u00e7\u00e3o da Dignidade Humana. A Declara\u00e7\u00e3o denuncia que \u00e9 preciso \u201creconhecer que se op\u00f5e \u00e0 dignidade humana tudo aquilo que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 vida mesma, como toda esp\u00e9cie de homic\u00eddio, o genoc\u00eddio, o aborto, a eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio volunt\u00e1rio. Atenta ainda contra a nossa dignidade tudo aquilo que viola a integridade da pessoa humana, como as mutila\u00e7\u00f5es, as torturas infligidas ao corpo e \u00e0 mente, as constri\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas\u201d.<\/p>\n<p>O texto tamb\u00e9m indica que \u201ctudo aquilo que ofende a dignidade humana, como as condi\u00e7\u00f5es de vida sub-humana, os encarceramentos arbitr\u00e1rios, as deporta\u00e7\u00f5es, a escravid\u00e3o, a prostitui\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio de mulheres e de jovens, ou ainda as ignominiosas condi\u00e7\u00f5es de trabalho com as quais os trabalhadores s\u00e3o tratados como simples instrumentos de lucro e n\u00e3o como pessoas livres e respons\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p>O texto profeticamente alerta sobre a gravidade da guerra, que nega a dignidade humana. Com o seu poder de destrui\u00e7\u00e3o e causa de dor, a guerra ataca a dignidade humana mesmo que seja reafirmado o direito inalien\u00e1vel \u00e0 leg\u00edtima defesa, como tamb\u00e9m a responsabilidade de proteger aqueles cuja exist\u00eancia \u00e9 amea\u00e7ada. Devemos admitir que a guerra \u00e9 sempre uma \u201cderrota da humanidade\u201d, diz a declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Merece ser transcrito aqui o que se diz sobre os desdobramentos de uma guerra: \u201cnenhuma guerra vale a as l\u00e1grimas de uma m\u00e3e que viu seu filho mutilado ou morto; nenhuma guerra vale a perda da vida, ainda que fosse de uma s\u00f3 pessoa humana, ser sagrado, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do Criador; nenhuma guerra vale o envenenamento da nossa casa comum; nenhuma guerra vale o desespero de quantos s\u00e3o obrigados a deixar a sua p\u00e1tria e s\u00e3o privados, de um momento a outro, da sua casa e de todos os v\u00ednculos familiares, de amizade, sociais e culturais que foram constru\u00eddos, \u00e0s vezes ao longo de gera\u00e7\u00f5es\u201d. Enfim, nada pode amea\u00e7ar a dignidade infinita de cada pessoa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Brustolin Arcebispo de Santa Maria (RS) Quando, em mar\u00e7o passado, o Dicast\u00e9rio da Doutrina da F\u00e9 publicou a Declara\u00e7\u00e3o Dignitas Infinita, refletindo sobre a dignidade humana, alertou-se sobre a redu\u00e7\u00e3o desse conceito com s\u00e9rias consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Especialmente quem pleiteia novos direitos que contrastam com o direito fundamental \u00e0 vida. 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