{"id":975676,"date":"2024-12-30T14:41:42","date_gmt":"2024-12-30T17:41:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=975676"},"modified":"2024-12-30T14:42:41","modified_gmt":"2024-12-30T17:42:41","slug":"tempo-e-futuro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/tempo-e-futuro-2\/","title":{"rendered":"Tempo e futuro\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br \/>\nBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-ccp-props=\"{}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Como numa forja as coisas agora est\u00e3o misturadas. Neste tempo o pensamento percebe, mas as palavras n\u00e3o exprimem. J\u00e1 houve outros tempos como este, embora as coisas fossem diferentes.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Naquele tempo, discutiu-se que a cura alcan\u00e7ada por meio de ervas era bruxaria. Subst\u00e2ncias separadas n\u00e3o poderiam ser juntadas, pois assim como o que Deus uniu n\u00e3o deveria o homem separar o que Deus separou n\u00e3o devia o homem reunir. Tudo perfeitamente junto, com fundamentos nos p\u00edndaros do conhecimento mais refinado da \u00e9poca. Indiv\u00edduos cultos e incultos juravam ser verdadeiro esse epit\u00e1fio, e eram capazes de garanti-lo com um juramento arqueando a m\u00e3o sobre a pr\u00f3pria b\u00edblia. Se n\u00e3o deve o homem juntar o que Deus separou, ent\u00e3o, diziam eles, o futuro \u00e9 o devir, e o devir \u00e9 pecado contra a unidade.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Quando o pensamento pensa, mas a palavra n\u00e3o exprime, segue-se uma ignor\u00e2ncia radicada no esp\u00edrito do presente. Por ignor\u00e2ncia tamb\u00e9m se alcan\u00e7a certos \u00eaxitos, mas, via de regra, s\u00f3 o que procuramos conscientemente pode ser chamado de descoberta.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A ignor\u00e2ncia encontra certas coisas, \u00e9 verdade, mas em sua natureza est\u00e1 encerrada apenas a possibilidade de encontrar o que j\u00e1 existe, mas n\u00e3o tem a capacidade de engendrar e construir. Esse pensamento levou ignorantes a institu\u00edrem, por for\u00e7a da pol\u00edtica ou da palavra ruidosa, a cura para v\u00edrus e doen\u00e7as da humanidade. O ignorante pensa ter encontrado a solu\u00e7\u00e3o para os males que arru\u00ednam o mundo. Encontram levianamente solu\u00e7\u00f5es medianas para a pol\u00edtica e para a medicina.\u00a0<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">No presente surgiu uma dupla luta. A humanidade contra ela mesma, forjando as batalhas; os elementos em luta entre si, gerando o caos. Assim, batalha e caos quando coincidem rompem o limiar de uma \u00e9poca e arremessa tudo para o desconhecido.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O fim do processo exitoso que trouxe o mundo moderno para o seu apogeu, grande parte baseado na rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e consumo, apena com grande esfor\u00e7o ainda consegue respirar. A falta de mat\u00e9ria dispon\u00edvel e a busca acelerada pelas \u00faltimas reservas agitam os elementos e produz distor\u00e7\u00f5es das quais a mais vistosa \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas h\u00e1 muito mais por baixo dessas vagas rasas que se aproximam do litoral.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">O paradeiro entre estar e ser arremessado \u00e9 o que em linguagem n\u00e1utica exprime as correntes marinhas. Elas correm abaixo da superf\u00edcie do oceano, e, ao menos que encontrem resist\u00eancia ou empecilho, permanecem calmas, mas se encontram resist\u00eancia se tornam ca\u00f3ticas. Elas combatem contra as resist\u00eancias e se misturam com elas. Suas diferen\u00e7as s\u00e3o combatidas com tamanha altivez que j\u00e1 n\u00e3o se parecem mais com elementos distintos, mas um \u00fanico e mesmo elemento em luta consigo mesmo.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Quando presa por uma dessas correntes calmas que conduzem a um enfrentamento com elementos distintos, a nau n\u00e3o pode voltar. A \u00fanica possibilidade \u00e9 embrenhar-se no desconhecido, esperando deix\u00e1-lo para tr\u00e1s em algum momento. \u00c9 isso, basicamente, que chamamos futuro.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Tendo as vagas se aproximado do litoral, a humanidade j\u00e1 consegue se ressentir da luta dos elementos e, ainda distorcida pela vis\u00e3o opaca, produz suas batalhas. A pol\u00edtica, sem entender o que est\u00e1 acontecendo, coloca grupos contra grupos, pa\u00edses contra pa\u00edses, pessoas contra pessoas, imaginando que seja tudo uma quest\u00e3o de muros, e n\u00e3o o fim do sistema de produ\u00e7\u00e3o e consumo que nos trouxe at\u00e9 aqui. Os pr\u00f3prios indiv\u00edduos que exercem o poder de governo, muito ciosos de seus cargos e menos interessados em compreender o mundo, ajudar\u00e3o a distorcer a realidade. As ondas, contudo, chegar\u00e3o a tocar o litoral.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Adentrar o futuro, contudo, n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s uma escolha, mas uma necessidade. Entrar no futuro, onde a humanidade combate e os elementos se estranham, \u00e9 uma necessidade f\u00e1tica que assusta, mas \u00e9 incontorn\u00e1vel.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Ver-se-\u00e1 por algum tempo, talvez longo ainda, a hostilidade de um pensamento que n\u00e3o consegue se exprimir, e a express\u00e3o de uma fala que n\u00e3o pensa.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Nesse mar sitiante de calmaria e correntes o futuro chega. O sublime no futuro que vem \u00e9 o n\u00e3o teimoso. Como o esc\u00e2ndalo da Cruz, acolhe a contradi\u00e7\u00e3o e concilia a fatalidade do porvir com o que ser\u00e1. A vitalidade do que foi deve ser reencontrada no futuro. O querer e a f\u00e9 precisam se unir. A F\u00e9 sem o querer termina vencida.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">A f\u00e9 que deseja quer ver o que tem porvir. O teme, \u00e9 bem verdade, mas a necessidade exige que o encare em algum momento. Nessa coragem do querer que aquece a f\u00e9, a humanidade se separa dos brutos, pois ficando espantada e assombrada quando o futuro se retira, ela colhe nesse retirar-se uma abertura para o infinito, e tudo acontece! O futuro chega!<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Uma obra desmedida que o pensamento e a f\u00e9 geram, pois s\u00f3 quem \u00e9 capaz de espanto e assombro constr\u00f3i.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Chegar ao futuro \u00e9 constatar a necessidade de que h\u00e1 mais futuro, um abismo infindo que pede para si a contempla\u00e7\u00e3o!<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">No caminho para o futuro n\u00e3o nos cansamos porque n\u00e3o queremos nos cansar, queremos ver o que h\u00e1, mas as coisas se cansam. \u00c9 tempo, ent\u00e3o, que as coisas cansadas sejam substitu\u00eddas, para que o tempo continue tendo futuro.<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha Mota Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0 \u00a0 \u00a0 Como numa forja as coisas agora est\u00e3o misturadas. 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