{"id":974689,"date":"2024-12-06T09:49:48","date_gmt":"2024-12-06T12:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=974689"},"modified":"2024-12-06T09:50:37","modified_gmt":"2024-12-06T12:50:37","slug":"advento-sede-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/advento-sede-de-deus\/","title":{"rendered":"Advento: sede de Deus\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\nArcebispo de Belo Horizonte (MG)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">As quatro semanas que precedem a celebra\u00e7\u00e3o do Natal de Jesus, Salvador do mundo, constituem o tempo do Advento e devem ser vividas cultivando a sede de Deus. No itiner\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o para celebrar o Natal, conv\u00e9m, pois, acolher o que diz o salmista ao expressar a sua sede de Deus, como terra sedenta e sem \u00e1gua. A alma suspira por meio dessa sede que precisa ser assumida, reconhecendo em Deus o sentido maior e central das celebra\u00e7\u00f5es natalinas. Repete-se sempre o risco de n\u00e3o se conseguir celebrar o Natal como oportunidade de manejar, existencialmente, a sede de Deus, esgotando e resumindo as celebra\u00e7\u00f5es \u00e0s luzes, \u00e0s ceias e aos enfeites que podem \u201cencher os olhos\u201d, mas n\u00e3o bastam para se conquistar a verdadeira alegria, capaz de emoldurar a vida.\u00a0 A prepara\u00e7\u00e3o para se viver o Natal deve promover o reconhecimento da sede de Deus que habita o cora\u00e7\u00e3o humano. Uma sede que somente pode ser saciada com Aquele que vem, Jesus Salvador.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O Advento, pela liturgia na Igreja Cat\u00f3lica, particularmente pela for\u00e7a interpelante da B\u00edblia, possibilita reconhecer e cultivar a sede de Deus. N\u00e3o a reconhecer ou n\u00e3o a cultivar afasta o ser humano da realidade, aliena-o, distanciando-o do sentido mais profundo que \u00e9 essencial ao cotidiano de cada pessoa. Celebrar o Natal restringindo-se \u00e0s externalidades &#8211; luzes, cores, presentes, comidas, bebidas \u2013 significa perder a chance de conquistar for\u00e7a essencial ao viver, que pede coragem para superar adversidades e compet\u00eancia para discernir quais rumos dar \u00e0 pr\u00f3pria vida, reconhecendo-a como dom, \u00e0 luz da oferta que Jesus Salvador faz de si mesmo pela humanidade. A vida que continua superficial \u00e9 \u201ctorr\u00e3o seco\u201d, n\u00e3o embebido de um sentido maior. O Advento \u00e9 tempo para tratar essa secura que pode contaminar o terreno da pr\u00f3pria alma. Uma aridez que se manifesta nos esgotamentos existenciais, nas disputas por reconhecimentos que atormentam o ser humano e o deixa incapacitado para ajudar na constru\u00e7\u00e3o de um mundo solid\u00e1rio, com uma sociedade mais justa e fraterna, caracterizada por novos estilos de vida enraizados na amizade social.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Sem a consci\u00eancia da sede de Deus que habita a interioridade humana n\u00e3o se vence a dolorosa secura espiritual que esvazia o viver e o reduz a superficialidades. E o Natal, nostalgicamente, passa, deixando um vazio existencial que n\u00e3o foi adequadamente tratado. Sem bem viver o tempo do Advento, as emo\u00e7\u00f5es e as impress\u00f5es inerentes \u00e0 \u00e9poca natalina n\u00e3o encontram seu verdadeiro nascedouro: a sede de Deus. \u00c9, pois, tempo de avaliar como anda a sede de Deus na pr\u00f3pria interioridade, buscando cultiv\u00e1-la, para conquistar sabedoria essencial nas escolhas, nas decis\u00f5es, na gest\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que alicer\u00e7am gestos nobres, cotidianamente, inspirando um sentido saboroso que leva o ser humano a viver para servir. Um sentido que suaviza as tempestades das lutas e dos sofrimentos que s\u00e3o inevit\u00e1veis.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Cuidar e investir na pr\u00f3pria vida espiritual, alicerce da vida di\u00e1ria, \u00e9 essencial e o Advento constitui tempo prop\u00edcio para se considerar a sede de Deus, a import\u00e2ncia da espiritualidade, que \u00e9 dimens\u00e3o constitutiva do ser humano, para al\u00e9m de quest\u00f5es socioculturais e pol\u00edticas. O desafio existencial \u00e9 admitir que se tem sede de Deus, sem tentar camufl\u00e1-la com externalidades que, simplesmente, levam a um vazio existencial.\u00a0 Aqueles que ignoram a sede constitutiva do ser humano podem cair nas superficialidades, expressas a partir da indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao semelhante, na ado\u00e7\u00e3o de discursos pouco edificantes, na tentativa de culpar o pr\u00f3ximo pelo pr\u00f3prio fracasso. Ignorar a sede de Deus significa aprisionar a pr\u00f3pria liberdade e multiplicar ang\u00fastias, que podem ser mais inc\u00f4modas que dores f\u00edsicas.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Parta-se sempre da certeza de que a sede de Deus existe, \u00e9 comum a todas as pessoas, e pode ser saciada por Ele, Cristo, que se doa \u00e0 humanidade. Oportuno advertir que a sede de Deus, n\u00e3o raramente, est\u00e1 obscurecida pelo que impera na sociedade atual: a ilus\u00e3o promovida pelo consumo, que motiva a busca ilimitada pelo ac\u00famulo de posses. Desejar o encontro com o Senhor, Menino-Deus, \u00e9 a tarefa pedag\u00f3gica do tempo do Advento, exercitando mentes e cora\u00e7\u00f5es. \u00c9 tempo de desejar ainda mais se encontrar com Deus, que vem ao encontro da humanidade. Ao contr\u00e1rio do desejo de se satisfazer apenas com mimos, comidas e bebidas, este tempo \u00e9 oportuno para se considerar um mendicante: precisado de Deus e de sua miseric\u00f3rdia, em um movimento interior essencial para bem celebrar o Natal. Trata-se de um cuidado com a pr\u00f3pria interioridade para conquistar, no sil\u00eancio da contempla\u00e7\u00e3o, na busca pelo bem, pela reconcilia\u00e7\u00e3o, a restaura\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida, fazendo-se, sabiamente, um oper\u00e1rio da paz.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A sede de Deus cura, \u00e9 capaz de reformular convic\u00e7\u00f5es equivocadas que estavam cristalizadas, debelando aquilo que distancia o ser humano da fraternidade universal e da simplicidade que confere especial sabor ao viver cotidiano. Cultivar a sede de Deus \u00e9 atitude libertadora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria fragilidade humana, pois leva ao reconhecimento de pretens\u00f5es ilus\u00f3rias, dissipa m\u00e1goas e rancores que adoecem, ilumina um horizonte de altru\u00edsmos, de delicadezas. Possibilita, pois, reconfigurar o futuro da humanidade, os rumos da pr\u00f3pria vida, capacitando-se para acolher a miseric\u00f3rdia que redime, que permite a reconquista da inteireza f\u00edsica, espiritual e moral. Reconhe\u00e7a-se a sede de Deus, que habita cada ser humano. Assim, o Natal n\u00e3o ser\u00e1 apenas mais uma celebra\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 singular experi\u00eancia de um encontro com Aquele que vem, o \u00fanico Salvador. A vida pode mudar pelo cultivo da sede de Deus, o anseio mais \u00edntimo de todo cora\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG) \u00a0 As quatro semanas que precedem a celebra\u00e7\u00e3o do Natal de Jesus, Salvador do mundo, constituem o tempo do Advento e devem ser vividas cultivando a sede de Deus. No itiner\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o para celebrar o Natal, conv\u00e9m, pois, acolher o que diz o salmista &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/advento-sede-de-deus\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Advento: sede de Deus\u00a0<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/974689"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=974689"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/974689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":974691,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/974689\/revisions\/974691"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=974689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=974689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=974689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}